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Porto Alegre, terça-feira, 14 de novembro de 2017.

Jornal do Comércio

Cultura

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Cinema

Notícia da edição impressa de 13/11/2017. Alterada em 14/11 às 15h14min

Novo filme de Tabajara Ruas retrata episódio da Revolução Federalista

Theatro São Pedro se transformou em set do longa A Cabeça de Gumercindo Saraiva

Theatro São Pedro se transformou em set do longa A Cabeça de Gumercindo Saraiva


/CLAITON DORNELLES /JC
Caroline da Silva
Escritor e cineasta, Tabajara Ruas leva mais uma de suas obras à sétima arte. Aos 75 anos, o gaúcho de Uruguaiana tem 12 longas como roteirista, dos quais dirigiu quatro: Os senhores da guerra (2016); Netto e o Domador de Cavalos (2008), Brizola - Tempos de luta (2007) e o premiado e aclamado pela crítica Netto perde sua alma (2001) - codirigido por Beto Souza.
Com grande equipe e elenco, Ruas agora trabalha na produção de A cabeça de Gumercindo Saraiva, sobre um episódio do final da Revolução Federalista de 1893, narrativa que tem sido chamada carinhosamente nos bastidores de "faroeste gaúcho". Com filmagens até o fim desta semana, o enredo acompanha o capitão Francisco Saraiva (Leonardo Machado) e seus cinco cavaleiros cruzando o Rio Grande numa caçada para resgatar a cabeça do comandante rebelde morto, cortada pelos legalistas após seu corpo ser enterrado, e levada como troféu para o governador Julio de Castilhos - missão dada ao major Ramiro de Oliveira (Murilo Rosa).
Assim, a trama se divide entre dois grupos: os maragatos (federalistas), com representantes da família de Gumercindo, e os pica-paus ou ximangos (republicanos), centralizados na figura de Ramiro. "A base da narrativa é a perseguição, um grupo fugindo e outro indo atrás. A qualidade do trabalho é que ele não toma partido. O leitor escolhe o lado que quiser", comenta o diretor sobre a obra ficcional de sua autoria em que se baseia o roteiro, Gumercindo (2015).
Segundo Ruas, essa característica da história do livro que adapta foi levantada pelos jurados do edital Prodecine 01 do Fundo Setorial do Audiovisual: "Não informar quem é o mocinho e o bandido, o bem e o mal, e chega um momento em que o futuro espectador não sabe para quem torcer. Ambos têm razões convincentes para o que estavam fazendo".
> Confira a galeria com imagens de vários momentos das filmagens:
Em 1997, o ensaio-reportagem A Cabeça de Gumercindo Saraiva, lançado por Ruas junto ao jornalista Elmar Bones, foi o título mais vendido da Feira do Livro de Porto Alegre. Já o filme foi o único representante da região Sul entre os 22 longas selecionados pelo edital 2013 do Fundo Setorial do Audiovisual, entre 142 inscritos. O anúncio saiu em 2014, quando a equipe começou a pensar no filme, mas a verba só foi viabilizada em 2017, de acordo com a produtora-executiva Lígia Walper (também montadora, ao lado de Lucas Tergolina), via patrocínio master do Banrisul.
Com fotografia de Alexandre Berra, direção de arte de Eduardo Antunes e Roberto Burd como assistente de direção (que já tinha trabalhado com o cineasta na segunda parte de Os senhores da guerra), o longa deve ficar pronto entre abril e maio de 2018, e pleitear vaga em algum festival antes de estrear em circuito comercial no segundo semestre do ano que vem.

