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Porto Alegre, terça-feira, 10 de outubro de 2017. Atualizado às 23h35.

Jornal do Comércio

Economia

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Agronegócios

Notícia da edição impressa de 11/10/2017. Alterada em 10/10 às 21h26min

Safra de grãos brasileira deverá ser menor em 2017/2018, afirma Conab

No milho, que sofre concorrência com a soja, é esperada redução na área de plantio

No milho, que sofre concorrência com a soja, é esperada redução na área de plantio


/ANDRé Netto/ARQUIVO/JC
A produção brasileira de grãos na safra 2017/2018, em fase de plantio, deve alcançar entre 224,1 milhões e 228,2 milhões de toneladas, o que representa um recuo de 4,3% a 6% em relação à safra passada 2016/17, de 238,5 milhões de toneladas. Os dados fazem parte do primeiro levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado nesta terça-feira.
As condições climáticas altamente favoráveis contribuíram para a safra passada alcançar recorde histórico. "Tais condições dificilmente se repetirão, por isso a expectativa de redução produtiva", informa a Conab, em comunicado.
A área plantada deve registrar manutenção ou um aumento de até 1,8% sobre a safra 2016/2017, podendo atingir números aproximados de 61 milhões a 62 milhões de hectares, "graças ao aumento do plantio de algodão e, sobretudo, da soja", estima a Conab.
A produtividade deve apresentar redução em praticamente todas as culturas. A previsão se baseia nas análises estatísticas das séries históricas e dos pacotes tecnológicos utilizados nos últimos anos, uma vez que recém-começou o plantio das culturas de primeira safra.
Soja e milho continuam como as principais culturas e devem responder por cerca de 89% do total produzido no País. A expectativa é de que a produção de soja alcance entre 106 milhões e 108 milhões de toneladas; e a do milho total, 93,5 milhões, distribuídas entre primeira e segunda safra.
A área para milho primeira safra, que sofre a concorrência do cultivo de soja, deve ser reduzida de 6,1% a 10,1% em relação a 2016/2017, o que vai se refletir na diminuição da área absoluta entre 336,3 mil e 552,5 mil hectares.
Já a soja, que, segundo a Conab, vem oferecendo maior liquidez e possibilidade de melhor rentabilidade frente a outras culturas, deve alcançar maior área para produção, com um incremento médio de cerca de 2,7% comparado à safra passada, entre 34,5 milhões e 35,2 milhões de hectares. Conforme a estatal, a safra de algodão em pluma deve ficar entre 1,61 milhão e 1,76 milhão de toneladas, representando aumento de 5,1% até 14,9% ante o período anterior.
A safra total de feijão está estimada entre 3,30 milhões e 3,35 milhões de toneladas. O resultado corresponde a uma queda 1,6% a 2,8% ante a safra 2016/2017. O Brasil colhe três safras anuais de feijão. A primeira safra da leguminosa está projetada entre 1,23 milhão e 1,27 milhão de toneladas (queda de 6,6% a 9,2%).
 

No Rio Grande do Sul, colheita das principais culturas pode cair de 5,6% a 7,9%

A safra 2017/2018 no Rio Grande do Sul poderá registrar redução de 5,6% a 7,9% em relação à anterior, de acordo com o primeiro levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). As principais culturas do Estado devem ter uma colheita de 33,4 milhões a 34,2 milhões de toneladas de grãos.
Segundo o presidente da Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado do Rio Grande do Sul (Fecoagro-RS), Paulo Pires, os números divulgados pela Conab para a safra de grãos do Rio Grande do Sul espelham um alinhamento com a realidade do que está se projetando para o ciclo 2017/2018 para as culturas da soja e do milho.
No milho, a queda na área plantada pode variar entre 7,6% e 16,4%. Com isso, a produção do grão deve cair entre 11,3% e 19,7%, ficando entre 4,84 milhões e 5,35 milhões de toneladas. Conforme Pires, este número ainda pode ser maior, já que, em algumas regiões, conforme os dados dos departamentos técnicos de cooperativas, a redução de área passa de 20%. "Acreditamos que a redução de área possa ser até maior, o que vai gerar esta queda de produção gaúcha do grão, o que é uma pena, pois se trata de uma matéria-prima estratégica para a produção de produtos de origem animal visando ao mercado interno e à exportação", salienta.
Em relação à soja, Pires acredita que deverá ser mantida uma estabilidade na área, que apresentou no estudo da Conab um crescimento entre 1% e 3%, mas com uma redução de potencial de produtividade que pode chegar a 8,3%. Para o presidente da Fecoagro-RS, o fato é normal, visto que, no período passado, foram excepcionais.
"No ano anterior, tivemos uma produtividade de 55 sacas por hectare e, neste ano, estão se prevendo 50 sacas por hectare. Foi essa produtividade muito alta no ano passado que proporcionou uma safra de quase 19 milhões de toneladas, não seria anormal termos números menores. A previsão para a produção de soja gira em torno de 17,33 milhões e 17,68 milhões de toneladas, redução entre 5,5% e 7,4%.

Falta de renda do produtor se reflete em menor intenção de plantio do arroz

Os números da Conab apresentam indícios de redução de área na cultura do arroz em todas as regiões do País. A constatação é do presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Estado do Rio Grande do Sul (Federarroz), Henrique Dornelles, que compara a situação brasileira com a do Paraguai - que, segundo ele, segue aumentando a sua área.
Dornelles afirma que também existe a expectativa de diminuição da produtividade devido à previsão de condições climáticas não favoráveis e à descapitalização dos produtores. "Isso demonstra que o cultivo de arroz no Brasil não está sendo rentável. E, com a forte queda dos preços em plena entressafra, a redução de área poderá ser ainda maior, isto porque em regiões onde é fácil a troca por outra cultura mais rentável, poderá ocorrer maior migração", observa.
De acordo com a Conab, a área de arroz no Brasil deve diminuir entre 1,3% e 0,3%, ficando a produção em torno de 11,75 milhões e 11,85 milhões de toneladas, redução entre 4,7% e 3,8% em relação à safra passada. Para o Rio Grande do Sul, a previsão é que a área cultivada com o cereal se mantenha em 1,1 mil hectares; e para a produção a expectativa é de uma queda de 3,6%, ficando em 8,4 milhões de toneladas. A produtividade também deve registrar queda de 3,6%.
O dirigente da Federarroz salienta que, no caso do Rio Grande do Sul, o Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) já apurou área de arroz inferior à considerada pela Conab. Dornelles avalia que, como os prognósticos não são favoráveis para o ano que vem, tudo indica que, mesmo com a relativa redução de área, não há expectativa de melhores preços para o próximo ano comercial, indicando que haverá uma forte queda de renda ao produtor para o período 2017/2018.
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