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Porto Alegre, sábado, 23 de dezembro de 2017.

Jornal do Comércio

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Jaime Cimenti

Livros

Notícia da edição impressa de 22/12/2017. Alterada em 23/12 às 10h13min

A riqueza do Brasil

Detalhe da capa do livro

Detalhe da capa do livro


REPRODUÇÃO/JC
Brasileiros têm clássicos sobre a história social, política e econômica do Brasil. Os donos do poder (Raymundo Faoro); Raízes do Brasil (Sérgio Buarque de Hollanda); Casa-Grande e Senzala (Gilberto Freyre); O processo civilizatório (Darcy Ribeiro); História Econômica do Brasil (Caio Prado Junior); Formação Econômica do Brasil (Celso Furtado); Modelo Político Brasileiro (Fernando Henrique Cardoso); Formação da Literatura Brasileira (Antonio Candido) e Brasil: uma biografia (Lilia M. Schwarcz e Heloisa M. Starling) são alguns trabalhos sobre nosso continente, cheio de países. Não é fácil entender e explicar nosso País. Esforço não tem faltado.
História da riqueza no Brasil (Estação Brasil, 624 páginas), de Jorge Caldeira, doutor em Ciência Política e mestre em Sociologia pela USP, apresentações de Fernando Henrique Cardoso e Mary del Priore, é a obra que, pode-se dizer, nasceu clássica, por sua abrangência, forma e criatividade.
Caldeira tem ampla experiência editorial e jornalística. Foi editor da Bravo!; editor executivo da revista Exame; editor do caderno Ilustrada e da Revista da Folha, do jornal Folha de S. Paulo; e autor de obras sobre Mauá; José Bonifácio; samba; futebol e histórias de brasileiros que fizeram história.
História da riqueza no Brasil - Cinco séculos de pessoas, costumes e governos traz visão diferente, da História, mudando o eixo de apreciação. Disse Celso Lafer: "a proposta de uma revolução copernicana na análise e interpretação da história do Brasil é a marca identificadora do novo livro de Jorge Caldeira. Valendo-se de novos dados, antes de difícil acesso, organizado, investiga a formação da riqueza em nosso País, desde a Colônia, para atribuir nova dimensão ao papel do mercado interno. Correlaciona suas análises com instigantes avaliações da atuação de pessoas, costumes e governos, que se desdobram no correr dos tempos históricos da vida brasileira".
Fernando Henrique Cardoso escreve: "O livro mostra o fracasso das tentativas de acelerar o crescimento econômico pela vontade política do Estado. Os limites dessas tentativas são vistos, por exemplo, nas referências ao governo Geisel e às experiências mais recentes dos governos petistas".
Em quatro partes (1500-1808; 1808-1889; 1889-1930 e 1930-2017), Caldeira mostra, apenas com as referências técnicas mais essenciais, como, ao longo dos anos, foi se dando o complexo balé entre governados e governantes na busca do bem comum, a riqueza maior. Depois de ler os clássicos sobre o Brasil e sem perder-lhes o apreço, Caldeira ilumina zonas de sombra, como disse Mary del Priore e nos conta outras histórias e outra História.

lançamentos

  • A arte e imaginação - Um estudo em filosofia da mente (É Realizações, 320 páginas, tradução de Luiz Paulo Rouanet), do britânico Roger Scruton trata, na primeira parte, de lógica filosófica; na segunda, fala de questões da filosofia da mente e na terceira lida com questões de filosofia da arte. Scruton mostra como a experiência estética pode ser considerada autônoma, ainda que ela esteja intimamente conectada com a experiência ordinária.
  • A memória é uma espécie de cravo ferrando a estranheza das coisas (Casa Verde, 88 páginas), mais novo livro do poeta Lau Siqueira, nascido em Jaguarão e radicado em João Pessoa, com apresentação da professora Cinara Ferreira, traz versos sobre a passagem do tempo, a incompletude humana e as contradições da vida atual. Exemplo: "Tapera/O tempo é uma casa/desabitada e esquecida/no meio da estrada/ Quem passou por ela/ e viu apenas uma/ casa, na verdade não/ viu nada".
  • Cantos de Leontina das Dores (Mecenas, 152 páginas), do poeta, publicitário, compositor, cronista e dramaturgo Luiz Coronel, livro impresso encadernado, acompanhado de CD gravado com Fafá de Belém e Orquestra Unisinos-Anchieta regida por Evandro Matté com arranjos de Alexandre Ostrovski Jr., traz dezenas de composições de Coronel, em parceria com Marco Aurélio Vasconcellos, Sérgio Rojas, Renato Teixeira e outros. São composições que marcaram a Califórnia da Canção Nativa de Uruguaiana.

