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Porto Alegre, sexta-feira, 15 de dezembro de 2017.

Jornal do Comércio

Empresas & Negócios

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Com a Palavra

Notícia da edição impressa de 04/12/2017. Alterada em 15/12 às 13h59min

Relações humanas fazem a diferença, afirma DeRose

Luiz Sérgio Alvares DeRose é o criador do Método DeRose

Luiz Sérgio Alvares DeRose é o criador do Método DeRose


FREDY VIEIRA/JC
Thiago Copetti
Luiz Sérgio Alvares DeRose, criador do Método DeRose - que ensina a manter uma boa qualidade de vida por meio de boas relações humanas, cultura, alimentação e forma física -, tem muito a repassar ao mundo corporativo. Mais especificamente, foi por meio da reeducação comportamental, com foco na respiração como forma de administrar o estresse e com exercícios que se assemelham à yôga, que DeRose ganhou o mundo. Já são quase seis décadas de atuação do DeRose Method, como ele gosta de falar. O conceito já contabiliza cerca de 60 escolas em cidades brasileiras e outras três dezenas em países como Argentina, Chile, Estados Unidos, Inglaterra, Espanha, Portugal e Itália.
O professor/empresário, porém, não gosta de falar de números (diz que sequer sabe os números que orbitam em torno de suas escolas). Explica que o sistema se autogerencia (em um modelo de administração coletiva) por meio das federações, que monitoram a qualidade do atendimento e a gestão de cada unidade. Cada escola é uma pessoa jurídica diferente e é de propriedade do professor, que precisa revalidar a autorização anualmente para continuar dentro do sistema.
Em Porto Alegre, onde recentemente esteve para lançamento de um novo livro, Sucesso, DeRose conversou com Jornal do Comércio sobre o peso do comportamento no êxito de uma empresa ou de um profissional. "Trabalhamos o comportamento. O que atrapalha as empresas são as relações humanas mal feitas. É um colega que não se dá bem com o outro. É uma cadeia hierárquica em que o de cima humilha o de baixo. E o de baixo boicota o de cima. E assim a máquina não anda", alerta DeRose.
JC Empresas & Negócios - Como foi o início de sua carreira até chegar a essa rede de escolas?
Luiz Sérgio Alvares DeRose - Dava aulas em várias instituições e, em 1964, montei minha própria escola. Mas eu não era empresário, nem minha mãe, nem meu pai. Então não tinha a cultura de empreendedor. Bati muita cabeça. E essa é a realidade de muita gente. A pessoa abre uma empresa e diz "não quero ser empregado, vou ser empresário". Mas não sabe como fazer e nem sempre busca uma assessoria, um Sebrae. Abre e começa a fazer. Eu comecei em 1964, na época da ditadura. Então os primeiros 20 anos foram muitos duros. Tentava ir para um lado, e não dava; tentava outro, e não era aquele.
Empresas & Negócios - O que considera ter sido o "pulo do gato" para o sucesso?
DeRose - O pulo do gato foi a descoberta de que o principal do nosso trabalho era o que considerávamos o bônus: a reeducação comportamental. Achávamos que era o resultado de estarmos juntos, um algo a mais da nossa convivência. Não era. Isso era o X da questão. O nosso relacionamento era muito importante, porque um colega não brigando com um colega de profissão, e o outro te dando dicas que ajudem na carreira, não escondendo o leite, mas compartilhando, cria uma reação em cadeia em que eu ajudo, e isso gera reciprocidade para me ajudar também. No mínimo, gera um sentimento favorável, de colaborar com um cara que você acha legal, bacana. Em termos profissionais, tem um resultado extraordinário, e também na relação empresa e cliente.
Empresas & Negócios - Como o senhor faz para gerenciar todo esse sistema?
DeRose - Não preciso estar nesses lugares. Vou pelo prazer de dar cursos, mas têm unidades que eu não conheço. O sistema foi criado para que cada profissional, ao receber a formação, tenha um mais antigo que o acompanhe para sempre. É o monitor. Chamamos isso de orientação horizontal, com pessoas mais ou menos da mesma faixa e que moram perto. Depois tem a orientação vertical, que é de um supervisor sênior. Tudo que o monitor não souber resolver, de coisas técnicas até questões éticas, o supervisor dá uma balizada com suas décadas de experiência. E a qualidade desse sistema todo mundo cuida, porque é interessante para todo mundo. Se tem um elo fraco na cadeia, é ali que ela vai romper. Um profissional incompetente e que faça besteiras vai respingar em todo mundo.
Empresas & Negócios - Em uma empresa convencional, muitos profissionais retêm a informação, como se fosse sua, no lugar de compartilhar algo que é da empresa, não?
DeRose - Sim, ele retém como se fosse dele. E como quer uma promoção, ele esconde as coisas. Ele teme que, dando boas dicas ao colega, e como no topo só há uma vaga, acredita que vá perder essa chance se ajudar outro profissional. Imagine uma grande empresa em que cada um fica escondendo informações uns dos outros. Eles não são colegas, são concorrentes, competidores. Fica tudo fragmentado, e todo mundo sabe que um bom general, para vencer um exército inimigo, procura implantar a divisão. Porque, se o outro exército chegar dividido, ele vencerá mais facilmente. Assim foi com a chegada dos portugueses e espanhóis na América do Sul e as tribos indígenas, todas dispersas, lutando umas contra as outras. Foi muito fácil dominar. Uma empresa desunida vai ser mais facilmente vencida pelas outras. Então nosso trabalho também é isso, ensinar o outro a ter prazer e entusiasmo em ajudar o outro. Com isso o outro também retribui e juntos progredimos.
Empresas & Negócios - E como despertar isso no dia a dia dos profissionais?
DeRose - Pelo exemplo: somos seres sociais, muito influenciados. Somos produtos do meio. Se vive no meio agressivo, daqui a pouco, você se torna agressivo também e nem percebe. Se está no meio de pessoas colaborativas, você se torna colaborativo e nem percebe. E outra coisa, é uma ilusão pensar que ninguém está vendo. As pessoas observam a sua atitude dentro da empresa. Seja um colega, um alto executivo ou de um escalão mais baixo. Todo mundo acaba sabendo se você é um colega dedicado, que chega e produz muito, se é simpático, se ajuda os outros. Todo mundo está vendo, os de baixo e os de cima.
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