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Porto Alegre, quinta-feira, 09 de novembro de 2017.

Jornal do Comércio

Opinião

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Notícia da edição impressa de 10/11/2017. Alterada em 09/11 às 20h22min

Diplomas errantes

Marconi Severo
O diploma é um veículo que legitima, em tese, determinada posse de saber/conhecimento. Mas nem sempre o "dever ser" se concretiza. E é aqui que reside o mais nefasto e agudo perigo: o porte do diploma sem a sua substância - um mero papel cujo valor é puramente artístico/simbólico. O que se quer dizer? Que há quem se forme e não faça jus à profissão no qual é formado. Como? Qualquer pessoa que tenha um mínimo de experiência em salas de aula dar-me-á fé ao atestar o seguinte fato: tanto os melhores alunos quanto aqueles que apenas chegam à média mínima, ambos se formam. Já dizia o velho Drummond que as "academias coroam com igual zelo o talento e a ausência dele".
Seria ingênuo pensar que o mercado de trabalho selecionará os mais aptos. Afinal, quem pode crer na justiça do darwinismo capitalista? Quem opta por cursar algo em profundidade, deve ter em mente que não se trata de um mero rito de passagem, no qual basta ir às aulas, ter um mínimo de média - e pronto! - o diploma em mãos. Ao licenciado e ao bacharel não é permitido ver na graduação, bem como nas pós-graduações, apenas um período de incubação, efêmero e obrigatório. Quem estuda o faz para aprender ou para trabalhar? Pergunta ambivalente... Mas, por incrível que possa ser, é sim possível efetuar uma amálgama entre saber, trabalho e reconhecimento. Erra quem pensa nos diplomados como pessoas cultas, doutas, "com estudo". Há muito analfabeto político por aí (geralmente arrogantes), com um diploma na parede, uma Têmis ou Minerva sobre a mesa, ou um estetoscópio aos ombros. O que realmente importa é a qualidade e o conteúdo do conhecimento atestado pelo diploma, não apenas ele em si. Quem "compra um diploma" admite, de forma explícita, quem de fato é; e quem faz jus ao seu porte, também... É uma questão de perspectiva; de vida.
Cientista social e político
 
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