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Porto Alegre, quinta-feira, 16 de novembro de 2017.

Jornal do Comércio

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Jaime Cimenti

Livros

Notícia da edição impressa de 17/11/2017. Alterada em 16/11 às 19h37min

Concentração deriqueza e poder

Detalhe da capa

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REPRODUÇÃO/JC
Jaime Cimenti
Um dos problemas mais urgentes e complicados do mundo é a distribuição de renda. Mesmo depois de evoluções e transformações político-econômicas, na maior parte dos países, e, em especial, no Brasil, a desigualdade econômica é terrível.
Réquiem para o sonho americano (Bertrand Brasil, 192 páginas), de Noam Chomsky, baseado no documentário Requiem for the american dream, criado e editado por Peter Hutchison, Kelly Nyks e Jared P. Scott, traz os 10 princípios de concentração de riqueza e poder.
Chomsky, professor, filósofo, ativista e linguista, lecionou no lendário MIT durante 50 anos e, hoje, é professor emérito do Departamento de Linguística e Filosofia da universidade. Nascido em 1928, é um dos pensadores mais queridos mundo afora, por conta de seu compromisso com a verdade e pelo brilhantismo de suas ideias.
Autor de best-sellers como 11 de setembro; O lucro ou as pessoas?; e Estados fracassados, no primeiro livro sobre desigualdade de renda, o professor listou os 10 princípios de concentração de riqueza e poder: restringir a democracia; moldar a ideologia; reestruturar a economia; transferir o fardo para os mais pobres e para a classe média; atacar a solidariedade; controlar os órgãos reguladores; controlar eleições; manter a ralé na linha; fabricar o consenso; e marginalizar a população.
A obra analisa mais de perto os Estados Unidos, mostrando como a realidade econômica afetou o bem-estar político e moral do país, mas suas reflexões se aplicam a muitos países onde a desigualdade econômica segue causando problemas de educação, saúde e segurança, entre outros. Nascer pobre, trabalhar muito e enriquecer, ter bom emprego, casa e carro, e bancar a educação dos filhos, o sonho americano, enfim, hoje parece ter desmoronado nos Estados Unidos, na visão de Chomsky.
O controle dos ricos sobre as contas públicas vem de séculos. Adam Smith, em A riqueza das nações, escreveu que os comerciantes e manufatores eram os "donos da sociedade inglesa". Hoje, os "senhores da humanidade", diz Chomsky, são as instituições financeiras e as corporações multinacionais.
As ideias de Chomsky devem ser aprofundadas, analisadas e discutidas. Seu pensamento, suas ações e a obra que bem radiografa a realidade atual, mostram que ele está no auge da capacidade intelectual, apresentando bons e necessários pontos de partida para a discussão da desigualdade.

Lançamentos

Pelos caminhos do Tibete - Revelações na terra do Dalai-Lama (Benvirá, 320 páginas), do jornalista de aventura e escritor Airton Ortiz, relata viagem que fez, de forma camuflada, em 2000, entrando no Tibete pelo Nepal, com um documento de professor. Depois, nenhum jornalista ocidental entrou na região. Mistérios e aventuras estão na obra, que é finalista do Prêmio Açorianos de Literatura e que inaugurou a série "Jornalismo de Aventura".
O engano de Édipo: ensaios sobre a prática psicanalítica (Editora Movimento, 184 páginas), do psicanalista, professor, escritor e tradutor Luiz-Olyntho Telles da Silva, busca trabalhar, a partir de interpretação do norte-americano Eric Flaum, questões abertas pela passagem de uma língua para outra e também avançar algumas hipóteses para dizer do engano de Édipo de confundir o universal com o particular, um engano muito comum a todos nós.
Textual - Revista do Sindicato dos Professores do Estado do Rio Grande do Sul, volume 2, número 26, coordenada por Valéria Ochôa e com edição executiva de Cesar Fraga, tem matérias sobre agronegócio; questões sindicais; debilidades do Ensino a Distância; reforma trabalhista; consolidação do Núcleo de Apoio ao Professor Contra a Violência, na defesa do bem-estar dos docentes e impactos do cenário de retrocesso no Plano Nacional de Educação.

E aí, Brasil, partiu?

