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Porto Alegre, domingo, 12 de novembro de 2017.

Jornal do Comércio

Empresas & Negócios

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finanças

Notícia da edição impressa de 13/11/2017. Alterada em 12/11 às 21h08min

De olho nas maquininhas

Novas empresas, como as fintechs, correm para ficar com uma fatia desse bolo

Novas empresas, como as fintechs, correm para ficar com uma fatia desse bolo


/MARCOS NAGELSTEIN/JC
As compras com cartões de débito e crédito somam mais de R$ 1,1 trilhão ao ano e devem passar a responder por 40% dos pagamentos no Brasil em 2026, avançando sobre aqueles com dinheiro em espécie - a fatia atualmente do meio magnético é de 31%. De olho nesse mercado, novas empresas correm para ficar com uma fatia desse bolo, inclusive as fintechs (startups que atuam na área financeira). E essa maior concorrência começa a mudar o setor de meios de pagamentos eletrônicos.
As empresas que capturam essas transações, seja na presença de um cartão físico ou em operações virtuais, via internet, são conhecidas como adquirentes ou credenciadoras, já que são elas que conectam os estabelecimentos comerciais à rede de aceitação das bandeiras de cartões (American Express, Elo, Mastercard, Visa).
Vitor França, consultor da Boanerges & Cia, lembra que esse mercado apresenta margens elevadas, o que estimula a entrada de novas concorrentes, em especial após mudanças regulatórias por parte do Banco Central (BC) que deram um fim aos acordos de exclusividade entre as adquirentes e as bandeiras (a Elo, por exemplo, só era aceita nas máquinas da Cielo). "Há um potencial de crescimento dessas operações fora dos grandes centros. Os meios eletrônicos devem tomar espaço do dinheiro nos próximos anos e há espaço para novas empresas, que exploram nichos que eram menos atendidos", diz o consultor.
Essa presença de novos participantes já começou a mudar a cara do setor. Até 2010, esse mercado era dominado basicamente por Cielo (Banco do Brasil e Bradesco como sócios) e Rede (Itaú). No entanto essas empresas estão perdendo participação de mercado. Segundo levantamento da Boanerges, a fatia da Cielo passou de 55% para 54% em um ano e a da Rede, de 36% para 34%. Já a Getnet (Santander) subiu de 9% para 12% e pretende chegar a 15% até o fim do ano.
Pedro Coutinho, presidente da Getnet, afirmou que a ideia é conquistar novos clientes com o uso da inovação, ou seja, a criação constante de novos produtos e serviços que podem ser ou não integrados a outros produtos do banco. "Fomos para o Tecnopuc (centro de tecnologia da Pucrs) para dar velocidade aos nossos projetos. Essa agilidade nos mantém mais próximos dos clientes", afirma, acrescentando que a retomada do crescimento ajuda nesse processo. "O País crescer é essencial para a bancarização."
No espaço dentro da Pucrs, onde estão presentes empresas como Dell e HP, trabalham menos de 100 funcionários dos mais de dois mil da GetNet. No entanto, são eles os responsáveis por criar novos produtos ou adaptar os já existentes. Um deles é o aplicativo de relacionamento do cliente (lojistas e profissionais liberais) com a empresa. Além de resolver questões práticas, como pedir a antecipação de recebíveis, o lojista tem acesso à média de vendas dos seus concorrentes na região - se estão baixas, ele pode ajustar os preços para atrair novas vendas, por exemplo.
Olhar novos participantes também faz parte desse processo de inovação. A GetNet passou a vender máquinas de captura de transação no mês passado, chamada de "Vermelhinha", em modelo semelhante ao feito pela PagSeguro, do UOL, que tem a "Moderninha". França lembra que esse modelo levou para os meios eletrônicos de pagamento profissionais liberais e vendedores autônomos, que preferem comprar um equipamento em parcelas inferiores a R$ 80,00 a pagar aluguel das máquinas tradicionais, que superam os R$ 100,00.
Esse mercado em crescimento, e que demanda por inovação, tem atraído também as fintechs. Das 247 monitoradas pelo Fintechlab, uma parcela de 32% atua na área de meio de pagamento. Em sua grande parte, elas prestam algum serviço específico ao cliente, enquadrando-se na figura de "subadquirente".
Um desses casos é a Paggi, que além da captura de transações, oferece serviços integrados aos clientes, como juntar os caixas das vendas físicas com a operação virtual e fazer operações de rotina, como fechamento de caixa. "Conseguimos atuar de forma mais customizada, o que as grandes empresas não conseguem", explica Maurício Valim, presidente da Paggi.
Como exemplo, ele cita a possibilidade de oferecer a um restaurante não só um sistema de captura de transações, mas também que forneça a opção de incluir CPF na nota fiscal ou fazer a divisão da conta entre o número de clientes da mesa ou o fechamento de uma parcial (quando só uma parte dos clientes da mesa faz o pagamento). "Uma startup é mais ágil para fazer essa customização. Tem muita empresa querendo soluções diferentes, e isso dá espaço para o crescimento de todos", argumenta.
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