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Porto Alegre, quinta-feira, 07 de dezembro de 2017.

Jornal do Comércio

Economia

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Varejo

Notícia da edição impressa de 08/12/2017. Alterada em 07/12 às 22h21min

Ano foi melhor do que o esperado para o varejo, diz FCDL

Expansão de vendas foi acelerada, mas não reverteu perdas, disse Koch

Expansão de vendas foi acelerada, mas não reverteu perdas, disse Koch


/MARCELO G. RIBEIRO/JC
Guilherme Daroit
Projetando fechar 2017 com um aumento de 13,41% nas vendas do varejo gaúcho, a Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Estado (FCDL) comemora um ano melhor do que o esperado. Segundo a entidade, fatores como a queda acentuada dos juros e a liberação de recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) ajudaram a retomar o crescimento após dois anos de queda nas vendas. Mesmo assim, a satisfação é limitada, pois a expansão ainda não reverte as perdas do setor durante a recessão.
"O aumento nas vendas é elevado, mas ainda longe do que precisaríamos para reverter as perdas desde 2013", analisa o presidente da entidade, Vitor Augusto Koch. O dirigente cita a liberação das contas inativas do FGTS como fundamental para a expansão, mesmo que boa parte dos recursos tenha sido destinada ao pagamento de dívidas. "Esse dinheiro acabou indo para o comércio. Mesmo quem quitou dívidas, limpou o nome e pode voltar ao consumo", argumenta Koch.
O dirigente saudou ainda a queda na taxa Selic, que começou 2017 em 13,75% a.a. e encerra o ano em 7% a.a., após o último corte, na quarta-feira passada. Primeiro, porque torna mais barato o crédito aos lojistas; e, segundo, porque ativa o consumo das famílias, na sua visão, por tornar a poupança menos atrativa.
O consultor de economia da FCDL, Eduardo Starosta, usa exatamente este movimento para explicar uma projeção maior de crescimento do comércio no PIB gaúcho do que no PIB nacional - enquanto no Rio Grande do Sul a entidade projeta fechar 2017 com aumento de 8,31%, no País a previsão é de apenas 1,67%. "Vimos, a partir do segundo semestre, que os gaúchos já começaram a sair dos títulos públicos, nos quais aplicaram muito durante a crise, e estão usando parte desses recursos no comércio", conta Starosta, que justifica o descompasso pelo fato de haver uma cultura poupadora maior no Rio Grande do Sul do que no resto do Brasil - o que teria prejudicado mais o varejo gaúcho durante a fase em que a poupança estava atrativa, mas agora o ajuda.
A retomada no segmento também foi sentida nos indicadores de emprego. Segundo os cálculos da FCDL, o varejo gaúcho emprega, atualmente, 522,5 mil pessoas, alta de 1,05% em relação a 2016. Na prática, isso significa 5,4 mil novos postos de trabalho. Além disso, a massa salarial mensal também registrou expansão, de R$ 866,8 milhões, em 2016, para R$ 918,8 milhões neste ano, crescimento de 6%. "É outra grande notícia, porque, com as pessoas ganhando mais, todo o ciclo produtivo é acionado, estimulando a indústria e o próprio varejo", continua Koch.
O que ainda não sentiu recuperação foi o número de lojas. Os estabelecimentos comerciais, que chegaram ao ápice de 104 mil pontos em 2013 e 2014, são agora 99.307 no Estado. O número é quase igual ao do fim de 2016, quando eram 99.328. O presidente da entidade imagina que a abertura de novos pontos nos próximos dias faça com que o total encerre 2017 acima do visto no ano passado. "A expectativa também é de crescimento mais acelerado para 2018, com vários projetos conhecidos de expansão de redes", justifica Koch. O dirigente conta, por exemplo, com a entrada da rede catarinense Havan no Estado.

Lojistas do Rio Grande do Sul projetam 2018 com crescimento que pode chegar a 5%

Projetando a continuidade na queda dos juros - a estimativa da entidade é que a taxa Selic feche 2018 em 6% -, a Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Estado (FCDL-RS) conta com um novo crescimento no setor para o ano que vem. Em todo o País, a entidade espera que as vendas no varejo cresçam de 3,5% a 5%. "Temos de positivo a inflação sob controle, os juros baixos e o fato de que, em ano eleitoral, historicamente, não há aumento de impostos", comenta o presidente da entidade, Vitor Koch. A perspectiva de melhoria nas exportações do agronegócio também auxilia no otimismo do setor.
O dirigente critica, entretanto, a morosidade do sistema bancário em transferir a queda nos juros básicos para os seus produtos. "Não adianta só baixar a Selic com um sistema com cinco bancos que formam um oligopólio e não diminuem os juros", reclamou, embora admitindo que, mesmo em queda, a inadimplência continua alta, fator que, além de preocupar o próprio varejo, embasaria a decisão dos bancos.
Outro fator que preocupa os lojistas segue sendo o imposto de fronteira, especialmente em relação às pequenas e médias empresas. "Essas lojas precisam buscar os produtos fora do Estado para poder competir em preço com as grandes redes, e aí são tarifados já na entrada", afirma Koch.
Para minimizar esses problemas, a entidade toca, junto a outras instituições, um projeto de câmaras setoriais de negociação entre lojistas e indústrias do Rio Grande do Sul. A intenção é juntar os varejistas para que consigam comprar em grande escala dentro do Estado, reduzindo o preço dos produtos. A primeira câmara será instalada no segmento do vestuário, tradicionalmente um dos que mais sofre com a fuga de capital gaúcho para indústrias de Santa Catarina e São Paulo. "É uma grande oportunidade de incentivar a indústria local, gerando emprego e renda", comenta.
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