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Porto Alegre, quinta-feira, 05 de outubro de 2017. Atualizado às 22h00.

Jornal do Comércio

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Jaime Cimenti

Livros

Notícia da edição impressa de 06/10/2017. Alterada em 05/10 às 20h07min

Venturas e desventuras dos soviéticos

Detalhe da capa do livro

Detalhe da capa do livro


ALTA BOOKS/DIVULGAÇÃO/JC
Diz a piada - ou estória verdadeira - que o premiê russo Leonid Brejnev convidou a mãe, camponesa, para visitá-lo em Moscou. Mostrou os palácios, seu apartamento, casa de campo e o carrão. Ela, quieta, no domingo pediu para voltar, de trem, para alimentar as galinhas do sítio. Brejnev perguntou: "Mãe, o que achou de tudo?", e ela: "Querido, sempre soube da tua capacidade, não imaginei que fosses tão longe, parabéns. Mas não tens medo que venha o comunismo e te tire tudo isso?".
Os paradoxos da Revolução Russa (Alta Books, 156 páginas), de Paulo Fagundes Visentini, consagrado historiador e professor-doutor em História pela USP, com pós na London School of Economics, mostra a ascensão e queda do socialismo soviético (1917-1991) e traz novas teses sobre o stalinismo, as guerras e a queda da URSS. Visentini é titular em Relações Internacionais na Ufrgs, escreveu vários livros sobre História Mundial Contemporânea e, no ano em que se registra a passagem dos 100 anos da revolução de 1917, traz novas luzes sobre a mais impactante revolução do século XX.
Com erudição, profundidade, equilíbrio e linguagem acessível, o autor não analisa a revolução como boa ou má, como vencedora ou perdedora, de modo simplório ou maniqueísta. Nos mostra os ganhos e as perdas, as venturas e desventuras da experiência soviética e como até agora influencia o mundo. Uns dizem que as ideias socialistas não deram certo em país nenhum, outros apontam que o socialismo sobrevive de forma adaptada ao capitalismo. O tema é complexo, pede análises mais profundas, como pretende Visentini, que se ocupou, de modo científico, a examinar os grandes paradoxos da revolução russa.
No final, diz o autor: "Ainda hoje, um século depois da Revolução Bolchevique e 25 anos depois da dissolução da URSS e do fim do socialismo soviético, carecemos de conhecimento básico e de análises históricas mais objetivas. O silêncio e a manipulação prejudicam a compreensão da história mundial e do estabelecimento de uma identidade dentro da nova Rússia. Não se pode simplesmente apagar um longo período histórico nem deixar de buscar sua compreensão. E o fato de haver sido derrotada, não diminui seu enorme impacto histórico e político mundial, que já foi julgado por muitos e compreendido por poucos, em todos os seus paradoxos".
A mãe de Brejnev morreu preocupada. O guri se foi antes da queda, em 1982, deixando alguns anos dourados como lembrança.

lançamentos

  • Coriolano (Movimento/Edunisc, 264 páginas), drama político e freudiano-edipiano de William Shakespeare, tradução linear, introdução e notas do professor Elvio Funck, edição bilíngue, traz um dos instauradores da república romana. Coriolano, militar e grande guerreiro, mas dependente da mãe, discordou do Senado, achava que a plebe queria "pão e circo" e não deveria votar e se deu mal. Texto pouco lido e encenado no Brasil, é leitura obrigatória para nossos dias tumultuados.
  • Grafiteiro do avesso (Patuá, 166 páginas), do premiado jornalista, escritor, poeta, dramaturgo e tradutor montevideano Jorge Rein, prefácio de José Eduardo Degrazia, tem poemas sobre exílio, poesia, sexo, viagens, amor, vida e outras relevâncias. Versos como "insisto em que os exílios/são álibis perfeitos" ou "ao menos razoáveis circunstâncias/atenuantes do grau de gravidade/de todo idilicídio que cometo/quando te deixo estar / como uma ilha do poema Naufragar é preciso".
  • Essências e Geografias (Casa Verde, 176 páginas), da escritora e psicóloga Berenice Sica Lamas, autora de 16 obras em verso e prosa, e coautora em mais de 30, traz bem elaboradas crônicas sobre vivências, artes e viagens. Maria do Carmo Campos diz no prefácio: "Ao atender às demandas do seu eu profundo, Berenice vai ao encontro da vida e da arte, que se entretêm num processo recíproco e contínuo de sedução e espelhamento. Tudo flui nas crônicas".

