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Porto Alegre, quinta-feira, 12 de outubro de 2017. Atualizado às 23h21.

Jornal do Comércio

Economia

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Mercado de Capitais

Notícia da edição impressa de 13/10/2017. Alterada em 12/10 às 22h48min

Venda de ações do Banrisul é cercada de incertezas

Sem oferecer controle do banco, não haveria interesse no papel ON

Sem oferecer controle do banco, não haveria interesse no papel ON


JONATHAN HECKLER/Arquivo/JC
Thiago Copetti
A venda de ações do Banrisul anunciada pelo governador José Ivo Sartori no início deste mês ainda tem, até a concretização do negócio, um longo caminho. Além da cotação das ações em queda e da incerteza sobre o interesse dos investidores na compra sem a venda do controle acionário, o mercado sinaliza que o governador José Ivo Sartori possa enfrentar outros problemas até dezembro, quando o negócio tem previsão de se concretizar.
Analistas de mercado não descartam até mesmo a possibilidade de que o governo possa retroceder na oferta caso os valores dos papéis sigam em queda, o que não é um fato a ser desconsiderado. No caso das ações BRSR6, apenas na quarta-feira (11 de outubro) a queda foi de 3,35%, finalizando o pregão abaixo da barreira dos R$ 15,00 (esteva acima de R$ 17,00 antes do anúncio). O governo espera captar algo próximo a R$ 3 bilhões com o negócio.
O valor final da venda só será conhecido ao fim de todo o processo, já que é o mercado quem sinalizará, durante o road show para investidores, quanto está disposto a pagar pelos ativos. Analistas de mercado, como Débora Morsh, uma das gestoras da Zenith Asset, porém, não acreditam que esse valor será alcançado. Já o governo se embasa no valor das ações ON (ordinárias), que, na quarta-feira, estavam cotadas na B3 em R$ 25,44, queda da 6,47%, para fazer o cálculo. "Ninguém vai pagar o valor das ações ON para não ter o controle. Não creio que o governo consiga fechar nem R$ 2 bilhões. Por que um investidor pagaria R$ 25,00 em vez de R$ 15,00 se os benefícios das duas ações, desconsiderado o controle, praticamente não existem?", questiona Débora.
A analista avalia que, se vendesse o controle do banco, o Estado conseguiria três vezes seu valor patrimonial, obtendo próximo de R$ 12 bilhões. Para Débora, se negociar o banco por um valor muito baixo, o governo poderá inclusive responder por improbidade administrativa por estar se desfazendo de um bem por menos do seu valor patrimonial. "O governo gaúcho pode estar fazendo a pior venda de ações na história do setor bancário brasileiro", alerta a analista.
De acordo com Leandro Ruschel, sócio-fundador do Grupo L&S, como o governo quer fazer caixa, "venderá pelo preço que o mercado pagar, cujo valor não deve ser muito diferente do atual". Já Laís Fracasso, analista da Fundamenta, diz que existe a possibilidade de o governo retroceder na oferta, e que isso costuma ocorrer quando uma empresa faz o anúncio, mas o preço final das ações é ruim. "Mas, como no caso do Banrisul quem está vendendo é um governo que precisa muito de dinheiro, acho que deverá aceitar mesmo um valor inferior ao atual", explica a especialista.
O tempo até a efetivação da venda, prevista para dezembro, pode estar contando contra os interesses do governo. Presidente da Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais/Extremo-Sul (Apimec-Sul), José Júnior de Oliveira avalia que, neste período, caso ocorram muitos atos e movimentos de bancários e políticos contra a decisão de Sartori, o mercado pode entender que o banco seguirá sujeito a ações diversas, muitas greves e paralisações, por exemplo, o que tornaria o Banrisul (assim como outros bancos públicos) instituições menos rentáveis e atrativas para o investidor. "Não se pode descartar que esse tipo de ação promova ou aumente o desinteresse pelas ações do banco", diz Oliveira.
Procurado para falar sobre o assunto, o Banrisul se limitou a informar os próximos passos previstos para o processo (veja no quadro). Por estar em período de silêncio devido à proximidade da divulgação do próximo balanço trimestral (previsto para 13 de novembro), a instituição está impedida de se pronunciar sobre assuntos estratégicos, segundo regras da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
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