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Porto Alegre, quinta-feira, 07 de dezembro de 2017.

Jornal do Comércio

Economia

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Política Monetária

Notícia da edição impressa de 07/12/2017. Alterada em 07/12 às 16h28min

Selic cai para 7%, menor patamar histórico

Arte/JC
Na última reunião do ano, o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) decidiu, ontem, cortar a taxa básica Selic em 0,5 ponto percentual, para 7% ao ano, levando o juro ao seu menor patamar desde o início da série histórica em 1986. Foi a décima redução seguida do juro básico. A decisão, unânime, veio em linha com a expectativa dos 49 economistas ouvidos pela agência Bloomberg, que esperavam corte de 0,5 ponto percentual. Também ficou de acordo com os 7% estimados pelo Boletim Focus, do Banco Central (BC).
A queda de 0,5 ponto percentual representou nova redução do ritmo de corte do BC - no encontro de outubro, a Selic tinha caído 0,75 ponto percentual. Desde abril, quando o juro caiu de 12,25% para 11,25% ao ano, o Copom vinha promovendo cortes de um ponto percentual.
O BC manteve a porta aberta para novo corte do juro no início de 2018, porém mais moderada. A indicação veio no comunicado distribuído logo após a redução da taxa. O mercado também espera nova redução em fevereiro, na primeira reunião de 2018.
A queda desta quarta-feira ocorreu em um cenário de inflação sob controle, mas diante de uma economia que ainda não demonstra sinais firmes de recuperação. O IPCA (índice oficial) de outubro mostrou avanço de 0,42%, o maior índice desde agosto do ano passado. Ainda assim, a inflação em 12 meses acumula alta de 2,7%. Novos reajustes de tarifas de energia e combustíveis e o fim da safra de alimentos devem manter, em novembro, a pressão sobre os preços.
A queda dos juros também deve ajudar a impulsionar a economia, após um terceiro trimestre de quase estabilidade. O PIB (Produto Interno Bruto) cresceu 0,1% no terceiro trimestre e ficou praticamente estável em relação aos três meses imediatamente anteriores. Ainda assim, é o terceiro trimestre seguido de resultado positivo.
Em relação ao terceiro trimestre do ano passado, o PIB cresceu 1,4% entre julho e setembro deste ano. Neste ano, até setembro, a expansão é de 0,6%.

Frustração de expectativas sobre reformas pode elevar IPCA, avalia o BC

A frustração no avanço esperado da agenda de reformas econômicas pode pressionar a inflação e, assim, reforçar um fator de risco para a política monetária no Brasil. A avaliação consta do comunicado divulgado pelo Copom após o corte da Selic para 7% ao ano.
No documento, os diretores do BC citam que eventual revés na continuidade das reformas e ajustes na economia "pode afetar prêmios de risco e elevar a trajetória da inflação no horizonte relevante para a política monetária". Ou seja, uma derrota do governo no Congresso pode ter como consequência o aumento de preços, o que reduziria o espaço para uma política monetária expansionista.
O risco gerado por eventual revés na agenda de reforma seria intensificado de "reversão do corrente cenário externo favorável para economias emergentes".
O comunicado também menciona dois riscos benignos para a inflação. De positivo, o texto cita "possíveis efeitos secundários do choque favorável nos preços de alimentos e da inflação de bens industriais" que atualmente segue em patamares considerados baixos. Além disso, o possível risco de propagação inercial da baixa inflação recente "pode produzir trajetória prospectiva abaixo do esperado", cita o documento.

Poupança bate ganhos da maioria dos fundos

Rendimento mensal da aplicação deve ficar em 0,40% com nova Selic

Rendimento mensal da aplicação deve ficar em 0,40% com nova Selic


/JOÃO MATTOS/arquivo/JC
A queda da taxa básica de juros para 7% ao ano deixou a poupança mais atrativa que a maioria dos fundos de investimento de renda fixa, em especial aqueles com taxa de administração salgadas, de acordo com simulações feitas pela Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade).
A Anefac estima o rendimento mensal da poupança em 0,40% com a Selic a 7% ao ano. Pelas contas da associação, fundos com taxa de até 0,5% ao ano batem a rentabilidade da poupança, independentemente do prazo de resgate considerado. A caderneta ganha de fundos com taxa de 1% ao ano em caso de resgate em até seis meses, mas perde se o dinheiro ficar acima desse período aplicado nesses produtos.
A poupança perde também para fundos com taxa de administração de 1,5% se o resgate for feito em mais de dois anos e empata se o dinheiro for sacado entre um e dois anos. Em prazos menores, a caderneta ganha.
Já fundos com taxas acima de 2% ao ano perdem para a caderneta independentemente do prazo considerado.

Entidades cobram reformas e ajuste fiscal

Para a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o corte da taxa Selic para 7% ao ano já era esperado, uma vez que a inflação está sob controle. O presidente da CNI, Robson Andrade, avaliou que a aprovação de reformas estruturais, como a da Previdência, e o rigor no controle de gastos públicos são fundamentais para a manutenção da taxa de juros em patamares reduzidos. "A reforma da Previdência é um dos principais pilares do equilíbrio permanente das contas públicas", destacou.
A Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), considerou a redução da Selic positiva. "Após um longo período de luta contra a inflação, atingimos a menor Selic da nossa história. Contudo, para que continuemos caminhando rumo a taxas de juros mais próximas de outros países semelhantes ao Brasil, é fundamental que se equilibre a situação fiscal", disse o presidente da Fiergs, Gilberto Petry.
Na análise do presidente da Fecomércio-RS, Luiz Carlos Bohn, o corte foi prudente. "Apesar da inflação ameaçar a encerrar o ano abaixo do limite inferior da meta inflacionária e as expectativas estarem ancoradas para o ano que vem, o BC optou pela prudência. Os juros internacionais deverão voltar a subir e as incertezas eleitorais podem pressionar o câmbio, com consequências sobre a dinâmica da inflação. A falta de definição por parte da classe política em relação à aprovação da Reforma Previdenciária adia a perspectiva do ajuste fiscal," destacou.
A Força Sindical considerou extremamente tímida a queda de apenas 0,5 ponto percentual na Selic. "Entendemos que, com esta queda 'conta-gotas', o BC perdeu uma ótima oportunidade para promover uma drástica redução na taxa básica de juros, que poderia funcionar como um estímulo para a criação de novos empregos e para o aumento da produção no País. Geração de empregos com mais renda, transporte de qualidade e moradias dignas só serão possíveis com juros em patamares baixos", criticou o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Silva.
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