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Porto Alegre, domingo, 17 de dezembro de 2017.

Jornal do Comércio

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Jaime Cimenti

Livros

Notícia da edição impressa de 15/12/2017. Alterada em 17/12 às 11h11min

Você faz falta?

Detalhe da capa do livro

Detalhe da capa do livro


REPRODUÇÃO/JC
Pense um pouquinho: se você não existisse, que falta faria? Para responder a essa perguntona, o conhecido e consagrado professor, filósofo e escritor Mario Sergio Cortella discute, especialmente em seu novo livro, o que é importante na vida.
Viver em paz para morrer em paz - se você não existisse, que falta faria? (Planeta, 176 páginas) tem textos curtos, rápidos e filosóficos que muito ajudarão os leitores a viverem de modo mais feliz e pacífico.
Cortella é, atualmente, um dos filósofos mais influentes do Brasil e, em mais de 30 livros e décadas de magistério, auxilia a utilizarmos a filosofia para nos conhecermos, vivermos melhor e entendermos o caos do cotidiano. Em entrevista dia 11 de dezembro último, para a DW Brasil, Cortella disse que as redes sociais favorecem, sim, o despontar de um palanque também para a imbecilidade e a idiotia, e que, antes disso, as universidades, muitas vezes, eram esse palanque, e que devemos ter cuidado com essa cultura do ódio.
O escritor ressalta que o mais importante na vida não é ser famoso, acumular coisas e propriedades numa verdadeira obsessão consumista. O mais importante na vida é ser importante para alguém, fazer falta para alguém, fazer boas escolhas e viver com raízes ao invés de âncoras. Segundo Cortella, viver bem é dosar paixão com amor, amar os outros, a si e ao próprio amor.
A importância de escrever, escrever para apaziguar nossos fantasmas, organizar os sentimentos, as emoções e as razões, as razões de existir, a ecologia, o sexo, o erotismo, a sociedade da exposição, a felicidade como vitalidade e outros tópicos estão na obra, acompanhados de citações de autores como Benjamin Disraeli, que afirma: "A vida é muito curta para ser pequena".
O livro de Cortella nos convida a ter mais fraternidade, solidariedade e amorosidade, nos inspira a uma vida sem desperdícios de convívio, sem superficialidade, dando mais importância ao ser do que ao ter e, enfim, uma vida que, quando infelizmente acabar, não se acabe em vista das coisas boas que deixaremos para a família e os amigos.
Felicidade contínua não existe. Viver em paz não é viver sem problemas, mas sim viver com amor, lealdade, amizade, procurando não apequenar a própria existência ou a dos outros com cultivo de desertos, falta de bons propósitos e infertilidades várias.

lançamentos

  • Deixada para trás (Faro Editorial, 366 páginas, tradução de Carlos Szlak), romance do norte-americano Charlie Donlea, autor do best-seller A garota do lago, lançado no Brasil pela Faro Editorial, mostra porque ele é considerado uma das novas vozes do suspense. Duas garotas são sequestradas, uma foge do cativeiro e a outra segue desaparecida. Uma especialista em medicina legal, irmã da desaparecida, vai investigar. O terror, às vezes, está onde o procuramos.
  • Por uma reforma política consistente (Edição do autor, 150 páginas), de Adão Dornelles Faraco, jornalista, professor universitário, ex-prefeito de Alegrete e ex-secretário do RS, fala, com fundamento, paixão e brilho, da importância do voto popular, da adoção de um federalismo correto, com desconcentração fiscal e maior autonomia dos estados, de sistema parlamentarista, voto distrital, fidelidade partidária e partidos com definições ideológicas. Está certo Adão Faraco.
  • Bosque da solidão (Scriptum Produções Culturais, 250 páginas) é o novo romance do consagrado médico e escritor Nilson Luiz May, autor de Céus de Pindorama (romance) e Última chamada (contos), entre outros. A narrativa, densa, trata da vida instável e atribulada da jovem protagonista, por seu relato, pelo olhar do filho e de um terceiro personagem, 20 anos depois de acontecimentos marcantes da infância.

