Amanda Steinhaus passou três anos desempregada, até que criou a marca própria de camisetas Amanda Steinhaus passou três anos desempregada, até que criou a marca própria de camisetas Foto: /FREDY VIEIRA/JC

As camisetas empoderadas de Dois Irmãos

Vista Bem Caminhoneira foi lançada em outubro mirando o País

Corpo tomado por tatuagens, cabelos raspados e uma personalidade forte. Esses são alguns dos motivos creditados por Amanda Steinhaus, 21 anos, para seus três anos no desemprego. E são essas mesmas características que potencializam seu trabalho atualmente. Cansada dos frequentes "nãos" em entrevistas, a jovem e sua amiga, Bruna de Marte, 19, criaram a loja de camisetas estampadas Vista Bem Caminhoneira.
Amanda sempre teve afinidade com moda e desejava trabalhar no ramo. "Ainda pretendo fazer um curso de produção", ressalta. Desde cedo, ela curte criação e customização de tecidos. Sua mãe, aliás, tem uma empresa de sacolas de pano customizadas. "Cresci nesse meio e, por isso, tive a ideia de estampar camisetas."
As sócias de Dois Irmãos apostam no conceito de empoderamento. Os modelos da marca contam com dizeres de valorização feminina e orgulho LGBT. "Gostamos de frases que afrontem, que tu chegues no lugar e as pessoas te notem. Coisas que as pessoas gostariam de falar para sociedade e estão estampadas ali", comenta Amanda. Os desenhos são feitos a mão ou em programas de computador.
Amanda e Bruna começaram a produzir as camisetas no início de outubro e, em duas semanas, foram mais de 20 encomendas em Porto Alegre, Região Metropolitana e outros estados. As camisetas são compradas lisas pela dupla em uma loja de Novo Hamburgo.
A dedicação das meninas é exclusiva ao negócio. Pela manhã e à tarde encontram clientes e fazem as entregas - pessoalmente ou pelos Correios. À noite, acontece o processo de customização.
Antes de colocar os planos em prática, Amanda e Bruna tiveram de juntar as economias para a compra da máquina de estampas. Pelo fato de as duas estarem desempregadas, o processo foi mais complicado.
"Eu vendi o meu quarto inteiro. Minha cama, meu roupeiro, tudo que eu tinha. Durmo hoje num colchão no chão e com a máquina para estampar do lado", expõe Amanda.
O valor das camisetas varia entre R$ 30,00 e R$ 38,00, e as vendas ocorrem pelo Instagram (@vistacaminhoneira). Segundo Amanda, os resultados e a resposta que recebem são motivantes. E as empreendedoras já foram convidadas até para expor suas produções em uma festa de Porto Alegre.
Como qualquer início de negócio, as sócias usam metade do lucro para reinvestir na empreitada.
E, embora os desafios sejam recorrentes, Amanda se diz realizada e um tanto aliviada. "Minha mãe me ajuda bastante e ela ficou muito feliz porque eu finalmente tenho um trabalho", diverte-se.
Bruna e Amanda têm mais projetos para o futuro. Um deles é a abertura de uma loja física. "Queremos comprar uma kombi no ano que vem e colocar a lojinha na estrada. Ir para vários estados vender", prevê. A poupança já está sendo formada para que a nova aventura comece a, literalmente, rodar o mais breve possível.
/REPRODUÇÃO/JC

Você sabia?

*O setor têxtil brasileiro é considerado um segmento forte da economia brasileira, que gera empregos formais e possui alto faturamento.
*Esse setor pode ser divido em dois grandes segmentos: um voltado para a moda, isto é, vestuário e outro voltado principalmente para produtos do lar, conhecido como cama, mesa e banho. Assim, uma confecção de camisetas se encontra no segmento de vestuário.
O segmento da moda e vestuário no Brasil está em plena fase de expansão e se caracteriza por ser altamente demandante e extremamente diversificado, propiciando um ambiente apropriado para o surgimento e desenvolvimento de micro e pequenas empresas.
*As perspectivas para o setor têxtil e de confecção são positivas no Brasil, com projeções da ordem de 6% na indústria de transformação, 4% no setor têxtil, 3,7% no de confecção e de geração de mais de 40 mil novos postos de trabalho em 2011.
*Somente no ano de 2010, a indústria têxtil do Brasil faturou mais de R$ 50 bilhões. A distribuição da produção brasileira aproxima-se do padrão chinês, que é de 65% para o vestuário, 23% para a linha lar e 12% para têxteis industriais. (ABIT, 2010; CONSENZA e ROSA, 2006)
*A produção de camisetas se destaca por ser um item de vestuário de larga aquisição e de grande sucesso entre os mais variados tipos de consumidores. Todos os anos no Brasil são consumidos milhões de peças, e estas condições econômicas favoráveis fazem com que o consumo desse artigo aumente cada vez mais, tornando o mercado desse segmento altamente atrativo.
*O empreendedor que pretende entrar no negócio, precisa elaborar, previamente, um plano de negócio bem estruturado voltado especificamente para o segmento de confecção de camisetas, de forma a reunir informações fundamentais para viabilizar o sucesso do novo negócio e a conquista de sua fatia no mercado selecionado.

Fonte: SEBRAE
Compartilhe
Seja o primeiro a comentar

Publicidade
Newsletter

HISTÓRIAS EMPREENDEDORAS PARA
VOCÊ SE INSPIRAR.

Receba no seu e-mail as notícias do GE!
Faça o seu cadastro.





Mostre seu Negócio