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Porto Alegre, segunda-feira, 08 de janeiro de 2018.

Jornal do Comércio

Empresas & Negócios

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consumo

Notícia da edição impressa de 08/01/2018. Alterada em 08/01 às 19h28min

Sazonalidade exige diversificação

Malharias da serra gaúcha, que têm o melhor momento de vendas no inverno, buscam formas de enfrentar a redução do turismo e das compras nos meses de janeiro e fevereiro

Malharias da serra gaúcha, que têm o melhor momento de vendas no inverno, buscam formas de enfrentar a redução do turismo e das compras nos meses de janeiro e fevereiro


/MAURO STOFFEL/ACINP/DIVULGAÇÃO/JC
Carolina Hickmann
Se, no setor de vestuário, o planejamento e o controle do volume de produção são fundamentais para o equilíbrio financeiro das confecções, para as malharias da serra gaúcha é ainda mais importante para a manutenção do fluxo de entregas e de confecção. Formado, majoritariamente, por pequenas e médias empresas, o segmento tem forte incidência do inverno em sua demanda, o que justifica um controle maior da produção. Durante os meses de janeiro e fevereiro, as principais cidades da Serra sofrem, além de tudo, queda da população flutuante pela diminuição do turismo, o que exige das malharias um poder rápido de adaptação.
A diretora do departamento de malhas da Associação Comercial e Industrial de Nova Petrópolis (Acinp), Michele Arend, relata que uma das estratégias utilizadas pelo setor são as promoções, que acontecem anualmente e tem início nos primeiros meses de calor. Tradicionalmente, relata, algumas clientes acabam aproveitando os preços melhores para visitar a cidade e preparar o guarda-roupa para a próxima estação, além de fazer turismo pela Serra. Mesmo assim, a equação da produção das malharias da cidade é de 70% no inverno contra apenas 30% para o verão, segundo a diretora.
Do total produzido por ano pelas indústrias de Nova Petrópolis, 45% é destinado apenas para o Festimalha - festival organizado pela Acinp no mês de maio, com o início do pico de demanda para o setor. Na edição do ano passado, em 25 dias, a feira ultrapassou 100 mil visitantes e registrou a comercialização de 380 mil peças de 47 malharias expositoras. Segundo Michele, a mostra é fundamental para as pequenas malharias da cidade, que trabalham com modelos de inverno o ano inteiro e têm seu faturamento concentrado neste evento e em outros. "Majoritariamente elas trabalham com feiras", relata.
Outra parte das indústrias possui lojas próprias ou comercializações em multimarcas, o que abre um leque maior de possibilidades. Além das promoções nos meses mais quentes e da participação de feiras, Michele comenta que a inclusão de peças de tecidos mais leves garante o pagamento de aluguel e a manutenção dos funcionários de algumas lojas que trabalham com as malharias. "Manter o corpo de trabalho e o ponto justifica a viagem para São Paulo para compra de roupas de verão que serão vendidas junto às malhas", ressalta.
A diretora comenta que demissões são sempre a última opção para regular o fluxo de caixa, uma vez que a maior parte das empresas são de pequeno porte e, muitas delas, familiares. "Para não demitir, contrata-se temporários e, depois, acaba incorporando ao quadro ou desligando", comenta, ao lembrar que o segmento é responsável por 2,5 mil empregos diretos e indiretos somente em Nova Petrópolis, cidade com cerca de 20 mil habitantes.
A presidente do Sindicato das Industrias de Fiação Tecelagem e das Malharias da Região Nordeste do Estado (Fitemasul), Paola Regionatto, relata que, no inverno, entram reforços no corpo de trabalho. "O tamanho de estrutura de costura, por exemplo, é variável, enquanto tecelões e a parte de operação da malharia é bastante fixa", relata. Como cada empresa é detentora de características únicas no que diz respeito ao produto, os responsáveis pela lida com os fios não se alteram por "serem profissionais com habilidades muito desenvolvidas", argumenta.
Das 170 malharias representadas pela instituição, Paola projeta que aquelas que trabalham com malhas de verão e inverno têm queda menos considerável na demanda, com pouco mais de 60% da produção e o restante no inverno. "Tradicionalmente, como as coleções de verão são menores e com menos volume de negócios, aproveitamos para antecipar a produção de inverno no período", explica.
Por outro lado, mesmo aquelas malharias que trabalham com fios mais leves, utilizados no verão, não julgam que este seja o melhor investimento. "A variedade de fios não é tanta; no inverno encontramos brilhos e enfeites como possibilidade", lamenta Michele, que é proprietária da Michele Malhas, com loja no Centro de Nova Petrópolis. "Além disso, o preço dos fios para as duas temporadas é bastante semelhante, enquanto as peças de inverno têm um maior valor agregado", aponta, ao evidenciar a importância das promoções para o segmento.

