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Porto Alegre, quinta-feira, 28 de dezembro de 2017.

Jornal do Comércio

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Jaime Cimenti

Livros

Notícia da edição impressa de 29/12/2017. Alterada em 28/12 às 19h45min

Um homem do Pampa

Detalhe da capa do livro

Detalhe da capa do livro


REPRODUÇÃO/JC
Carlos Nejar - Um homem do Pampa - Dicionário (Mecenas, 312 páginas), é o 13º volume da conhecida e consagrada Coleção Dicionários patrocinada pelo Grupo Zaffari. Com planejamento cultural da Opus, realização de Mecenas Editora, TAB Marketing Editorial e Agência Matriz, a obra foi projetada, concebida e editada pelo publicitário, compositor, poeta, escritor e cronista Luiz Coronel. O projeto gráfico e a direção de arte são de Simone M. Pontes, enquanto a tradução espanhol/português é de Janaína de Azevedo Baladão, também responsável pela pesquisa e organização. Um CD acompanha o livro.
Nascido em Porto Alegre em 1939, procurador de Justiça aposentado, Carlos Nejar, que pertence à Academia Brasileira de Letras, é um dos maiores poetas brasileiros em atividade. Também romancista, dramaturgo, contista e autor de obras infantojuvenis, Nejar publicou, em 2014, um grande volume, atualizado, intitulado História da Literatura Brasileira. Muitas vezes premiado, suas dezenas de livros já foram objeto de estudos em universidades brasileiras e estrangeiras.
O dicionário reúne centenas de verbetes com base nos poemas de Nejar. Algumas pérolas: "Horizonte - Pampa é onde o horizonte/ Dentro de fora: nas barrancas / de um silêncio exercitado."; "Nuvem - Como o boi conhece o dono/ e o dono conhece o boi, a / nuvem conhece o vento."; "Abelhas - Pode amor ser pensamento/que sai de si com as abelhas/ e volta de favos cheio?".
O dicionário tem apresentação de Luiz Coronel e textos de Fabrício Carpinejar, Marco Lucchesi, Tristão de Athayde, Ivan Junqueira, Nelly Novaes Coelho, Oscar Gama Filho, Giovanni Pontiero, Eduardo Portella, Cícero Sandroni, Janaína de Azevedo Baladão e outros sobre a obra nejariana.
Na apresentação, Coronel diz: "Quem por ventura adentrar a poesia de Carlos Nejar tire o chapéu, atenha-se numa atitude de solene devoção, cônscio de que neste palácio não há cômodos para a banalidade, que neste templo inexiste nicho para o trivial".
No verbete Livro está escrito: "o livro é a vingança contra o esquecimento. E digeri-los é se alimentar de memória". Com mais esta importante contribuição, o Grupo Zaffari segue apresentando monumentos da literatura brasileira e mundial.

lançamentos

  • Empreendedorismo feminino - Protagonistas de nossas vidas (Edipucrs, 180 páginas), organizado por Letícia Hoppe e Ionara Rech, apresenta uma coletânea de histórias de empreendedoras de várias áreas, que contam como foi e como está sendo sua trajetória profissional. As empreendedoras Maiara Monteiro da Silva, Karla Aprato, Tatiane Ferreira da Silva e Giovana Strano colaboraram. Faz parte do projeto Empreendedorismo Feminino - Desafios e Conexões de um novo tempo, criado na Pucrs.
  • Arsène Lupin contra Herlock Sholmes (Jorge Zahar Editor, 312 páginas), de Maurice Leblanc, tradução de Rodrigo Lacerda e André Telles e apresentação de Rodrigo Lacerda, faz parte da Coleção Clássicos Zahar e apresenta o mais famoso e admirado ladrão de casaca, Lupin, travando um duelo com o arquirrival, o detetive inglês Herlock Sholmes, em duas histórias mirabolantes: A mulher loura e A lâmpada judaica. Quem for mais rápido com o raciocínio ou com os punhos, vencerá.
  • Música, filosofia e formação cultural (Educs, 196 páginas), organizado pelos professores universitários Raimundo Rajobac e Luiz Carlos Bombassaro, apresenta ensaios de renomados especialistas sobre o estudo do significado e da aplicação da música nos processos formativos, numa perspectiva que ressalta o ouvir, discute as bases éticas da educação, destaca a formação cultural e analisa os múltiplos modos de compreender a experiência formativa da música.
     

