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Porto Alegre, segunda-feira, 20 de novembro de 2017.

Jornal do Comércio

Empresas & Negócios

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Com a palavra

Notícia da edição impressa de 20/11/2017. Alterada em 20/11 às 14h14min

Peccin vai além do ramo de balas

"Consumidores querem algo mais que chocolate, e apresentamos o Trento", diz o presidente

"Consumidores querem algo mais que chocolate, e apresentamos o Trento", diz o presidente


DIRCEU PEZZIN/DIVULGAÇÃO/JC
Tatiana Prunes
Depois de a Peccin ter se tornado uma das maiores empresas no ramo de balas, enquanto o foco se concentrava apenas em volume e escala de produção, essa estratégia, de repente, passou a não fazer mais sentido. Com a mudança constante dos mercados nacional e internacional e com os produtos de sucesso passando a ser copiados com facilidade, somados à necessidade de se reinventar, a Peccin partiu para outro desafio. "Foi então que iniciamos a produção de chocolates onde há, apenas, grandes ou pequenos - estes que fabricam ainda mais de maneira artesanal", comenta o presidente da Peccin, Dirceu Pezzin.
"Os consumidores querem algo a mais que chocolate, e nós apresentamos o Trento, produto que contém chocolate, e não simplesmente chocolate", completa o executivo da empresa, que, somente em 2017, colocou sete novos produtos nas gôndolas de todo o País. A Peccin completou mais de seis décadas e produz 190 toneladas de doces por dia em um parque industrial de 15 mil metros quadrados, em Erechim.
JC Empresas & Negócios - Como está sendo gerir uma empresa em um país que vive um quadro econômico incerto?
Dirceu Pezzin - É verdade que as transformações foram muito grandes. Mas, de qualquer forma, nós crescemos, nos desenvolvemos e apostamos no mercado exportador. De repente, houve aquelas confusões em 2007, 2008, quando surgiram questões de câmbio gerando problemas relacionados a algumas empresas e nós sentimos a necessidade de nos resguardar. Então começamos a mudar de estratégia, de não trabalhar tanto numa escala tão grande e com produtos de valor agregado menor. Foi quando acabamos retirando da fábrica linhas de produção de itens dessa natureza e passamos a fazer algo mais sofisticado na área de balas, como a Frutomila e o chiclé Blong, com recheios mais primorosos e que não têm muita concorrência. Além disso, partimos para o chocolate. Mas eu diria que nos últimos anos, principalmente enquanto estivemos nessa crise, esses três anos de Brasil, bem tumultuados, a Peccin passou longe dela. E mesmo com a dificuldade em todos os mercados, como um todo, a Peccin continuou crescendo, sempre amparada em muito trabalho.
Empresas & Negócios - E de quanto foi esse crescimento?
Pezzin - Nos últimos três anos, ápice da crise no País, avançamos de 15% a 20% ao ano. E estamos mantendo, dentro disso, uma previsão de aumento de 20%, ou seja, nos últimos cinco, seis anos, nossa escala de crescimento foi sempre de dois dígitos. Também estamos sempre atentos à distribuição, porque isso ajuda em um mercado estabilizado, pois não há muito o que se fazer a não ser inovar meios de chegar ao consumidor. Mas como se dribla uma crise? Abrindo mais mercado? Mas e no mercado brasileiro, como fazer? Formas diferentes de distribuir e chegar até o consumidor. E foi nesse sentido que investimos pesado em mídia, em marketing, em ponto de venda e distribuição de produto. Então é um trabalho assim: vou buscar um caminho a mais, porque com os mesmos clientes esse mercado não vai expandir.
Empresas & Negócios - E qual seria a inovação?
Pezzin - Nosso chocolate é 55% de cacau, para quem procura um produto com menos açúcar. Mas todo o chocolate da Peccin possui teor de cacau mais alto que os demais do mercado. Normalmente, este setor trabalha com 25%, 26% ou 27% de sólidos de cacau. A Peccin, no entanto, na busca por fazer um produto melhor para ser notado, aumentou o teor de cacau, o refino do chocolate, produzindo o próprio chocolate e desenvolvendo um alimento semelhante ao europeu, que trabalha com 32% de cacau, ainda que nós tenhamos começado com 38%.
Empresas & Negócios - Como o chocolate da Peccin foi recebido pelo consumidor?
Pezzin - Neste momento, o Trento tem sido um case e está respondendo, inclusive, por cerca de 20% a 25% da receita. Mas, quando falamos em chocolate, também abrange o Crock Roll e o Quattro; então essa fatia passa a ser cerca de 30% do faturamento da empresa.
Empresas & Negócios - A Páscoa passou a ser uma data importante para a empresa?
Pezzin - Nós não estamos tão concentrados em Páscoa, porque não fazemos ovos, o símbolo da data, por isso é um período que vendemos menos chocolate. Nosso foco está no candie barra, ou seja, na porção, no dia a dia, aquela que se consome sempre, através de uma barrinha, e não um barrão. Nós não queremos fazer barra de chocolate tradicional. Fazemos porções para consumo e satisfação de um momento. Mas eu diria que nossas vendas neste período começaram a crescer, por conta de uma migração. As pessoas passaram a sair um pouco do ovo e estão presenteando com barras ou caixinhas. O poder aquisitivo está menor e, ao mesmo tempo, abre-se uma oportunidade de atender a parcela de consumidores que costumam adquirir pequenos presentes em várias porções de chocolates, por exemplo. Então pode-se dizer que o nosso nicho já é uma tendência.
Empresas & Negócios - As exportações são representativas?
Pezzin - Exportamos para aproximadamente 60 países, nos cinco continentes, parcela responsável por 20% da produção da Peccin, uma ação bem pulverizada. Mas é isso, o mundo está fazendo constantes exigências, e nós estamos sempre buscando nos situar à frente; porque, se estagnarmos um pouquinho, perdemos oportunidade de negócios. Então corremos muito para ficar no mesmo lugar e corremos um tanto mais para ficar um mínimo na frente. Somos entusiasmados pelo que fazemos e, inclusive, internamente, costumamos brincar que nosso slogan é "produzimos momentos felizes".
Empresas & Negócios - Quais os planos para 2018?
Pezzin - Devemos investir mais e estamos com projetos de ampliação de fábrica, novos produtos e, assim, continuar mantendo um crescimento de 20%. Também teremos inovações, que é a nossa característica. O mercado e o consumidor estão sempre ávidos a buscar algo diferente e nós permanecemos lutando para atender essa demanda aliada sempre à qualidade. De um modo geral, o grande segredo da continuidade do futuro é a consciência de produzir com excelência para entregar o melhor.
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