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Porto Alegre, quarta-feira, 29 de novembro de 2017.

Jornal do Comércio

JC Logística

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Investimentos

Notícia da edição impressa de 30/11/2017. Alterada em 29/11 às 17h59min

Cresce o interesse estrangeiro na área de infraestrutura do País

XB 100 - FREEPIK.COM/DIVULGAÇÃO/JC
Grupos internacionais querem aplicar seus recursos na infraestrutura do Brasil. Dois grandes investimentos estão em tratativas, e ambos são liderados pela China. Um deles prevê um consórcio de países, ainda não divulgado pelo governo federal, que pode destinar de US$ 8 bilhões a US$ 10 bilhões para construir uma refinaria no Maranhão. O outro projeto prevê a construção de uma ferrovia pela CRCC (China Railway Construction Corporation), uma das maiores companhias do setor no mundo, para escoar a soja do Centro-Oeste até a Bahia. Mas o apetite dos chineses não termina aí. Três outros grupos também se apresentaram para formar um consórcio e construir os 934 quilômetros da Ferrogrão, entre Sinop (MT) e Miritituba (PA) - a iniciativa está em consulta pública e deverá consumir cerca de R$ 12 bilhões.
Esses aportes deverão ajudar o País a enfrentar uma possível queda em investimentos em infraestrutura. De acordo com o recente levantamento concluído pelo Comitê de Análise Setorial (CAS) do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (Bndes), a tendência é de desaceleração nos próximos anos, apesar do plano de privatizações do governo e o fim da recessão econômica. O especialista em Projetos de Infraestrutura Felipe Montoro Jens destaca que, segundo o estudo, os setores preveem investimentos médios anuais de R$ 225,3 bilhões para o período de 2017 a 2020, o que significa um valor 7% inferior ao realizado em 2016, que foi de R$ 243,3 bilhões.
Na média do período, a infraestrutura deve atrair R$ 104,6 bilhões por ano. Em 2017, serão R$ 114,9 bilhões, 8% a menos do que no ano passado, quando o valor foi de R$ 124,8 bilhões. Conforme a pesquisa, o valor seguirá em declínio nos anos seguintes, devendo recuar para R$ 97 bilhões em 2019. Em 2020, os investimentos devem ficar em torno de R$ 100 bilhões. Em todos os anos, porém, deve permanecer abaixo do pico histórico, registrado no ano de 2012, de R$ 162 bilhões.
Jens explica que o levantamento do Bndes considera investimentos dos setores público e privado e que são computados projetos iniciados ou planejados, identificados em contatos com empresas e associações dos dois setores. O mapeamento abrange 100% do setor de infraestrutura e 80% dos setores da indústria brasileira, reporta o especialista. Na média dos últimos anos, a projeção apresentada pelo banco tem uma aderência de 95% em relação ao realizado.
O economista e diretor do Bndes Carlos da Costa acentua que, como o banco tem contato com cada um dos setores e das empresas, a gente tem uma ideia bem próxima do que eles pretendem fazer nos próximos anos. Parte desses projetos já foi iniciada, parte ainda vai começar. Mas a tendência da infraestrutura, infelizmente, é continuar em queda. Costa assumiu a diretoria das áreas de Crédito, Tecnologia da Informação e Planejamento e Pesquisa do Bndes em agosto deste ano.
Energia elétrica, telecomunicações, aeroportos, saneamento e mobilidade urbana são os cinco, dos nove ramos da infraestrutura acompanhados, que preveem menos investimentos nos próximos anos, salienta Jens. Desses segmentos, energia elétrica é o que mais deve investir ao longo do período com uma média de R$ 39,5 bilhões ao ano até 2020. O que, entretanto, é um valor 31% menor do que o investido em 2016 de R$ 56,9 bilhões.
Já na indústria, os investimentos devem somar R$ 120,6 bilhões na média anual para os próximos três anos, sendo um valor praticamente estável na comparação com 2016, quando o número foi de R$ 118,8 bilhões. Foram acompanhados 12 ramos, sendo que a atividade de petróleo e gás é a única que aponta para um crescimento relevante dos investimentos. De acordo com o estudo do Bndes, serão investidos R$ 71,3 bilhões ao ano até 2020, 15% acima dos níveis verificados no ano passado, que foram de R$ 61,8 bilhões, enfatiza Jens.
Ainda assim, no entanto, esse montante é inferior à média verificada no quadriênio anterior, de R$ 89,5 bilhões, marcado pelo desenvolvimento da produção em campos do pré-sal e a construção de grandes refinarias pela Petrobras. A explicação para todas essas quedas, segundo economistas, está relacionada à falta de confiança de parte do empresariado com o futuro da economia brasileira e aos problemas fiscais dos governos. Também, apesar da recente melhora da produção, a indústria segue ociosa, adiando a necessidade de investimentos."
Os empresários se endividaram há quatro anos, porque acreditavam no País. Eles perderam dinheiro, e agora estão parecendo cachorro mordido por cobra, que tem medo de linguiça", ilustra Costa ao afirmar, entretanto, que, se houver um planejamento estratégico amplo, capaz de retomar a confiança dos empresários nos rumos do Brasil, esse quadro ainda pode mudar. A sugestão de Costa é que o Bndes seja o "orquestrador" desse planejamento, oferecendo estudos, fórum de discussão e ambiente de articulação.