Falta de assunto

O grande cronista e jornalista Rubem Braga, o Sabiá da Crônica, o pai de todos que, com seu talento, levou a crônica a ser considerada gênero literário, escrevia e opinava sobre fatos importantes do cotidiano. Muitos ainda dizem que suas melhores crônicas são as que ele escrevia quando não tinha assunto, ou, às vezes, escritas justamente sobre a falta de assunto.
Os cronistas de hoje têm milhões de assuntos para tratar e têm a web e as redes sociais para buscar material para preencher, no prazo sem prorrogação dos periódicos, seu espaço de cronista, biógrafo do cotidiano, especialista em generalidades, palpiteiro de plantão e articulista de opinião.
Sim, todo mundo sabe que a crônica, hoje, quase sempre, é um pequeno artigo de opinião. Opinião é o que não falta, sobre tudo, todos, a toda hora do dia ou da noite. Podem faltar fundamentos, razão, emoção ou articulação, mas opinião é o que não falta, neste País de 140 milhões de técnicos de futebol, primeiros-ministros, especialistas em política, segurança, educação e tudo mais. Estamos parecendo a Torre de Babel, a Itália ou Israel, por exemplo, com muitos falando ao mesmo tempo, em voz alta, sobre tudo quanto é tópico ou utópico.
Os cronistas atuais, por vezes, não têm tempo ou vontade de andar nas ruas para ver, sentir o paladar, cheirar, ouvir e tocar a realidade, as coisas e as pessoas. Seria bom que os cronistas e jornalistas voltassem a usar seus cinco sentidos, mais as percepções extrassensoriais e outras percepções a serem descobertas.
Como todo mundo, os cronistas andam com medo de assaltos e outros crimes, e se refugiam no celular e nos tablets. Assaltos, crimes, corrupção, aliás, são temas infelizmente inesgotáveis para os comunicadores e formadores de opinião, mas deles, hoje, quero distância. De crises política, econômica, ética, de valores e dos 40% dos brasileiros que estão negativados, hoje, quero distância. Distância também quero da dívida do estado gaúcho, que aumentou 27 vezes em 27 anos. De futebol não quero falar, pois perdi o interesse sobre o "esporte bretão".
Quero ficar um pouco em silêncio, sentindo a tarde pelo contato com o sol na pele, fitando o lindo céu de brigadeiro, feito só de azul, sem aviões com bombas, rolos de fumaça de incêndio de árvores, prédios ou pneus queimados por manifestantes protestando contra umas coisas que andam infernizando os dias dos viventes. Hoje, fumaça no céu quero só a de algum churrasco que estejam fazendo por aí e para o qual me ofereço para ser convidado, mesmo que eu tenha que levar alguma carne para o "encosta-carne" ou algum trago para a gente beber e soltar a língua. Soltar a língua para falar coisas boas, claro.
Quero permanecer, ao menos por alguns minutos, sem assunto e sem precisar falar sobre a antiga falta de assunto. Quero escrever sobre esses minutos de paz, alegria e harmonia que divido com meus oito leitores, justamente neste período de festas, tempo de sentimentos divididos, mas também de divisão de afeto e presentes.

a propósito...

Comece falando do Rubem Braga, pai de todos da crônica brasileira, e estava querendo escrever uma crônica sem assunto ou falando da falta de assunto, tipo homenagem ao mestre Sabiá da Crônica. Aí enfiei uns assuntos, dei umas opiniões e, mais para o fim, viram, falei da vontade de não falar nada. É isso, queridos leitores, uma crônica, ou "pequeno artigo de opinião" sem assunto, sobre falta de assunto, com assunto e alguma coisa mais. Disse a Gloria Steinem: não gosto de escrever, gosto de já ter escrito. O Fernando Sabino afirmou que o melhor de já ter escrito é que aí dá para ir tomar um uisquinho. Fico por aqui, meu espaço e assuntos de hoje terminaram, e o Cristiano Vieira está esperando eu "baixar" essas linhas. Fui! (Jaime Cimenti)
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