Hélio Faraco de Azevedo e os moços

Nesse mundinho aldeia globalizada, pós-moderno e vale-tudo, com seus habitantes voláteis, suas relações líquidas, verdades com vida igual a um palito de fósforo e escassez de referências, virtudes e líderes, vem em boa hora a obra 12 verdades incontestáveis (Exclamação, 88 páginas), do consagrado advogado, professor, consultor jurídico Hélio Faraco de Azevedo, que teve o privilégio de nascer em Alegrete, modéstia à parte.
Dr. Hélio já publicou várias obras: Aspectos jurídicos da fiscalização financeira; Expressões do tempo; Francamente e discursos; e é casado com dona Nara há 63 anos, tem cinco filhos, nove netos e um bisneto e já recebeu muitas honrarias da Câmara dos Vereadores, Iargs, OAB e TST, entre outras entidades. Foi professor universitário, consultor jurídico do governo do Estado e atuou no Tribunal de Contas do RS e no Tribunal de Arbitragem do Mercosul.
Na apresentação, o advogado e professor universitário André Jobim de Azevedo escreveu: "O que o autor pretende, com clareza, é mostrar aos jovens de forma convincente, um norte do qual não lhes venha arrependimentos". A doutora Sulamita Alves Cabral, no prefácio, registrou: "Temos a certeza que, em qualquer época, especialmente no conturbado momento que o país atravessa, a leitura desta obra e a profunda reflexão que impõe, certamente, contribuirá para o enriquecimento dos leitores, iluminando novos caminhos".
Com força , com base em muitas leituras e décadas de experiência profissional, "saber das experiências feito" e através de uma linguagem clara e fluente, Dr. Hélio fala de oportunidade e educação para o crescimento pessoal; necessidade de modelo exportador; estado menos empreguista e mais voltado ao bem público; a crise moral e o Judiciário; liberdade de imprensa, a mãe das outras liberdades; inadimplência do RS; prática da democracia; importância dos professores; o direito adquirido e exageros; eleições e cidadania para democracia verdadeira; combate à pobreza do mundo e a casualidade e a sorte.
Como se vê, e sem medo de opinar e se posicionar, o autor aborda temas relevantes de nosso tempo e do Brasil, e nos convida a pensar em novos rumos e atitudes, justamente num momento em que nosso Estado sofre sua maior crise econômica e no qual nosso País atravessa crises ética, moral, política e econômica de tamanho amazônico. Não é pouca coisa e estamos mesmo carentes de ideias e soluções para os problemões que estão aí nos desafiando e fazendo com que milhares de conterrâneos tenham buscado o caminho do exterior para viver e trabalhar. É bom lembrar que crise, em um ideograma japonês, significa oportunidade.
Não por acaso, na capa do livro está uma fotografia em cores de um farol de adequadas e campeãs cores vermelha e branca. O autor pretende que os moços, principalmente, sigam a luz dele e busquem a verdade. Vermelho vivo vencedor e branco da paz são, realmente, estimulantes.
 

a propósito...

Vêm aí as eleições de 2018. Hora para refletir e buscar candidatos que se interessem mais pelo bem público do que por interesses privados. É examinar bem as fichas e escolher a dedo. Muitos estão pensando em votar em nomes novos, em quem não tem mandato ou que apresentem ficha limpíssima. Não é fácil, mas não é impossível. É só procurar bem. No Brasil tudo é possível, até o passado é imprevisível. Quem sabe Deus, o Papa Francisco, Nossa Senhora Aparecida, a Irmã Dulce e o Padre Cícero ajudem a dar um jeito nessa terra que o Ivan Lessa, lá de Londres, chamava de Bananão, mas que nós, com certeza, preferimos chamar de nação brasileira, onde vivemos, trabalhamos, amamos e sonhamos.
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