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Porto Alegre, domingo, 21 de janeiro de 2018.

Jornal do Comércio

Empresas & Negócios

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Com a Palavra

Notícia da edição impressa de 22/01/2018. Alterada em 21/01 às 16h44min

Killing quer pintar o Brasil

EDU DEFFERRARI/DIVULGAÇÃO/JC
Paulo Egídio
Cinquenta e cinco anos depois que Celestino Killing fundou a primeira fábrica de tintas em Novo Hamburgo, na Região Metropolitana de Porto Alegre, a empresa dá um importante passo para se consolidar no mercado nacional. No começo deste mês, foi inaugurada uma nova unidade, em Curitiba, que será a primeira fábrica de tintas para o ramo imobiliário fora do Rio Grande do Sul.
Administrada há 15 anos por Milton Killing, filho do fundador, e com um faturamento de R$ 350 milhões por ano, a companhia cresceu 12% em 2017. Após se estabilizar como uma das maiores fabricantes de adesivos industriais na América Latina, a Killing chega à capital paranaense com o objetivo de fortalecer a marca no Sudeste e no Centro-Oeste do País.
Além de exaltar os bons resultados nos últimos anos, o líder da companhia diz que a intenção é manter a produção de tintas de alta qualidade, sem entrar em "guerra de preços" ou abandonar a filosofia inicial da empresa. "A qualidade não precisa necessariamente ser cara", ressalta Killing, apontando o marketing experimental e a qualificação da equipe como apostas para atrair o mercado consumidor.
Empresas & Negócios - Qual sua história com a Tintas Killing e como chegou ao cargo de principal executivo?
Milton Killing - Quando eu tinha oito anos, fui pedir dinheiro ao meu pai, e ele me disse que, para ganhar alguma coisa, precisava trabalhar. Claro que foi só naquele dia, mas ali vi como as coisas funcionavam. Comecei na empresa com 14 anos. Tenho curso de Eletrotécnica e me formei em Administração de Empresas na Unisinos, com pós-graduação em Marketing e MBA em Gestão Empresarial. Fui gestor de Marketing, passei pela vice-presidência e assumi a presidência, cargo no qual estou desde 2002.
Empresas & Negócios - Como a empresa enfrentou o período de crise que se abateu sobre o País nos últimos anos? Como foi o ano de 2017?
Killing - Ainda em 2015, fizemos um planejamento estratégico e ali avaliamos que iríamos entrar em uma crise. Não era possível o País suportar o desgaste com o populismo que estava ocorrendo. Mas conseguimos passar esses últimos três anos com resultado satisfatório. Em 2017, dobramos o nosso investimento e tivemos um crescimento de 12%, enquanto o mercado de tintas caiu em relação a 2016 e o de adesivos permaneceu estável. Esse crescimento se deve ao trabalho focado em custos baixos e o investimento em novos produtos, além do bom atendimento aos clientes.
Empresas & Negócios - A escolha por Curitiba para a instalação da nova unidade é uma tentativa de atingir o mercado da região Sudeste?
Killing - Sim. Estamos em um processo de ampliação de nossa capacidade produtiva e escolhemos Curitiba pelo fato de estar bem localizada logisticamente. É uma cidade próxima às grandes estradas do País, como a BR-116 e a BR-101, o que facilita tanto a busca de matérias-primas quanto o atendimento ao mercado. Hoje, a unidade de Novo Hamburgo supre muito bem a região Sul, e Curitiba vai fazer com que atendamos melhor o Norte do Paraná, o Centro-Oeste e o Sudeste.
Empresas & Negócios - A Killing costuma ser lembrada pelas tintas, mas atua também na área de adesivos industriais. Qual é a representatividade do setor para a empresa?
Killing - Hoje, 50% de nosso faturamento é na área de adesivos, principalmente para calçados. Neste mercado, estamos presentes em toda a América Latina. Além da matriz (em Novo Hamburgo), temos fábricas na Bahia, no México e em Buenos Aires, que produzem adesivos. A planta de Curitiba será a primeira a produzir tintas imobiliárias depois da sede.
Empresas & Negócios - Na área de tintas, o varejo tem sido disputado cada vez mais por grandes redes. Com isso, a pressão por preço fica maior?
Killing - No segmento de tintas, entre 80% e 85% da nossa produção vai para o varejo. Nós seguimos a mesma filosofia desde a fundação, que é trabalhar com produtos de alta qualidade e não entrar em guerra de preços. Acreditamos muito no marketing experimental, em que, depois de utilizar nossos produtos, nossos clientes observam o diferencial: produtos com maior rendimento e durabilidade. Nosso papel é mostrar para o mercado que a qualidade não precisa necessariamente ser cara e que vale a pena ter um sistema de precificação honesto em produtos de alta qualidade.
Empresas & Negócios - Há preocupação com a pesquisa e o desenvolvimento de produtos?
Killing - Cerca de 90% dos nossos investimentos estão focados em itens com menor impacto ambiental e que melhorem o processo produtivo dos clientes. Queremos ajudá-los a reduzir custos e melhorar a qualidade do seu trabalho. Temos um laboratório que é exemplo em termos de desenvolvimento de produtos sustentáveis. Claro que, por ser uma indústria que envolve química, dificilmente uma mercadoria será 100% ecologicamente correta, mas esse é o principal foco de nosso desenvolvimento.
Empresas & Negócios - Quantos funcionários integram o quadro da Killing?
Killing - Temos 380 colaboradores. Nesse ponto, é importante destacar que investimos muito no desenvolvimento de pessoas. Temos um turnover (rotatividade de funcionários) muito baixo, porque as pessoas gostam de trabalhar na Killing. Isso faz com que tenhamos uma equipe muito competente e possamos entregar ao mercado um trabalho bem feito.
Empresas & Negócios - Há uma perspectiva de recuperação econômica para 2018. Qual a expectativa para o ano que se inicia?
Killing - Estamos otimistas. O mercado está dando sinais de melhora. Acreditamos que o primeiro semestre será muito ingressante, de crescimento. O segundo é uma incógnita, pois vai depender das eleições presidenciais, de quem serão os candidatos e os resultados das pesquisas. O que vai mudar o Brasil são as eleições. Ou temos seriedade e elegemos pessoas competentes, ou vamos continuar nessa crise. Lamentavelmente, muitos colegas empresários estão se aproveitando disso sem se preocupar com o País.
Empresas & Negócios - Qual sua impressão sobre o empresário brasileiro?
Killing - Eu critico a maioria dos colegas empresários, que ficam reclamando em vez de fazer ajustes. Penso que nós temos que participar da política. Não partidariamente, dizendo em quem votar, mas em quem não votar. Defendo que as federações também têm que ser mais presentes e que façamos todos uma campanha pela ficha limpa.
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