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Porto Alegre, terça-feira, 17 de outubro de 2017. Atualizado às 22h41.

Jornal do Comércio

Economia

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consumo

Notícia da edição impressa de 18/10/2017. Alterada em 17/10 às 21h22min

Idosos são novo filão da indústria e serviços

Brasileiros com mais de 60 anos serão 30% da população em 2050

Brasileiros com mais de 60 anos serão 30% da população em 2050


/MATEUS BRUXEL/ARQUIVO/JC
Guilherme Daroit
Alvos de pouco interesse do mercado no passado, os idosos estão se transformando nos novos queridinhos do consumo no Brasil e no mundo. Cada vez em maior número, tanto pelo aumento da expectativa de vida quanto pela queda da natalidade, que diminui o surgimento de novos jovens, a população com 60 anos ou mais virou um nicho de grandes oportunidades para a indústria e o varejo, que tiveram de correr para se adaptar aos desejos desse público.
"A nova terceira idade pegou o mercado do marketing desprevenido, pois não estava preparado para atendê-la", analisa Martin Henkel, fundador da consultoria SeniorLab. Pesquisas apontam, segundo Henkel, que, mesmo representando 19% do consumo de bens no Brasil (e 21% no Rio Grande do Sul), 85% dos idosos se sentem mal atendidos por produtos e serviços. "Estão com mais saúde, sensação de felicidade maior e geralmente possuem uma renda garantida, com alto potencial de consumo", continua o consultor.
O despertar não vem apenas da situação presente, claro, na qual jovens e adultos ainda são muito mais numerosos, mais do que as pessoas com mais de 60 anos de idade, mas também do potencial para os próximos anos e décadas. Hoje representando 13% da população, a projeção é de que os brasileiros com mais de 60 anos sejam 30% em 2050. "Essa mudança já está acontecendo", acrescenta Henkel, utilizando outro indício mais palpável. Segundo as projeções do IBGE, já no ano que vem, o estrato populacional de mulheres entre 60 e 64 anos (2,84%) será maior do que as mulheres de 0 a 4 anos (2,81%). "No futuro, o Dia das Crianças vai perder para o Dia dos Avós", brinca o consultor.
Boa parte da atenção do mercado vem da área da saúde, com novas vacinas, exames preventivos, diagnósticos e medicamentos, mas não se resume a isso. "Observo, há anos, uma demanda crescente de idosos por qualidade de vida, ouvindo queixas de como é difícil achar coisas com qualidade e bom gosto, como existem para os jovens", complementa a médica geriatra Elaine Beuren. Há demanda por melhorias nas casas, mas também por estabelecimentos adaptados, segundo Henkel. Em uma pesquisa da SeniorLab que buscava entender qual o hobby dessa geração, as principais respostas foram atividades como assistir televisão, caminhar e viajar - prova, para o consultor, de que os novos idosos querem usufruir de seu tempo. "Produtos têm que ser simplificados. Para eles, menos é mais, não porque não saibam usar, mas porque não querem perder tempo", defende Henkel.
Ambos os especialistas participaram ontem, na Capital, do lançamento da Geronto Fair, feira que será voltada ao mercado da terceira idade e terá sua primeira edição entre 3 e 5 de setembro de 2018, em Gramado. Organizada pela Merkator, promotora de feiras calçadistas como a Zero Grau e o Sicc, o evento promete ser o primeiro específico do nicho no País. Inicialmente, serão convidados expositores de diversos segmentos, de bancos à indústria da saúde, passando pela indústria automobilística, com um público exclusivo de profissionais (médicos e varejistas, por exemplo). "Teremos a oportunidade de reunir essa cadeia aqui no Estado e, a partir daí, começar a surgir uma nova dinâmica", argumenta o diretor da Merkator, Frederico Pletsch.
 
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