Então é Natal!

Não tenho a menor ideia de quando deixei de acreditar em Papai Noel, pessoa física, não o "espírito de Natal", que nesse eu até sigo acreditando, apesar de tudo, de todos e desse vale-tudo pós-moderno em que virou o planeta. Também não lembro de quando fiquei sabendo que os bebês não eram trazidos por cegonhas e quando tomei conhecimento de que o Internacional às vezes perdia nos jogos, até em alguns Gre-nais. Preferia não lembrar do dia em que mostraram, na catequese, uma pintura com vários diabos com chifres e rabos em volta da cama do pecador que estava morrendo.
Isso de separar corpo e espírito, realidade e fantasia e verdade e mentira, que são inseparáveis e inevitáveis como "fake news", não sei quando me dei conta que eram inseparáveis e que é preciso conviver do jeito que dá com o fato. Ninguém aguenta estar razoavelmente vivo sem mentiras piedosas, fantasias delirantes, histórias mirabolantes, fé na ciência e ciência da fé, memórias inventadas, fotos com Photoshop, fofocas verdadeiras ou inventadas e manifestações de arte em geral. O mundo e as pessoas precisam de visões, "correções" e de esperanças até no invisível para seguir com sua eterna marcha pelo tempo. A vida é imperfeita.
A história do nascimento de Jesus Cristo e as lendas da casa do Papai Noel na Lapônia são lindas demais para que a gente deixe de lembrá-las e contá-las até o infinito.
Época de Natal, espírito de Natal, tudo a ver com a vontade que temos de, pelo menos uns dias por ano, achar que é possível uma vida, uma convivência mais fraterna e solidária entre pessoas e países. Hora de dar e receber presentes. Presentes físicos e incorpóreos. Presentes de pegar com as mãos e com os olhos, presentes só de ver no tablet ou iPhone, cartões impressos ou virtuais, não importa.
Os italianos dizem: Il Natale è com i tuoi, pasqua e capodanno com chi vuoi (o Natal é com os teus, a Páscoa e o Ano-Novo com quem quiseres). Verdade. Natal é com família e quem não tem família tem os amigos e conhecidos como família. No meio dos que já foram e dos que ainda estão neste mundo, misturados com as dores e os prazeres, as perdas e os ganhos, vamos festejando o Natal. Lembranças de Natais bons, outros, nem tanto. Nessa overdose de tempos, mortos e vivos, lembranças, esquecimentos, sentimentos variados, melhor aproveitar para incorporar o "espírito de Natal", tomar um fôlego e arranjar esperanças para o Ano-Novo, que sempre vem com tudo o que possível e imaginável.
Se é difícil ou talvez impossível de esquecer certos atos, acontecimentos ou pessoas, ao menos podemos perdoar ou pensar de modo diferente sobre as sofridas pedras que carregamos na memória. Melhor não guardar esqueletos nos armários. De mais a mais, fim de ano é época de feng shui, limpeza, faxina dentro e fora. Em certas cidades da Itália, no fim do ano, pessoas atiram objetos velhos e inúteis pela janela.

a propósito...

Melhor não ficar contando com um coral de anjos que pode aparecer no seu jardim dia 24 à noite, junto com a Orquestra Sinfônica de Berlim e o Tony Bennet cantando White Christmas. Menos, melhor saber que as histórias dos comerciais de Natal são, no mais das vezes, fontes de esperança e inspiração, o que já é muito. Jesus Cristo ensinou a ser simples, direto, amoroso e seu exemplo, assim como o de São Francisco e outros, mostram que o amor, a esperança, a fraternidade e a paz é que devem vencer no final do jogo desta vida, que, pensando bem, só tem final depois que não restar ninguém para contar histórias como a de Jesus e do Papai Noel.
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