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Porto Alegre, quinta-feira, 26 de outubro de 2017.

Jornal do Comércio

Economia

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Sistema financeiro

Notícia da edição impressa de 26/10/2017. Alterada em 26/10 às 14h29min

Apesar de ganharem espaço, criptomoedas não são para aventureiros

Debate no JC levantou pontos importantes sobre a moeda virtual

Debate no JC levantou pontos importantes sobre a moeda virtual


/MARCO QUINTANA/JC
Patricia Knebel
Criada em 2008, logo após o colapso do sistema financeiro norte-americano, o Bitcoin (BTC) é, hoje, a mais badalada entre as cerca de 700 criptomoedas existentes no mundo. Nos últimos meses, tem despertado ainda mais a atenção das pessoas em função da sua alta valorização.
Como experiência, pode ser interessante comprar algumas moedas - ou uma fração delas, já que 1 Bitcoin hoje vale mais de R$ 18 mil. Porém, se a ideia é ganhar dinheiro com bitcoin, o caminho é longo, alerta o economista e pesquisador da Fundação de Economia e Estatística (FEE) Guilherme Stein. "O Bitcoin não é aquela fórmula que vai te fazer ficar rico da noite para o dia. Para fazer um investimento, você tem que se informar e entender os mecanismos", sugere. Ao lado do mestre em Informática Aplicada e consultor em modelo de negócios Fausto Vanin, ele participou, na terça-feira, do Economia em Pauta - as criptomoedas e a livre geração de valor, evento realizado na sede do Jornal do Comércio (JC) em parceria com o Corecon-RS.
A volatilidade da moeda digital é alta. Um dia, pode estar valendo R$ 10 mil e, no outro, R$ 18 mil. Ou seja, se a ideia é usar o BTC como investimento, é preciso estar disposto a uma oscilação grande. "O preço está tão alto agora porque está incorporando a expectativa das pessoas em relação ao quanto essas moedas poderão ser usadas no comércio para comprar e vender produtos", diz Stein.
As transações de BTC somam cerca de US$ 100 bilhões - mais de R$ 310 bilhões, com emissão de mais de 16 milhões de bitcoins. Quem tem a moeda hoje para investimento, em sua maioria, está esperando a valorização. Mas o volume de transações ainda é pequeno. "Ainda é um modelo que está no começo, e pode acontecer uma série de coisas que faça o preço ir para baixo. Tem muita volatilidade. Para quem é avesso ao risco, fica complicado investir em bitcoin", alerta o economista.
Vanin concorda que é preciso ir com cautela. Segundo ele, as criptomoedas trazem muitas coisas novas, mas também mantêm outras tradicionais. "Quem dita o valor é a relação entre a oferta e a procura. Então, quem não estava nem acostumado a investir em papéis, tem que ir com calma também com as criptomoedas", sugere.
O cuidado é ainda mais importante porque, neste caso, não existe a figura do intermediário. Cada pessoa é responsável pelos seus dados e pelo seu dinheiro. Se a pessoa colocar dinheiro na sua wallet e perder a senha, não tem a quem recorrer. O mesmo vale se as suas chaves forem hackeadas ou se a pessoa colocar os dados em um pen drive e perder. "Cada um responde por si. É preciso ter essa noção", relata.
O sócio Advisor da FoxBit, Marcos Henrique, diz que BTC é um investimento de alto risco e recomenda a moeda como diversificação de portfólio. "Se a pessoa tem alguma aplicação com juros pouco atrativos e quer arriscar mais, o BTC entra como opção", diz. A fintech atua como uma bolsa de bitcoins, na qual os vendedores encontram compradores, as chamadas exchanges.
No caso de leigo, antes de investir, o ideal é que ele pense qual a soma financeira que pode ser colocada como investimento de risco. Se ele tem R$ 500 mil em bens, talvez investir R$ 20 mil em bitcoins pode ser algo viável. De qualquer forma, Henrique alerta que o Bitcoin deve ser pensado como um investimento de médio e longo prazo. "Não adianta comprar no final de 2017 porque em fevereiro de 2018 ele quer viajar. Em um planejamento financeiro, o ideal talvez seja comprar e guardar por dois ou três anos, quando aí começará a ter potencial de valorização", sugere.
>> Assista ao vídeo da transmissão do JC do painel sobre criptomoedas e geração de valor:

Moeda virtual exerce um fascínio no mercado

O fascínio em torno das moedas digitais é grande. Esse modelo de transação elimina a figura dos bancos, permitindo que as pessoas transacionem recursos entre elas, de forma descentralizada. Um indivíduo que more nos Estados Unidos e quer mandar dinheiro para a sua família na Índia, por exemplo, pode fazer isso sem usar uma instituição financeira e sem prestar contas a ninguém. A validação de cada transação é feita por um consenso coletivo de milhares de computadores interligados.
Para quem está curioso em saber como é ter alguns bitcoins, o primeiro passo é a criação de uma carteira digital em um dos diversos sites disponíveis no mercado para isso ou no
smartphone, considerado o modelo mais simples.
Para comprar bitcoins, é possível escolher entre duas opções. Uma delas é escolher uma exchange, como a FoxBit, uma das mais atuantes do Brasil. Nesse caso, a pessoa cria um usuário na plataforma, com identificação completa, e deposita os reais nas contas bancárias que a empresa oferece, como do Bradesco e da Caixa Econômica Federal. Feito isso, recebe aquele valor e basta dar uma ordem de compra. "Depois disso, o ideal é que o cliente armazene os bitcoins na wallet anteriormente criada, em empresas específicas", explica o sócio Advisor da FoxBit, Marcos Henrique. A startup se remunera com algumas taxas cobradas.
Também é possível optar pelo modelo Peer-to-Peer, em que as pessoas transacionam diretamente entre elas. Nesse caso, Henrique explica que o comprador precisa buscar quem vende. "Existe risco nesse modelo, por isso é importante que a pessoa saiba de quem está comprando, para não correr risco de não receber os bitcoins", alerta.

Blockchain oferece grandes oportunidades em negócios

Muito se fala nas criptomoedas, mas é o blockchain, uma infraestrutura cuja importância é comparada à da internet, que parece que vai ter a força de transformar o mercado nos próximos anos. Dados do Gartner apontam que o valor de negócios agregados pelo blockchain vai chegar a mais de US$ 176 bilhões em 2025, e ultrapassará os US$ 3,1 trilhões até 2030.
O blockchain é um conjunto de blocos encadeados e conectados um a um seguindo uma lógica matemática, ou seja, não são independentes. Também é chamado de Ledger ou livro de registros digital, no qual, uma vez validado um registro, este nunca mais poderá ser apagado.
A tecnologia nasceu junto com o Bitcoin e é a base para o funcionamento de qualquer criptomoeda, mas tem um potencial de aplicação em diversos mercados. O mestre em Informática Aplicada e consultor em modelo de negócios Fausto Vanin diz que o apelo é grande para todos os negócios que, de alguma forma, envolvem a ideia de cadeia de produção.
Isso porque é possível deixar registrado ali na plataforma, sem risco de alguém alterar, todos os dados do que acontece a cada momento. "No processo de exportação de um produto, por exemplo, as informações de todas as etapas ficam ali, evitando que algum elo dessa cadeia precise ficar esperando a informação chegar para o processo avançar", relata.
Há algum tempo, uma rede supermercadista global fez um projeto para rastrear a produção de carne suínas, o que possibilitou acompanhar toda a cadeia para saber exatamente a procedência das carnes. Também é possível criar uma rede blockchain entre os cartórios brasileiros, com controles de acesso. Se um cidadão estiver comprando um imóvel e registrar isso no blockchain, toda transação ficará registrada e não poderá nunca ser apagada, bem como dados do proprietário e a situação do imóvel.
"A ideia é que possamos desenhar soluções específicas para funcionar nesse modelo, trazendo as discussões sobre consenso e confiança para dentro do desenho de negócios da empresa", observa Vanin.

Bitcoin movimenta negócios na economia real

Na Expointer de 2017, tradicional evento do agronegócio no Sul do Brasil, um produtor comprou uma vaca e usou bitcoins (BTC) para pagar a conta. Quem chamou a atenção para o que pode ser uma das primeiras vendas de animais usando a moeda digital mais popular na atualidade foi o mestre em Informática Aplicada e consultor em modelo de negócios Fausto Vanin, para mostrar quanto o mundo das criptomoedas invade cada vez mais a economia real, mas mais ainda começa a mexer nas referências das transações. Leia mais
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