Equipe da Onni aposta no mobile como diferencial Equipe da Onni aposta no mobile como diferencial Foto: /FREDY VIEIRA/JC

Soluções de ambos os lados: startups criam plataformas para facilitar a vida de profissionais e consumidores

Onni, DojoWeb e Triider são exemplos de funcionalidades feitas no Rio Grande do Sul e que querem expandir mundo afora

O aplicativo Onni une produtores e eventos de música a seu público - e, como o usuário pode fazer todas as compras no app, evita pegar filas e ter de esperar para comprar o drink.
O interesse por realizar algo no ambiente digital e a percepção de necessidades do ramo de entretenimento deram vida ao projeto. "Sempre fomos muito rolezeiros (risos). Muitas vezes, em festas, eu tinha vontade de estar curtindo a música, mas estava na fila para comprar bebida", conta Cristian Cagliari Carniel, 24 anos, sócio da Onni (de branco, na foto) junto a Guilherme Lara, 22, e Daniel Scomazzon, 25.
O app tem interfaces tanto para quem produz eventos quanto para os frequentadores. Após uma triagem básica através de perguntas, o produtor ou produtora (seja de festas, shows etc.) cadastra o seu evento e ele passa a ser vendido pelo app. O usuário, por sua vez, compra o ingresso por ali e, na entrada, tem de apenas mostrar um voucher no celular, que será validado. O mesmo se aplica à compra de bebidas no bar do local. "Usamos muita inteligência de anúncios, que acabam se traduzindo em conversão de vendas." O app gera receita através de uma porcentagem aplicada nestas transações financeiras.
"A partir disso, fomos descobrindo outros gaps. O mercado de entretenimento não tem muito Big Data, por exemplo", avalia ele. E esta é uma das principais diferenças da Onni para outras plataformas de bilhetagem eletrônica. Quem contrata o serviço pode ter acesso a uma gama de informações detalhadas sobre venda de bilhetes, picos de consumo e segmentação de público, por exemplo. "Eu acho que o mercado local ainda não descobriu os benefícios de ter informações à disposição", opina, se comparado a São Paulo e Santa Catarina.
Lançada em dezembro de 2016, a startup foi uma das 10 selecionadas para participar do programa StartupRS Scale do Sebrae, focado em apoiar negócios digitais, e, agora, investe em crescimento e em aprimorar o cruzamento de dados. Em um ano, a Onni contabiliza cerca de 40 mil usuários, 86 produtores e 370 eventos realizados. A escolha por atuar somente no mobile se deu "pela maior segurança contra fraudes de cartão de crédito que o ambiente proporciona", pontua o jovem, uma vez que o smartphone tem ferramentas de geolocalização que facilitam a comprovação destes casos. Além disso, Cristhian acredita no potencial de acesso que o celular tem. "A gente deve estar onde as pessoas estão", ressalta. O uso da tecnologia como intermediária deste processo, no entanto, traz alguns agravantes, como a bateria dos celulares acabarem, ou não haver internet disponível. "A ideia é disponibilizar power banks (baterias extras portáteis), e estamos trabalhando em um totem para todos os tipos de carregadores", conta Cristhian.
Atualmente, a empresa se prepara para lançar a versão 3.0 do app, com recursos de gameficação. A previsão de lançamento é janeiro de 2018 - quando chegam também na startup três estudantes estrangeiros, da Alemanha, dos Estados Unidos e de algum país da América do Sul, ainda não definido. As escolhas são estratégicas para desenvolver a operação fora do Brasil.
"A gente tinha muita euforia nos três primeiros meses (de empresa). Tivemos um baita processo de amadurecimento", relembra ele. A equipe da Onni é formada por 10 pessoas, todas elas abaixo dos 30 anos.
Um dos objetivos para 2018 é se inserir no mercado paulista para, além de estar perto do maior potencial tecnológico do País, se aproximar do ecossistema de investimentos. Outro é agir junto a clubes com mensalidades e promoções para o cliente final junto a marcas.

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'Tinder dos serviços' une profissionais e consumidores