Direção de atores e a equipe

Profissionais conversam com o ator Zé Adão Barbosa no Theatro São Pedro

Profissionais conversam com o ator Zé Adão Barbosa no Theatro São Pedro


CLAITON DORNELLES /JC
Para conduzir a ação, o filme tem cenas gravadas em diversas cidades do Estado: São Francisco de Paula, Canela, Gravataí e a catedral de São Miguel das Missões. Na Capital, houve locações na Restinga e ainda no Hospital Psiquiátrico São Pedro, além do Theatro São Pedro, onde ocorreu visitas da imprensa ao set.
Caminhões com equipamentos, figurinos e cavalos ocuparam o pátio do espaço no Centro Histórico. Dezenas de atores, realizadores e figurantes circularam pelos camarins, palco e plateia do teatro. Com a liberdade da ficção, é durante uma ópera a que Julio de Castilhos assiste que a cabeça decepada será, enfim, entregue.
Quem está no palco no papel do bufão é Zé Adão Barbosa. “Tabajara Ruas é um dos meus diretores preferidos e ele sabe que não é brincadeira. Eu já fiz alguns filmes com ele e, para mim, é um dos melhores diretores de ator que há. Ele ama atores, e isso é muito difícil no cinema, porque o cinema é a arte do diretor.”
Barbosa diz ainda que esse aspecto facilita o trabalho: “Hoje, vim para a filmagem desarmado, sem saber exatamente como ia ser esse palhaço, esse canto. E ele te dá uma tranquilidade tão grande que quando tu vês estás fazendo. Este é o Tabajara, um cara de uma inteligência, uma cultura fora do comum, e de um coração do tamanho do mundo”.
Os mesmos elogios são repetidos por Murilo Rosa, que conheceu Tabajara Ruas na época das gravações da minissérie A Casa das Sete Mulheres (2003), da qual o autor foi consultor: “Ele é um escritor super respeitado, talentoso e uma pessoa incrível, com quem você se senta para conversar e se encanta. É um cara simples, inteligente, que te deixa muito confortável. Quando ele convidou para fazer esse faroeste aqui, adorei. Era um desejo”.
Já o cineasta conta que a atual função é um sonho concretizado. “Dirigir filmes é uma velha fantasia da minha geração. Todo mundo queria ser diretor de cinema, é uma coisa boa da vida... Consegui fazer quatro filmes, estamos praticamente terminando o quinto agora, então estou bem contente”, avalia Ruas.
Sobre os componentes do grupo que faz o filme acontecer, o escritor e diretor comenta que todos são excelentes profissionais nas nuances de uma produção: “Temos aqui uma equipe jovem fantástica, saída das universidades aqui do Sul, com formação para cinema em diversas áreas. O cinema gaúcho tem um grande futuro”.
Ruas relata que o papel do Major Ramiro sempre foi pensado para Murilo Rosa e o convidou por ter grande admiração por ele. “Não tenho surpresa nenhuma com o fato de ele estar se saindo muito bem. Parece que o papel foi feito para ele. É um animal cinematográfico: adora o cinema, gosta do que faz, encarna o papel, inventa a todo momento, dá sugestão... Ele é um profundo incentivador, estão todos encantados por ele.”

Murilo Rosa em uma náusea existencial

Ator interpreta o republicano Major Ramiro de Oliveira

Ator interpreta o republicano Major Ramiro de Oliveira


DULCE HELFER/DIVULGAÇÃO/JC
"Voltar para o Sul, depois de 15 anos, fazer cinema e revisitar esses lugares é muito prazeroso", diz o ator Murilo Rosa. Em sua opinião, a saga do personagem é a de um homem de fora do Estado que está há cinco meses nessa guerra que não consegue entender.
Filho de professora de História, ele interpreta a narrativa: "É contada através do olhar do Major Ramiro. Apesar de se passar no Rio Grande do Sul, é um filme nacional, não regional. Ele é um republicano que veio aqui a mando de Floriano Peixoto, em uma guerra que não é dele. E aos poucos vai percebendo que, nessa guerra, ele é ele mesmo, não um maragato, apesar de ser um oficial exemplar". Rosa defende que o filme vai mostrando esses absurdos que acontecem em um conflito e seu antagonista vive uma "náusea existencial", pois existe essa tensão na trajetória do personagem evidente no roteiro.
O ator está em dois longas que estrearam recentemente no cinema: A comédia divina (de Toni Venturi) – em cartaz ainda em uma sessão no Cinespaço Wallig de Porto Alegre – e A Menina Índigo (drama de Wagner de Assis).
> Em vídeo, o apelo de Murilo Rosa aos gaúchos: 
“Vale muito a pena assistir aos dois filmes.” Rosa ainda lamentou que o Rio Grande do Sul seja tradicionalmente uma praça ruim para a recepção de títulos nacionais, o que gera estranhamento por ser o gaúcho tido como um povo culto – além de ser um berço de grandes profissionais na área. Fato é que na Capital - e menos ainda no Interior - são poucas as salas que programam e mantém por várias semanas produções brasileiras em cartaz pois não há retorno comercial de bilheteria.
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