Restaurantes refazem cardápios para dias de altas temperaturas

Juliana, do Love Pasta, conseguiu aumentar em 20% o volume de pedidos

Juliana, do Love Pasta, conseguiu aumentar em 20% o volume de pedidos


/MARCELO G. RIBEIRO/JC
Com a chegada do verão, os cuidados com a saúde e o bem-estar se intensificam, o que faz com que estabelecimentos que servem comidas típicas de inverno enfrentem queda na procura por seus pratos. Enquanto alguns restaurantes optam por fechar durante o seu tempo de baixa demanda, outros reestruturam cardápios e optam por comidas mais leves para encarar a estação. Em Porto Alegre, o Rei do Mocotó reinaugura, anualmente, em março, com a chegada das temperaturas mais baixas. Quando novembro chega, o local, que serve exclusivamente mocotó desde 1996, fecha as portas.
Caso o Rei do Mocotó subitamente optasse por vender saladas durante o verão, os clientes estranhariam, e a identidade do negócio se perderia. Por isso, fecham. Da mesma maneira pensou a proprietária do restaurante Love Pasta, Juliana Natorf, que vende unicamente massas e acompanhamentos, para criar um sistema único de entregas de comidas saudáveis sem perder a personalidade do seu negócio principal. "Criamos um grupo seleto de WhatsApp que diariamente, pela manhã, recebe o menu que será enviado via motoboy ao meio-dia", comenta.
O prato, que é produzido sem sal e sem gordura, custa entre R$ 13,00 e R$ 15,00, a depender do acompanhamento solicitado. Além disso, por entender que a demanda de verão cai naturalmente para todos os restaurantes em função do período de férias escolares, Juliana optou por ofertar entrega grátis no raio de um quilômetro do seu restaurante, localizado no Centro Histórico da Capital. Ultrapassando este raio, a taxa do motoboy gira entre R$ 3,00 e
R$ 10,00. "Prefiro subsidiar a taxa de entrega e não perder o cliente", relata.
O sucesso da medida foi tamanho que, hoje, Juliana conta com 50 clientes no grupo de WhatsApp. "Tivemos um plus de 20% em nossos pedidos. A maioria é por indicação, mas, quem estiver interessado, pode entrar em contato direto com a loja", explica. Engana-se, porém, quem acredita que esta foi a única incursão da empresária pelos pratos saudáveis. Com dois anos de funcionamento, o restaurante, em seu primeiro verão, optou por servir saladas como acompanhamentos das massas - o que foi mantido durante o inverno deste ano pela falta de frio expressivo.
Outros empresários optam por apenas readequar menus. No café Agridoce, na Cidade Baixa, o nitro coffee é o resultado que deu certo desta adaptação. Extraído da torneira de chope extremamente gelado, a bebida é sucesso de procura e vende cerca de 20 unidades ao dia. "Perde para o café expresso, que, inverno ou verão, é o mais demandado", relata a sócia-proprietária Raquel Sonemann.
Além do nitro, o estabelecimento investe em seus sorvetes artesanais com a chegada das temperaturas mais quentes. Durante o inverno, apenas uma opção, geralmente baunilha, está disponível. No verão, é tempo da cozinha ousar, e são ofertadas até quatro opções de sabores por dia.
Raquel relata que, desde a abertura do estabelecimento, há três anos, houve mudanças significativas no cardápio com as mudanças de estação. "Nos demos conta que tirar alguns itens temporariamente de oferta fazia sentido. As pessoas relacionam o local com seus produtos, e, alterando o cardápio e divulgando a mudança nas redes sociais, não ficamos ligados àquela estação", argumenta a empresária. Outro investimento da empresária foi o ambiente "superclimatizado", que, segundo ela, também influencia no consumo dos dias mais quentes.

