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Porto Alegre, quarta-feira, 06 de dezembro de 2017.

Jornal do Comércio

Internacional

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estados unidos

Alterada em 06/12 às 20h26min

Trump reconhece Jerusalém como capital de Israel

Estados Unidos reverteram hoje quase sete décadas de política externa americana

Estados Unidos reverteram hoje quase sete décadas de política externa americana


SAUL LOEB/AFP/JC
Folhapress
O presidente Donald Trump anunciou nesta quarta-feira (6) que os EUA passam a reconhecer Jerusalém como a capital de Israel, revertendo quase sete décadas de política externa americana, e determinou o início dos preparativos para a transferência da embaixada americana de Tel Aviv para a disputada cidade.
"Determinei que este é o momento de reconhecer oficialmente Jerusalém como a capital de Israel", disse Trump em pronunciamento na Casa Branca. "Isso não é nada mais nada menos do que o reconhecimento da realidade."
Trump descreveu a ação como um "passo há muito devido" para avançar um processo de paz no Oriente Médio que seja duradouro. As negociações entre israelenses e palestinos estão atualmente congeladas.
Nesse sentido, Trump falou que a decisão não equivale a uma tomada de decisão sobre a fronteiras contestadas entre palestinos e israelenses e que isso passa pelas negociações em torno da solução de dois Estados -pela primeira vez endossada pessoalmente pelo presidente americano.
"Não estamos demarcando as futuras fronteiras de uma Jerusalém de soberania israelense ou a resolução de fronteiras contestadas", afirmou. "Essas questões cabem às partes envolvidas."
"Os EUA permanecem comprometidos em ajudar a facilitar um acordo de paz que seja aceitável para ambos os lados. Sem dúvida, Jerusalém é um dos temas mais delicados nessas conversas. Os EUA apoiariam uma solução de dois Estados caso isso seja acordado por ambas os lados", disse Trump.
"Jerusalém não é só o coração de três grandes religiões, mas o coração de uma das democracias mais bem sucedidas do mundo", afirmou. "Jerusalém é e deve continuar aberta à fé de três religiões, onde os judeus rezam no Muro das Lamentações, cristãos caminham pela Via Crucis e muçulmanos rezam na mesquita de Al Aqsa."
A ação isola os EUA em um dos assuntos mais polêmicos da diplomacia.
Líderes mundiais de diversos países -aliados e rivais dos EUA- criticaram a decisão nesta quarta (6). Muitos temem que ela leve a um aumento da violência no Oriente Médio.
Israel conquistou a porção Oriental de Jerusalém em 1967, anexando-a em seguida e declarando toda a cidade como sua capital. A medida não foi reconhecida nem pelos EUA nem pela comunidade internacional, e maior parte dos países mantém suas embaixadas em Tel Aviv.
Os palestinos, por sua vez, reivindicam que Jerusalém Oriental seja a capital de seu futuro Estado.
A mudança da embaixada para Jerusalém foi uma promessa de Trump na campanha presidencial de 2016, para atender não apenas o lobby judaico mas também o evangélico.
Os preparativos para a transferência terão início daqui a seis meses, e estima-se que o processo leve anos para ser concluído. "A nova embaixada, quando concluída, será um magnífico tributo à paz", afirmou Trump.
Em 1995, uma lei aprovada sob o governo do democrata Bill Clinton estabelecia que a Embaixada dos EUA em Israel deveria ser transferida de Tel Aviv para Jerusalém.
Mas a mesma lei, para evitar mergulhar a região novamente em instabilidade, permita ao presidente, a cada seis meses, adiar a mudança por mais um semestre alegando questões de segurança.
Desde Clinton, todos os presidentes dos EUA sempre emitiram a ordem impedindo a mudança, incluindo Trump em junho. O prazo para ele dar a ordem adiando a transferência por mais seis meses havia vencido no último dia 4.
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