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Porto Alegre, terça-feira, 30 de janeiro de 2018.

Jornal do Comércio

JC Contabilidade

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Opinião

Notícia da edição impressa de 31/01/2018. Alterada em 30/01 às 17h31min

Gestão de pessoas nas empresas em recuperação judicial

FLÁVIO GUARNIERI/DIVULGAÇÃO/JC
Susana Falchi
O pedido de recuperação judicial da Oi leva a reflexões sobre como ficam os colaboradores de uma empresa em um processo tão complicado. Grandes empresas já passaram por situações semelhantes e conseguiram se recuperar, em grande parte devido ao engajamento de seus funcionários, os que mais sofrem durante todo o processo, que envolve demissões e muito estresse.
A recuperação judicial foi criada para substituir a antiga concordata e evitar a falência das empresas. As companhias que recorrerem à lei ficam blindadas de cobranças de credores por 180 dias e deverão elaborar um plano para recuperar a empresa. Esse plano precisa ser aprovado pelos credores e executado com sucesso pela companhia para o processo chegar ao fim. A decisão de encerrar a ação é da Justiça.
A tarefa de reerguer uma empresa envolve, no mínimo, dois grandes desafios: ganhar a confiança dos credores e conseguir mantê-la operante. Muitas empresas em crise interrompem as atividades por falta de caixa e crédito para honrar compromissos básicos, como pagar funcionários e comprar matéria-prima.
Mas, para manter a empresa operante, é preciso que as pessoas continuem atuando e produzindo, possivelmente mais do que antes, para que se mantenham os serviços prestados com qualidade e a produtividade da empresa. A grande pergunta é como fazer em meio a atrasos de salários, demissões e ondas de boatos que percorrem os corredores da organização?
Sem dúvida, podemos afirmar que há grandes desafios na gestão de pessoas nesse cenário. O processo envolve demissões, para manter a empresa operando. É preciso trabalhar com a estrutura mínima para compatibilizar os custos com o momento da organização. E não é nem um pouco fácil selecionar quem fica e quem vai ser demitido. O gestor precisa fazer um mapeamento de perfis, faixa salarial e estabelecer uma política que fique clara para seus colaboradores.
A manutenção da estrutura mínima impõe uma revisão qualitativa das pessoas que permanecem na operação. Além disso, redefinir a estrutura organizacional e as melhores pessoas para suportar a empresa neste momento se torna vital para a recuperação.
Outra questão crucial durante o processo é que as dificuldades de caixa levam ao parcelamento dos débitos trabalhistas rescisórios, ainda que em prazos menores do que outros credores, o que impacta diretamente a vida dos funcionários demitidos e influencia suas finanças pessoais. Dentro de todo o processo, a empresa em dificuldade prejudica o clima organizacional e impacta na baixa autoestima individual e das equipes de trabalho.
Desta forma, quem liderar e comandar o processo de recuperação precisará ter a capacidade e as competências para unir e turbinar uma equipe fragilizada, desmotivada e desconfiada e, para isso, somente a presença de um "líder" novo, com senioridade, profissionalismo, isento e externo conseguiria fazer isso, pois é a falta de credibilidade do gestor atual que impacta nessa recuperação.
Nesse sentido, a gestão interina pode ser uma ótima solução, pois traz um profissional altamente qualificado com a missão clara de recuperar a empresa, e faz o processo por dois anos. O papel do interino é o cumprimento de uma missão, com objetivos e timing definidos. A estratégia dá origem ao plano tático, que precisará ser executado sob competente liderança, por pessoas qualificadas e motivadas, tudo sem nunca perder de vista o objetivo macro e a integração das ações. Depois de todo o processo, contrata-se um novo gestor para a empresa, que passa a ter uma nova vida.
Susana Falchi é vice-presidente da Orchestra Soluções Empresariais
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