Nossa jovem democracia e nossa jovem "Constituição Cidadã", que vai fazer 30 anos em 2018, estão aí, nos desafiando a construir um Brasil melhor. Tarefa de todo mundo, claro, que não adianta colocar a culpa e a responsabilidade só nos outros. O negócio é o coletivo. E não podemos colocar fogo no coletivo, como andam fazendo por aí. Deus queira que consigamos mudanças pacíficas. Alguns países no mundo conseguiram evoluir na paz. Tomara que seja o nosso caso. Acho que ainda dá tempo.
Neste momento de comemoração de Proclamação da República, é como diz o hino: Liberdade, liberdade, abre as asas sobre nós (...) Somos todos iguais/ ao futuro saberemos/ unidos/ levar nosso augusto estandarte/ que, puro/ brilha, ovante, da Pátria no altar. Isso, nossa bandeira merece ser ovacionada. Lembrete, ovante tem a ver com ovacionar, mas ovacionar não é atirar ovos, como já aconteceu. Somos muitas vozes, temos muitas demandas, estamos na maior crise econômica, política e ética da história, mas temos a maior investigação sobre a corrupção sistêmica, e algumas mudanças, pessoas e instituições que não nos tornam totalmente pessimistas. Na segunda-feira, pensamos que temos solução para o Brasil; na terça-feira, pensamos em ir morar em Lisboa (atualmente Lisótima, todo mundo tá indo pra lá); e, na quarta-feira, precisamos pensar em educação, em nos livrar da corrupção sistêmica e em votar bem em 2018.
Precisamos nos livrar dos chavões ultrapassados de direita/esquerda/centro e não sei mais o quê. Crise precisa ser sinônimo de crescer. Precisamos ter extremo cuidado com polarizações, salvadores da pátria e propaganda enganosa maquinada por alguns marqueteiros políticos. Não é fácil, nunca foi, mas não pode ser impossível. Precisamos de ideias, planos, projetos, diminuir desigualdade com desenvolvimento e empregos, acabar com preconceitos e, de uma vez por todas, pensar no coletivo, no bem comum. Os podres que ainda estão nos poderes têm mais é que sumir, serem varridos do mapa e se tornarem, no máximo, adubo para o nascimento e o crescimento de novos seres. É isso mesmo, adubo é feito de muita coisa, até de coisas apodrecidas e dejetos, e pode e deve gerar algo bom.
Tiramos montes de esqueletos dos armários, esqueletos de vários tipos e idades, tipo uma família que, reunida na casa de praia ou no bar, botou para fora problemas seculares que estavam enterrados nas gargantas. É complicado tirar esqueletos de armários, mas depois a coisa tem de melhorar.
"Ou restaure-se a moralidade, ou locupletemo-nos todos", disse o saudoso humorista e pensador Stanislaw Ponte Preta. Tenho certeza que ele preferia o restauro, tipo assim um restauro de uma velha construção renascentista italiana. "In restauro", dizem as placas dos gringos, que já trocaram dezenas e dezenas de primeiros-ministros e seguem tocando a gôndola nas águas da Bota.
Em casa onde falta pão, todo mundo grita e ninguém tem razão. No Brasil, a questão da fome já foi muito pior, mas não está resolvida de todo. Precisamos plantar o trigo - na metáfora e na real - moer, tomar a farinha, fazer muito pão, dialogar muito e dividir a produção.

A propósito...

Dar um jeito no tráfico e no consumo de drogas, olhar para o futuro com insistência, persistência e ir adiante. Já fomos profissionais da esperança. Agora, somos oficiais da teimosia e da obstinação. Um dia vai dar certo. Se não deu ainda, é porque o dia não chegou. Somos utópicos e sonhadores desde as cavernas, não falo novidade. Vade retro, distopia! Nada de fim da história, de fim de mundo e fim de apocalipse, de sonho acabado e bomba atômica. Se o sonho acabou, pegamos outro na velha padaria de Portugal. Na casa do avozinho Portugal tem coisas que levaram daqui, inclusive sonhos. A vida é sonho; os sonhos, sonhos são. Obrigado, Calderón de La Barca, vizinho espanhol. Feliz República! (Jaime Cimenti)
 
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