Retrospectiva 2017

Fazer retrospectivas, hoje, onde o presente é tudo, é meio retrô. Retrospectivas são mais velhas que andar a pé, a Sé de Braga e o big bang - se é que ele existiu. Mas é fim de ano, e mesmo com essas toneladas de fotos, frases, palavras, acontecimentos, aborrecimentos, alegrias, nascimentos, mortes, escândalos, delações, debates, controvérsias e bombas norte-coreanas, o cronista cumpre sua tarefa de biografar o cotidiano, ou, no caso, o ano. Biografia desautorizada.
Uns chamam 2017 de ano de "extremos". Ano "intensíssimo" é mais adequado. O que dizer do ano que começou com Trump e seu discurso "imprevisível", com Hollywood errando o anúncio do melhor filme e encerrando o secular "teste do sofá", pelos caras que tinham a árdua tarefa de "entrevistar" candidatas a estrelas. Meryl Streep atacou Trump e ele contra-atacou. A Time indicou como personalidade do ano as mulheres que denunciaram casos de assédio sexual. Uma corajosa denunciava e as outras iam atrás dizendo "me too". Num ano considerado meio fraco, A Bela e a Fera e Mulher Maravilha, com protagonistas femininas, foram os filmes mais rentáveis e Star Wars - Os últimos Jedi faturou US$ 450 milhões no fim de semana da estreia. O show continua.
Em janeiro, em um acidente aéreo, faleceu Teori Zavaski e algumas teorias a respeito até agora não estão comprovadas. Dizem que 2017 empoderou o indivíduo, ano de gritar por direitos humanos, protestos contra censuras e preconceitos, mas os Três Poderes, "independentes e harmônicos entre si", parecem mais empoderados que os cidadãos. A política e a economia nos tontearam, com um ex-presidente condenado, o atual sob suspeita e os milhões de desempregados, mas a menor inflação dos últimos 19 anos e, quem sabe, este "descolamento" da economia da política nos ajude, enquanto a Lava Jato segue - já prendeu uns 100 meliantes. Poder Executivo tentando emplacar as próprias reformas, Poder Legislativo fracassado e conhecidos problemas com o Judiciário mostram que está difícil a melhora. Tomara não seja impossível. Vamos ter esperança, não apenas esperar.
Falo de flores em meio aos tumultos. De Porto Rico veio o refresco, Despacito, com seu ritmo ligeirinho, sua letra sugerindo sedução sem pressa e semanas em primeiro lugar nas paradas. Despacito lembra os sucessos La Bamba (1987) e Macarena (1996), e mostra que a música é a linguagem universal capaz de cosas buenas. Dela precisamos para seguir vivendo, sonhando e dançando. Hoje a galera quer dançar mais do que ouvir música, mas isso é outra história.
A separação da Catalunha, a renúncia do Tiririca, o ex-futuro-candidato Luciano Huck, a delação do fim do mundo que não acabou com o mundo e o anúncio de casamento de Meghan Markle, 36 anos, atriz, ativista, divorciada e de origem negra com o príncipe Harry, 33 anos, mostra um 2017 intenso. Henrique VIII, parente de Harry, ordenou a decapitação de um ancestral do pai de Meghan. O que é a história, né?
 

a propósito...

No fim do ano, a gente fica pensando se o ano foi pior ou melhor que os outros. Faz a contabilidade e as tais retrospectivas de acontecimentos da rua e de dentro de casa. Normal. Mas como disse o poeta, o último dia do ano não é o último dia do tempo. O tempo. O tempo passa, eterno como o ar, sem ligar muito para nós. Quem sabe a gente não se preocupa tanto com ele e vive os "momentos". Passadas as sagradas orgias natalinas e os embalos do Réveillon, o tempo será novo como o ano. Perder tempo, ganhar tempo. Matamos o tempo e o tempo nos enterra, disse Machado de Assis. Dizem que o tempo se vinga das coisas feitas sem a colaboração dele. Tempo ao tempo, tempo para nós. Feliz tempo novo para os queridos leitores! 
 
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