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Porto Alegre, domingo, 03 de dezembro de 2017.

Jornal do Comércio

Opinião

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Notícia da edição impressa de 04/12/2017. Alterada em 03/12 às 19h03min

Iminente explosão

Adelino Soares
A recente MP nº 805, que aumentou em 3% a contribuição previdenciária dos servidores públicos sobre o que exceder a R$ 5 mil em sua remuneração e postergou os reajustes anuais desta, soma-se à decisão de retirar R$ 4,00 do valor novo salário-mínimo programado para 2018. Assim, vê-se que nossos governantes e políticos não se preocupam com esse já exíguo e "escravagista" valor, inferior a US$ 300,00, desatendendo à Constituição, que salienta a "valorização do trabalho humano", com o fim de "assegurar a todos existência digna" (art. 170) e "o primado do trabalho", objetivando "o bem-estar e a justiça sociais" (art. 193).
Além de desprezarem que isso agravará a enorme disparidade já existente na distribuição da renda, agora insistem na reforma previdenciária, mas sem atingir as classes mais aquinhoadas, gerando justa rejeição enquanto aquela não iniciar por lá.
Assim como a Fernando Henrique Cardoso (PSDB) é atribuída a eleição de Lula (PT), por falta de coragem para reduzir essas desigualdades, a Temer e seus "conselheiros" será debitada a forte ascensão da esquerda radical nas próximas eleições. Apesar da perspectiva de um embate entre esta e a ala "conservadora", que poderá redundar numa guerra civil e no banho de sangue da Revolução Francesa, ou de um "acordão" entre ambas para se protegerem e continuarem com a atual "ditadura" que despreza o sofrimento do povo e ainda lhe aperta o garrote, suas lideranças ignoram essas históricas, inevitáveis e previsíveis consequências, manobrando apenas para manterem-se no poder, enquanto a sociedade civil permanece omissa.
Advogado
 
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