Grupo quer destinar US$ 10 bilhões para refinaria no Maranhão

Grupos internacionais liderados por uma gigante chinesa pretendem construir uma refinaria no Maranhão. O anúncio foi feito pelo secretário de Óleo e Gás do ministério de Minas e Energia, Márcio Félix, que não revelou o nome da empresa.
No entanto, segundo um executivo que acompanha as negociações, a empresa é a Sinopec, que já atua no Brasil na exploração e produção de petróleo. O secretário informou ainda que a capacidade deve ser de até
300 mil barris diários de petróleo e poderá representar investimentos entre US$ 8 bilhões a US$ 10 bilhões.
A refinaria seria construída no mesmo local onde, anos atrás, a Petrobras chegou a realizar os trabalhos de terraplenagem para a construção de uma refinaria, projeto que foi cancelado após o caso de corrupção revelado pela Operação Lava Jato. O secretário falou após participar da solenidade de pose do novo diretor da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Dirceu Andreolli, que agora está com seu quadro completo.
De acordo com o secretário, as negociações com os grupos estrangeiros tiveram início com o governo do Maranhão envolvendo China, Irã e Índia. Atualmente, as empresas chinesas extraem o petróleo e levam para seu país. Neste caso, o petróleo seria refinado aqui, abastecendo o mercado interno; e, em compensação, o Irã forneceria petróleo para a China. O ministro lembrou que, atualmente, o Brasil está importando entre 500 mil a 500 mil barris por dia de derivados de petróleo.
"O assunto ainda não está bem definido, mas seria uma empresa chinesa que vai construir em parceria com empresários brasileiros e governo iraniano. A Índia também está participando das negociações, mas eu diria que o negócio está mais para a China e o Irã", destacou o secretário.

China construirá ferrovia para escoar soja

Fiol quer levar os grãos do Centro-Oeste até o porto baiano

Fiol quer levar os grãos do Centro-Oeste até o porto baiano


/JUAN MABROMATA/AFP/JC
Uma das maiores empresas ferroviárias do mundo, a CRCC (China Railway Construction Corporation) estuda liderar um consórcio para construir a Fiol (Ferrovia de Integração Oeste-Leste) e integrá-la ao porto de Ilhéus (BA). Hoje, a ferrovia tem um pequeno trecho em operação. A intenção dos chineses é clara: escoar soja (segundo principal produto que eles compram no país, atrás do minério de ferro) do Centro-Oeste até o porto baiano.
Mas também há um interesse geopolítico. Eles querem criar alternativas ao canal do Panamá, obra bancada pelos EUA no século passado e que os asiáticos veem ainda hoje sob controle dos norte-americanos. Para criar essa alternativa, a Fiol terá cerca de 1.500 quilômetros e cruzará com a FNS (Ferrovia Norte-Sul).
Hoje, os grãos precisam seguir de caminhões até o porto de Santos (SP) ou ser transportados até um entroncamento da Ferrovia Norte-Sul rumo ao porto de Itaqui, no Maranhão. No entanto existem dificuldades de passagem no trecho controlado pela mineradora Vale, único ponto de acesso até o porto do Nordeste.
O plano dos chineses inclui outro braço ferroviário, a partir da Ferrovia Norte-Sul, que seguirá de Campinorte (GO) até Lucas do Rio Verde (MT) e, de lá, até Porto Velho (RO). Essa linha continuará rumo ao Peru até um porto no oceano Pacífico. O projeto foi apresentado pelo grupo chinês a representantes do governo brasileiro durante a viagem do presidente Michel Temer à China, no final de agosto. Desde então, o governo da Bahia já contratou a consultoria Accenture para desenvolver o projeto.
Como a Fiol já é uma ferrovia prioritária da União, o governo baiano se comprometeu a transferir o projeto para o PPI (Programa de Parcerias de Investimentos) assim que estiver pronto.
A expectativa é que isso ocorra até o início do próximo ano para que a ferrovia seja licitada ainda no governo Temer. Pelas conversas iniciais, os chineses teriam de entrar no leilão, embora tenham manifestado a intenção de realizar a obra por conta própria desde que o governo desse autorização.
O apetite dos chineses não termina aí. Três outros grupos também se apresentaram para formar um consórcio e construir os 934 quilômetros da Ferrogrão, entre Sinop (MT) e Miritituba (PA). O projeto está em consulta pública e deverá consumir cerca de R$ 12 bilhões. Dois são os motivos que levam as empresas chinesas a destinar recursos para infraestrutura no Brasil.
Nas conversas, o governo chinês deixou claro para os brasileiros seu interesse em ter a segurança de fornecimento de energia e alimentos. Por isso, não mede esforços nem recursos para investir em infraestrutura.
De janeiro a outubro, os chineses compraram US$ 19 bilhões em soja do Brasil, origem de 59% de todo o grão importado pelos asiáticos. No mesmo período, o país importou US$ 5,5 bilhões em petróleo do Brasil. Outra explicação é que o projeto permitiria à China uma alternativa ao canal do Panamá, que, segundo eles, é "controlado" pelos EUA.
O apetite chinês pelo Brasil vem aumentando especialmente depois da crise na Venezuela. De janeiro a outubro, o país recebeu US$ 10,8 bilhões do gigante asiático. A maior parte desses recursos foi destinada a fusões e aquisições, especialmente na área de energia e transporte. Entre os exemplos estão a compra de 45,36% da CPFL Energia pela State Grid Corp of China, por US$ 3,7 bilhões; e da hidrelétrica de São Simão, por
US$ 2,26 bilhões, pela State Power Investment Corporation.
O interesse chinês também levou Pequim a fechar um acordo com o Brasil e criar, em maio, um fundo de investimento de US$ 20 bilhões destinado a financiar projetos de infraestrutura no País que sejam considerados relevantes para ambas as partes. Investimentos em infraestrutura e na indústria no País seguem em queda nos próximos anos, reporta Felipe Montoro Jens.
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