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Porto Alegre, domingo, 07 de janeiro de 2018.

Jornal do Comércio

Empresas & Negócios

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Responsabilidade Social

Notícia da edição impressa de 08/01/2018. Alterada em 05/01 às 20h42min

Missões de solidariedade

Responsabilidade Social - Créd Missões Valentes de Davi divulgação jc

Responsabilidade Social - Créd Missões Valentes de Davi divulgação jc


/MISSÕES VALENTES DE DAVI/DIVULGAÇÃO/JC
Camila Silva
Uma vez ao dia - essa é quantidade de vezes que muitos moradores de rua se alimentam em Porto Alegre. A Pesquisa Perfil e o Mundo dos Adultos em Situação de Rua - realizada, em 2016, com mais de 2,1 mil pessoas, na capital gaúcha - apontou que 38% dos entrevistados só realizam uma refeição caso recebam doações de pessoas, instituições religiosas ou ONGs.
"É comida boa que distribuímos, feita com muito amor", afirma José Eduardo Flores, idealizador do projeto Missões Valentes de Davi. Mensalmente, Flores e sua equipe distribuem mais de 2 mil refeições para moradores de rua da Capital. Por três anos, o idealizador do projeto residiu em praças e parques, e vivenciou o quão sofrido é o dia a dia nas ruas. Há mais de dois anos, Flores abandonou as ruas, mas não as pessoas que permaneceram nelas.
Aos 16 anos, o idealizador do projeto teve seu primeiro contato com drogas ilícitas - maconha, cocaína e crack - e, em dois anos, o vício o levou às ruas. Enquanto morava nas ruas, o único dinheiro que arrecadava era resultado da venda de materiais recicláveis, como latinhas e papelão. "Enfrentei toda a humilhação que você pode imaginar, estava cansado daquela vida", relembra.
Por esse motivo, Flores aceitou a ajuda de um grupo ligado a uma Igreja Evangélica que realiza ações junto com os moradores de rua. Todos os sábados, o grupo distribuía refeições. Mais que um prato de comida, o ex-morador de rua aceitou o convite para realizar o processo de desintoxicação do uso de drogas.
Durante o processo de ressocialização, nasceu o projeto Missões Valentes de Davi. Ainda residindo na igreja, o ex-morador de rua preparava as refeições em um fogão recebido de doação e distribuía para os moradores em situação de rua. Hoje, as mais de 2 mil refeições são preparadas em uma cozinha industrial. 
O coordenador do projeto utiliza a distribuição de alimentos como instrumento para se aproximar dos moradores. O objetivo principal do projeto é auxiliar as pessoas em situação de rua a retornarem para suas vidas sociais. "Se oferecermos suporte, eles irão seguir nas ruas. Ao todo, já completamos mais de 150 ressocializações."
Flores compreendeu que, para impedir que o número de moradores de rua aumente, é necessário viabilizar oportunidades para crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social e econômica. "Muitas vezes, as pessoas vão parar nas ruas por falta de oportunidade, ou seja, é preciso mudar essa realidade", afirma. Prevenir e não remediar é o objetivo das ações do projeto realizadas em comunidades da Capital e em uma tribo indígena de Viamão. 
Se, hoje, as 70 crianças e adolescentes moradoras do Beco do Buda - localizado no bairro Belém Novo, em Porto Alegre - têm um campo de futebol para jogar é graças ao esforço de José Eduardo Flores. Listado pelo corpo de bombeiros de Porto Alegre como um dos locais de difícil acesso da cidade, a dificuldade de localização não impediu que Flores desenvolvesse ações sociais na região. 
No projeto, os participantes recebem reforço escolar, café da manhã e almoço. De acordo com Flores, a construção do campo de futebol resultou diretamente na vida escolar das crianças da comunidade. Anteriormente, a evasão escolar era rotina no Beco; hoje, mais de 90% dos frequentadores do projeto estão matriculados em escolas da região. Além do Beco do Buda, outras duas comunidades de Porto Alegre são beneficiadas com ações esporádicas do projeto e uma tribo indígena de Viamão.
Para manter a distribuição de refeições dos moradores de rua e o auxílio às crianças e aos adolescentes, o projeto utiliza, por mês, cerca de duas toneladas de alimentos. Já que, além de oferecer refeições diárias para as crianças do Beco do Buda, mensalmente, cada integrante do projeto recebe uma sexta básica.
Fora os alimentos, materiais esportivos, como bola de futebol, chuteiras e calções, também são bem-vindos para que a escolinha de futebol siga em pleno funcionamento. É possível ajudar o projeto entrando em contato com Flores pelo telefone (51) 99465-8713 ou por meio da página do projeto Missões Valentes de Davi no Facebook.
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