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Porto Alegre, quinta-feira, 05 de outubro de 2017. Atualizado às 00h01.

Jornal do Comércio

Opinião

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Notícia da edição impressa de 05/10/2017. Alterada em 04/10 às 19h35min

Cínicos unidos pela corrupção

João Derly
Aécio Neves (PSDB) não deveria estar no Senado há meses. Se tivesse o mínimo de dignidade, estaria trabalhando na sua defesa, porque é um direito alienável dele, fora do Congresso Nacional desde que as denúncias se tornaram praticamente irrefutáveis. Mas teima em permanecer.
Para completar o quadro de falta completa de pudor, ameaça, junto com aliados de várias matizes, descumprir a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que o afasta do mandato de senador e determina o seu recolhimento noturno. Tal decisão do STF gerou uma reação cínica e inacreditável dos políticos, principalmente daqueles envolvidos na Lava Jato.
Uma das repercussões imediatas foi o movimento do presidente Michel Temer (PMDB) para mobilizar sua base no Senado com o objetivo de salvar a pele do aliado.
E não surpreende que o PT, de Lula e Dilma Rousseff, também tenha se juntado na defesa. Quando se trata de tramar contra a Lava Jato, PT, PMDB e PSDB estão juntos faz tempo. Porém, nada disso que está acontecendo pode ser considerado natural. Que país é esse onde o presidente da República mobiliza senadores e incita-os a descumprir uma decisão da Suprema Corte? Isso é inconcebível no Estado Democrático de Direito. Tal atitude joga o País no abismo da impunidade e da desfaçatez.
Mas a situação se explica pela situação do próprio Temer, também envolvido em denúncias. O presidente precisa do PSDB de Aécio para não deixar seu governo naufragar na Câmara, onde tramita contra si denúncia por corrupção e formação de quadrilha. Sem apoio político, é o próprio Temer que volta para casa sem cargo.
Então eles (Temers, Aécios e Lulas) se agarram ao poder e até se aliam para manter cargos. Negam a corrupção com um cinismo hollywoodiano.
Enquanto isso, saturados de tantos escândalos, os brasileiros não vão às ruas por não crerem mais em solução. Mas não custa repetir: a união dos afogados na lama não pode vencer a esperança dos brasileiros de boa índole. É preciso resistir.
Deputado federal (Rede)
 
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