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Porto Alegre, domingo, 26 de novembro de 2017.

Jornal do Comércio

Empresas & Negócios

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Com a Palavra

Notícia da edição impressa de 27/11/2017. Alterada em 24/11 às 19h58min

Certel busca fontes de energia

CERTEL/DIVULGAÇÃO/JC
Jefferson Klein
A Certel, a cooperativa de energia mais antiga do Brasil, criada em 1956, tem como estratégia para seu futuro a diversificação das opções para a produção de eletricidade. Além de constar em seus planos investir em novos projetos hidrelétricos, a associação pretende enveredar pela energia solar, adianta o presidente do grupo, Erineo José Hennemann. Com as origens vinculadas a Teutônia, hoje a cooperativa possui um faturamento que gira em torno de R$ 300 milhões ao ano e tem mais de 60 mil associados (muitos deles, pequenos agricultores), espalhados por 48 municípios gaúchos. Assim como na distribuição e geração de energia, o grupo atua com uma indústria de artefatos de cimento e uma rede de varejo que comercializa eletrodomésticos, móveis e outros produtos.
JC Empresas & Negócios - No ano passado, a Certel inaugurou a Pequena Central Hidrelétrica (PCH) Cazuza Ferreira, no rio Lajeado Grande. A empresa tem mais projetos nessa área de geração?
Erineo José Hennemann - Esse foco na geração de energia elétrica tem sido muito intenso na Certel. A nossa região, o Vale do Taquari, gera hoje apenas 5% da energia que consome e temos alguns projetos que, se tivermos a capacidade financeira para fazer, absorverão cerca de R$ 500 milhões para serem construídos.
Empresas & Negócios - Que empreendimentos são esses?
Hennemann - São cinco PCHs, no rio Forqueta, e uma hidrelétrica, de maior potência, no rio Taquari, na cidade de Muçum. Esses projetos estavam trancados na Fepam (Fundação Estadual de Proteção Ambiental), mas recentemente o governo do Estado criou aquele programa de incentivos às PCHs (que destacou 91 usinas viáveis de licenciamento ambiental). Estamos iniciando as tratativas dos empreendimentos e teríamos já liberados cerca de 105 MW (cerca de 2,5% da demanda média de energia do Rio Grande do Sul).
Empresas & Negócios - A Certel irá atrás de parceiros financeiros para concretizar as iniciativas?
Hennemann - Sem dúvida. Não temos capacidade para fazermos sozinhos.
Empresas & Negócios - Se tudo transcorrer satisfatoriamente, quanto tempo para essas usinas serem desenvolvidas?
Hennemann - Acho que vamos levar em torno de dois anos para essa parte de projeto. Depois passaremos para a etapa de aprovação na Aneel (Agência Nacional de Energia Elérica), busca de financiamentos e próximas fases.
Empresas & Negócios - A Certel tem planos para variar suas formas de produção de energia?
Hennemann - O Estado vai crescer, o País vai crescer. Nós estamos com o foco na ampliação de fontes de geração. Estamos com um projeto-piloto de uma usina solar, em Teutônia, que deverá ser finalizado em dezembro. A estrutura ocupará uma área de 206 metros quadrados para geração de energia e servirá para que o nosso associado conheça essa prática. Ao conhecer, o associado pode avaliar gerar essa energia na sua propriedade ou até mesmo participar de uma geração maior em um parque de produção solar. É uma geração limpa e inesgotável.
Empresas & Negócios - A produção de eletricidade desse sistema fotovoltaico alimentará o quê?
Hennemann - Atenderá à parte do consumo da sede da cooperativa. O investimento é pequeno, mas dá o sentido da ideia, um projeto-piloto para que seja visitado e conhecido.
Empresas & Negócios - Como surgiu esse modelo das cooperativas de energia?
Hennemann - O Estado, no passado, não tinha interesse de levar a energia a longas distâncias, onde sabia que os clientes teriam um consumo pequeno. Então o Estado não via o retorno do investimento, e aí entraram as cooperativas, que foram criadas justamente para atender a essas áreas longínquas (muitas delas no meio rural). Fala-se muito da carne de pescoço que ficou para as cooperativas, mas houve o desenvolvimento das regiões, e as cooperativas têm sido respeitadas. São 15 cooperativas no Rio Grande do Sul, com mais de um milhão de consumidores.
Empresas & Negócios - Qual a diferença das regras que regem as grandes distribuidoras de energia, como CEEE-D, RGE e RGE Sul, para as das cooperativas?
Hennemann - Eu diria que é o modelo do negócio. O sistema cooperativo reaplica suas sobras (de resultados financeiros) no setor, enquanto as distribuidoras buscam o lucro. É um pouco diferente do sistema cooperativo.
Empresas & Negócios - A Federação das Cooperativas de Energia, Telefonia e Desenvolvimento Rural do Rio Grande do Sul (Fecoergs) já manifestou a preocupação quanto ao fim dos descontos na aquisição de energia para as cooperativas e busca uma compensação para essa situação. A Certel compartilha dessa causa?
Hennemann - Essa tem sido, há vários anos, uma bandeira nossa, convencer a Aneel. Queremos demonstrar que o modelo cooperativo, em função dessa baixa densidade de consumo por quilômetro de rede, deveria ter um tratamento diferenciado. Estamos bem otimistas com relação a um novo entendimento, que nos dê futuro. Essa preocupação, que era muito grande antes, continua havendo, mas bem menor, porque o assunto está sendo negociado. Está havendo um convencimento de que o sistema cooperativo, sua área de atuação, a sua densidade, é bem diferente do das concessionárias, e por isso necessita de um tratamento diferenciado.
Empresas & Negócios - Outra demanda muito ouvida pelas cooperativas é que é preciso melhorar a qualidade da energia que chega no meio rural. Isso é possível?
Hennemann - Temos que elogiar o programa Luz para Todos (do governo federal), porque levou a energia para o nosso associado. Mas, no momento em que recebeu a energia, ele incrementou a sua produção, precisa um pouco mais de carga. Então aquela energia que foi monofásica, que foi para iluminação, hoje passa a ter exigência para carga e, quando se fala em carga, se fala em uma infraestrutura para rede trifásica, o que implica investimentos elevados. Precisa haver uma parceria do Estado com as cooperativas, com os consumidores, para que isso seja realizado, até mesmo na busca de financiamentos subsidiados, com juros mais baixos.
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