Comentar

Seu comentário está sujeito a moderação. Não serão aceitos comentários com ofensas pessoais, bem como usar o espaço para divulgar produtos, sites e serviços. Para sua segurança serão bloqueados comentários com números de telefone e e-mail.

500 caracteres restantes
Corrigir

Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.

Porto Alegre, segunda-feira, 13 de novembro de 2017.

Jornal do Comércio

Economia

COMENTAR | CORRIGIR

relações internacionais

Notícia da edição impressa de 14/11/2017. Alterada em 13/11 às 22h34min

Defesa de acordos multilaterais abre encontro Brasil-Alemanha

Críticas à atual conjuntura geopolítica focaram a gestão de Trump

Críticas à atual conjuntura geopolítica focaram a gestão de Trump


/MARCELO G. RIBEIRO/JC
Guilherme Daroit
Evento anual de cooperação entre governos e entidades industriais de ambos os países, a 35ª edição do Encontro Econômico Brasil-Alemanha (EEBA) foi aberta nesta segunda-feira, na Capital, com discursos em defesa dos acordos multilaterais. Principalmente do lado alemão, as críticas recaíram sobre a atual conjuntura geopolítica, com ênfase na atuação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Falando em blocos comerciais, ambos os países ainda enfatizaram o apoio ao fechamento do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, esperado para o fim do ano, após quase duas décadas de negociação.
Presidente para a América Latina da BDI, a federação industrial alemã, Andreas Renschler argumentou, durante a cerimônia de abertura, que os acontecimentos do último ano têm afetado a forma de se fazer negócios globalmente. "Ainda não superamos o Brexit e continuamos surpresos com decisões dos Estados Unidos, o que tem levantando muitas interrogações quanto à globalização. Mas seguimos defendendo o comércio livre e justo", reforçou Renschler, que garantiu que o livre comércio assegura competitividade e geração de riquezas. "Haverá perdedores, é claro, e estes precisam ser acolhidos por políticas públicas. Simplesmente fechar as portas não é o caminho correto", acrescentou o dirigente, que é também executivo da Volkswagen.
Vice-ministro alemão para assuntos econômicos e de energia, Mathias Maching seguiu o mesmo discurso, argumentando que os discursos de Trump, nos quais tem declarado que cada país deveria cuidar de seus interesses, poderiam ser contrapostos aos resultados da globalização nas últimas décadas. "O século XXI será marcado por formas de cooperação mais intensas entre os Estados. Precisamos fomentar acordos que não sejam apenas bilaterais, mas também na esfera global", declarou.
Maching defendeu a atuação da Organização Mundial do Comércio (OMC), elogiando a regulação do comércio internacional com regras claras, e declarou apoio ao pedido de ingresso do Brasil na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). "Não é um clube qualquer, quem entra tem que cumprir o seu papel em questões de transparência e democracia, e o Brasil se mostra disposto a aceitar esse desafio".
Representante do Itamaraty, o secretário-geral das Relações Exteriores, Marcos Galvão, ressaltou que a relação entre os dois países é de uma parceria estratégica entre duas das 10 maiores economias do mundo que são "complementares entre si", acrescentando que há 1,6 mil empresas de raízes alemãs no Brasil. Galvão também argumentou que ambas as nações possuem objetivos em comum, como a defesa dos direitos humanos e o combate ao aquecimento global e a medidas protecionistas. O embaixador aproveitou o momento para saudar o fim da recessão econômica no Brasil, ressaltando projeções de crescimento de 1% para 2017 e de 2,5% para 2018 no Produto Interno Bruto do País.

Acordo entre o Mercosul e a União Europeia é prioridade para brasileiros e alemães

Ao falarem em acordos comerciais, não havia como não falar no sempre adiado entendimento entre União Europeia (UE) e Mercosul. A expectativa do governo brasileiro, segundo o ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, Marcos Pereira é de cumprir a meta de concluir as negociações ainda em 2017. A aposta é de assinatura do documento durante a reunião ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC), que será realizada em Buenos Aires no mês que vem. "Com esse grande avanço político, nosso superávit comercial poderá crescer ainda mais", defendeu Pereira.
Vice-ministro para assuntos econômicos e de energia da Alemanha, Mathias Maching também defendeu a assinatura, mas advertiu que o acordo "não se consolidará por si mesmo", conclamando urgência para aproveitar o que classifica como uma janela de oportunidade única. "Ambos os lados precisam dar passos à frente, principalmente em relação a iniciativas para a fase de transição. Já estamos negociando há 17 anos, seria muito ruim se outros 17 anos se seguissem", declarou Maching, que garantiu ter defendido a assinatura no último acordo ministerial da União Europeia.
Pelo lado brasileiro, o embaixador Marcos Galvão afirmou que o País já deixou clara a sua aposta na Europa, e que Bruxelas (sede da UE) deveria seguir o movimento, apostando na América do Sul. "A assinatura é responsabilidade todos, e nunca estivemos tão próximos", declarou Galvão, garantindo que o Brasil está empenhando forças em direção a um consenso na região.
Lembrando a relação comercial entre os dois países - a Alemanha é o sétimo destino das exportações brasileiras, e o quarto maior fornecedor das importações nacionais - o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga de Andrade, defendeu que Brasil e Alemanha, por serem as maiores economias de cada bloco, atuem para que um bom termo seja atingido até dezembro.
COMENTAR | CORRIGIR
Comentários
Seja o primeiro a comentar esta notícia