Convenção coletiva impede demissões nas lavanderias

O mês de fevereiro é o grande vilão das lavanderias

O mês de fevereiro é o grande vilão das lavanderias


5ASEC/DIVULGAÇÃO/JC
O mês de fevereiro é o grande vilão das lavanderias. Durante o período, lojas de Porto Alegre relatam queda de até 30% de faturamento em relação ao mês de maior demanda. Para proteger seus negócios, lojistas se valem da possibilidade da compensação do banco de horas de seus funcionários no prazo de seis meses para adequarem-se a maior demanda durante o inverno e manterem o mesmo número de pessoal durante o verão.
O assessor jurídico do Sindicato das Lavanderias do Estado (SindLav), Carlos Santana, explica que a possibilidade existe anteriormente a reforma trabalhista, que deu força de lei à medida adotada anteriormente pelo segmento. “Geralmente se aumenta a carga horária trabalhada em duas horas durante o inverno, máximo das horas-extras, para conceder folga nos meses mais críticos – como janeiro e fevereiro”, relata. Santana ainda explica que o mecanismo impede que hajam demissões em massa devido a entrada deficitária de recursos durante o verão.
Durante o período mais quente, a facilidade de secar roupas em casa e a utilização de roupas mais leves influenciam tanto na demanda dos serviços das lavanderias, quanto nas possibilidades de lucro das empresas, uma vez que a estação faz até mesmo com que o ticket médio das peças seja menor. “Enquanto no inverno lavamos casacos e blusões de lã, no verão chegam para nós camisetas e bermudas”, comenta o proprietário de quatro franquias 5àSec na Capital, Gabriel Fiori.
O negócio de Fiori faz parte daqueles que tem queda de até 30% durante fevereiro. A dificuldade no mês é ainda mais expressiva, diz, pela debandada de porto-alegrenses ao litoral devido ao calor atrelado as festividades de carnaval. Mesmo em janeiro, o empresário relata que a diminuição da demanda em relação ao inverno atinge 20%. “Nestes meses apenas pagamos as contas”, comenta, assegurando que o negócio torna-se realmente lucrativo com a chegada do inverno. “Em junho e julho sempre conseguimos um resultado bastante interessante que equilibra o ano”, afirma.
Para empatar o fluxo de caixa durante os meses de maior calor, no entanto, algumas estratégias são necessárias. “A partir de dezembro, quando temos um decréscimo significativo na demanda, iniciamos nossas promoções”, afirma, mesmo lembrando que no último mês do ano a queda não é tão significativa graças a lavagem de roupas de festa que tem um valor agregado maior. Assim, as promoções geralmente estão ligadas à volume. “Quanto mais peças se lava, mais barato fica”, explica o proprietário, que ressalta que muitos clientes aproveitam o desconto pelo custo-benefício.

Fotodepilação dá lugar a outros tipos de serviços

Mesmo que na estação mais quente do ano a preocupação com o corpo tenda a aumentar, algumas clínicas estéticas estão mais suscetíveis ao decréscimo de demanda a depender de seu leque de produtos. Aquelas que têm como carro-chefe a luz pulsada, também conhecida como fotodepilação, enfrentam problemas, uma vez que o tratamento é desaconselhado no verão pela maior incidência de raios ultravioletas, que podem influir no resultado das sessões.
Com mais de 300 unidades franqueadas no País, a D'pil iniciou no segmento oferecendo apenas este tipo de serviço. Desta maneira, os lojistas tinham diminuição média de 30% em seu faturamento nos meses mais quentes. Atentos à saúde financeira da empresa e de seus franqueados, uma medida foi tomada pela direção do grupo. "A curva de queda foi amenizada por uma readequação em nosso mix de serviços", comemora o diretor-geral da empresa, Marlon Sampaio, ao citar a oferta atual de massagens, design de sobrancelhas e outras dermoterapias.
Na loja da franqueada Letíscia Zeilmann, proprietária da D'pil Higienópolis na Capital, a fotodepilação continua a responder por 85% do faturamento. Letíscia trabalha há 10 meses com a franquia, mas tem experiência de três anos no mercado de fotodepilação. Ciente da queda natural de demanda nos meses mais quentes, incorporou outros serviços ao se vincular à bandeira. "O movimento fica mais fraco, mas tentamos substituir por massagens modeladoras", comenta. Ainda assim, são necessários combos promocionais, atrelando dois ou mais produtos, para transpor a estação com saúde financeira.

Como tirar o melhor proveito de cada período

Entenda o que é sazonalidade
É a qualidade de tudo aquilo que é sazonal. No caso específico do mercado, diz respeito a qualquer produto ou serviço sujeito às flutuações de demanda do consumidor, geralmente ao longo de um ano. Essas flutuações podem ter origem climática, ligadas às estações do ano; de datas comemorativas, como Natal, Páscoa e Carnaval; eventos periódicos, como a Copa do Mundo e as Olimpíadas. Estes fatores podem determinar o sucesso de uma empresa ou seu fracasso, por isso a necessidade de uma boa análise sobre qual o potencial de interferência da sazonalidade na demanda de cada item do mix ofertado.
De olho nas características do período
A sazonalidade de um produto ou serviço pode fazer toda a diferença no seu faturamento - para o bem ou para o mal. O primeiro passo para não ter surpresas negativas com um produto sazonal é a elaboração de um bom planejamento. O ideal é que isso aconteça no início do ano, para que você consiga prever as oscilações que o consumo poderá sofrer. Assim, você consegue definir algumas estratégias para enfrentar os momentos em que há queda no consumo: seja praticando um preço promocional, seja lançando outra versão, mais adequada ao momento. É preciso, de fato, quebrar a cabeça para resolver a situação da maneira mais adequada.
Dicas práticas
A mais importante é o planejamento. É preciso ser o mais abrangente possível no planejamento. Descubra exatamente quando ocorrerá a sazonalidade do seu produto, tenha datas bem definidas em mente. A segunda é elencar produtos ou serviços ideais para a sazonalidade. Faça uma lista dos principais detalhes e características do bem, incluindo a possível margem e as despesas. Outra dica importante é estar sempre preparado para alterações súbitas. O fator imprevisibilidade do nosso clima, por exemplo, pode reverter cenários e diminuir a queda de venda de sorvetes, caso um inverno seja quente.
 
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