App é gerenciado por uma equipe de nove pessoas, de áreas distintas App é gerenciado por uma equipe de nove pessoas, de áreas distintas Foto: REPRODUÇÃO/JC
O Triider é uma plataforma digital que conecta pessoas que precisam de serviços aos profissionais que atendem às demandas em áreas diversas.
Criada por Juliano Murlick, 38 anos, com outros três sócios - Tiago Murlick, 33; Aline Murlick, 35; e Paulo Gil, 37 -, a empresa tem sede em Canoas. A ideia surgiu quando Juliano e a esposa precisaram de serviços de reforma e pintura para a casa. Ao recorrerem às listas amarelas, se depararam com muitos prestadores de serviço. No entanto, o casal queria referências. A preocupação em saber quais profissionais haviam boas recomendações motivou o empreendedor, que sempre trabalhou na área de tecnologia.
O aplicativo, que tem mais de 12 mil usuários, segue a máxima de fazer com que as pessoas contratem os serviços que precisam de forma rápida, simples, mas, principalmente, qualificada. Todos os profissionais disponíveis na plataforma passam por um processo de checagem da documentação, do endereço e, até mesmo, das referências dadas.
Juliano e sua equipe valorizam os feedbacks, pois isso facilita a busca dos próximos usuários. Com 95% dos serviços avaliados, exibem, com orgulho, a média de 4,8 nas avaliações. Além disso, segundo ele, na maioria das vezes, o contratado não é o serviço com o orçamento mais barato, mas o melhor avaliado.
Para garantir as boas notas, o Triider possui uma equipe que trabalha para que, sempre que houver uma nota abaixo de 4 pontos, sejam constatados os problemas e feitas reparações. Em cerca de 3,4 mil serviços prestados, houve apenas 10 reclamações.
Mesmo que raros, os problemas são resolvidos em um pós-atendimento, com o intuito de gerar uma boa experiência ao usuário da plataforma. Com isso, todos os serviços possuem garantia em relação a negligências por parte dos prestadores.
Os profissionais interessados em ofertar seus serviços na plataforma podem se cadastrar através do aplicativo, em um procedimento totalmente digital. Qualquer pessoa pode fazer parte do time, porém, para garantir boa demanda aos prestadores de serviço, novos profissionais vão sendo adicionados, ao passo que a demanda cresce.
Para Juliano, esse método é uma forma de estimular os profissionais a usarem a plataforma. "Não adianta eu ter 100 profissionais para uma demanda de 16. Muitos deles não vão ter trabalho e, assim, vão perder o interesse em estar lá", pondera. "Nós temos uma proposta de valor para o lado do profissional e para o cliente", elucida.
A monetização se dá por meio de comissões. O Triider cobra 12% do valor dos serviços prestados pelos profissionais. Taxa que, segundo Juliano, é baixa, se comparada aos outros aplicativos semelhantes. "Nós ganhamos apenas quando geramos valor para o profissional", garante.
Apesar da semelhança, de nome e funcionamento, o aplicativo não possui relação com o Tinder. A intenção dos fundadores era criar uma palavra que não existisse e que fosse utilizada como verbo. "Como o pessoal fala hoje em dia 'dar um Google', quando quer pesquisar algo na internet", explica. Com a campanha "Chame o Triider", a empresa visa incorporar a palavra ao vocabulário dos usuários.
Há um ano e meio em operação, a equipe pretende expandir o produto para outras 10 capitais brasileiras, entre elas, Rio de Janeiro e São Paulo. Porém, apesar de ser um app recente, o produto passou por diversos testes e chegará maduro às demais regiões, salienta Juliano.

Publicitário cria plataforma de gestão para escolas de artes marciais

André Traichel formulou o Zanshin a partir de percepção interna de dojos  André Traichel formulou o Zanshin a partir de percepção interna de dojos Foto: MARCELO G. RIBEIRO/JC
André Traichel, 41 anos, criou o Dojoweb, um sistema de gestão de negócios exclusivo para escolas de artes marciais. Compatível com smartphones, tablets e computadores, a plataforma foi lançada oficialmente em abril deste ano, pela Zanchin Software. Para facilitar a administração dos usuários, a plataforma utiliza termos comuns das técnicas orientais.
Aficionado por artes marciais desde os seis anos de idade, o publicitário se formou em Educação Física para se dedicar ao esporte. Hoje, é instrutor de lutas em uma organização sem fins lucrativos, no município de Teutônia. E, a partir da necessidade de organizar o andamento das suas aulas e não ter encontrado nada que atendesse à sua demanda no mercado brasileiro, percebeu que poderia explorar o nicho.
O empreendedor conta que, em todo esse tempo acompanhando artes marciais, nunca viu o mercado de lutas tão em alta. André atribui essa popularização às transmissões de MMA na televisão. "Teutônia é habitada por cerca de 30 mil pessoas e possui seis academias de luta", exemplifica. Uma tendência que se reflete em todo o País - estima-se que existam mais de 24 mil academias no Brasil, segundo estudo do Sebrae.
Há doze anos no ramo de softwares, André garante que softwares para academias são mais comuns e fáceis de encontrar, mas não atendem às especificidades de uma escola de luta. Além disso, os preços para contratação são altos se comparados ao faturamento de uma escola de lutas - geralmente, um aluno rende a uma escola uma média de R$ 70 mensais, aponta ele.
A assinatura do Dojoweb tem planos de R$ 29,90 a R$ 60,00 mensais, valor que André avalia ser baixo pelos benefícios que trazem, como cadastro de turmas, alunos, diários de aula, controle de mensalidades, financeiro completo, indicadores de ocupação. "Tudo o que uma empresa pequena precisa", garante. André afirma que o sistema é ideal para dojos que estejam passando por momentos financeiramente difíceis. Por trabalhar com comparativos de investimento e lucro, a plataforma auxilia no planejamento de ações futuras do negócio.
André aposta no faturamento a partir da quantidade de assinaturas. Desse modo, quando um cliente desiste, o impacto não é pesado. Além disso, facilita na captação de novos clientes. Estratégia que usará para lançar o Dojoweb no maior mercado de lutas mundial, o norte-americano.
A dificuldade do mercado, avalia por experiência própria, é que o nicho ainda é imaturo em termos de gestão. André lembra que seu primeiro negócio faliu nos primeiros seis meses e acredita que, se houvesse uma ferramenta semelhante disponível, seria diferente.
Uma estratégia para gerar interesse e entendimento da importância da ferramenta, foi a disponibilização de materiais com dicas de gestão. "Quanto mais as pessoas ficarem qualificadas e entendidas de gestão, mais vão querer usar o software", analisa.
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