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Porto Alegre, terça-feira, 10 de outubro de 2017. Atualizado às 23h35.

Jornal do Comércio

Internacional

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Espanha

Notícia da edição impressa de 11/10/2017. Alterada em 10/10 às 19h58min

Independência é declarada, mas Catalunha quer diálogo

Barcelona tem 'tratorada' em apoio à separação da região

Barcelona tem 'tratorada' em apoio à separação da região


/JORGE GUERRERO/AFP/JC
O presidente da Catalunha, Carles Puigdemont, discursou, nesta terça-feira, em sessão do Parlamento regional, na qual declarou a independência da Espanha, mas pediu suspensão dos efeitos do processo de separação durante algumas semanas para que se abra uma via de diálogo com Madri. A manobra, no entanto, parece ter apenas adiado o caos institucional espanhol. Não estão claros quais serão os próximos passos do governo regional por sua separação.
Ainda nesta terça-feira, legisladores catalães assinaram um documento sobre a independência. Puigdemont, foi o primeiro a assinar o documento intitulado "Declaração dos Representantes da Catalunha".
O plebiscito de 1 de outubro, que pode servir de base à declaração unilateral de independência catalã, teve 90% de votos no "sim", mas apenas 43% de participação. "Não somos uns delinquentes. Não somos uns loucos. Não somos uns golpistas. Somos gente normal que esteve disposta a todo o diálogo necessário", afirmou Puigdemont ao Parlamento.
O país e a comunidade internacional aguardam agora, ansiosos, a reação do Estado espanhol. O premiê conservador, Mariano Rajoy, pode utilizar o artigo 155 para suspender a autonomia parcial já existente na Catalunha e convocar eleições na região. Ele pode também pedir a detenção de Puigdemont.
Não existe nenhum cenário aparente em que esse conflito se dissipe com facilidade. Caso não reaja, Rajoy arrisca fortalecer o movimento separatista. Se utilizar a força, alimentará também os quem defendem a secessão - que terão a prova de que são reprimidos por Madri.
Mesmo acionando o artigo 155, Rajoy não tem garantias de estabilidade. Partidos separatistas catalães já anunciaram seu boicote a eventuais eleições antecipadas.
Durante o discurso de Puigdemont, do lado de fora da casa, colunas de tratores convergiram, formando uma "tratorada", espécie de armada catalã, à espera da declaração de independência. O movimento, apesar de festivo, era consciente da gravidade do momento. "É um dia importante", diz Pol López, de 42 anos, sentado em seu trator. "O presidente está arriscando seu próprio futuro pela gente. Ele pode ir à prisão pelo povo catalão."
A Catalunha já tem uma série de liberdades, como seu próprio Parlamento e polícia. Mas uma sucessão de vitórias políticas deu força a partidos separatistas, que aceleraram nestes anos seu projeto de independência.
Há diversos argumentos para a separação, incluindo a cultura e a economia. Catalães falam uma língua própria e têm uma história particular dentro da unidade territorial espanhola.
No campo econômico, a separação é justificada pela pujança catalã. A região corresponde a 20% do PIB espanhol - hoje de US$ 1,2 trilhão -, e líderes independentistas afirmam que uma Catalunha independente poderia crescer ainda mais.
 
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