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Porto Alegre, domingo, 22 de outubro de 2017.

Jornal do Comércio

Empresas & Negócios

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Responsabilidade Social

Notícia da edição impressa de 23/10/2017. Alterada em 20/10 às 19h41min

Em busca de igualdade

Camila Silva
Promover o empoderamento das mulheres e equiparar o valor entre os gêneros é o desejo de muitas Organizações Não Governamentais (ONGs) e projetos que são voltados para as causas feministas. Mas como é possível desenvolver soluções nas esferas pública e privada? Foi para responder essa pergunta que a ONG Mulheres Brasil desenvolveu o projeto Plataforma Una, que consiste em um ecossistema de iniciativas para equidade de gênero e empoderamento da mulher.
O projeto foi iniciado há três anos. A iniciativa é da ONG Mulheres Brasil, Womanity Foudation e BrazilFoudation em parceria com o Instituto C&A. O objetivo inicial do projeto era incentivar as mulheres a empreender. A ideia de desenvolver a plataforma foi maturada durante dois anos, e, em março deste ano, a ideia foi iniciada.
Na primeira etapa do projeto, foi realizado um mapeamento do ecossistema de iniciativas para equidade de gênero em todas as esferas sociais. Essa etapa foi desenvolvida por meio de uma plataforma tecnológica que possibilitou o cadastro de organizações, empresas e iniciativas interessadas em integrar a plataforma. Essa etapa permitiu o desenvolvimento de uma análise de perfil das organizações para, assim, identificar as conexões entre elas.
Ao todo, 388 projetos se cadastraram na plataforma. Todos foram avaliados por especialistas em equiparidade de gênero. O objetivo da avaliação era encontrar destaques e particularidades de cada projeto.
No dia 17 de outubro, a sede da Câmara Americana do Comércio (Amcham - Porto Alegre) recebeu a reunião Plataforma Una, Roda Sul, composta por organizações e empresas dos três estados do Sul do Brasil. Soluções para equiparidade de gênero no setor público e privado foram abordadas no evento. À frente da roda estava Rachel Añón, integrante da empresa Ponte a Ponte, especialista em empreendedorismo socioambiental, que tem como um dos quatro pilares centrais a gestão de redes e parcerias. "Queremos compreender com esses encontros, como funcionam esses novos movimentos que estão surgindo, quais são as causas abordadas por eles e onde estão as causas que poucas pessoas estão atuando", destaca.
Entre os assuntos abordados sobre o setor privado, as palestrantes apontaram a diferença salarial entre homens e mulheres e a representação baixa do gênero feminino nos cargos de chefia. De acordo com levantamento do Ministério do Trabalho, as mulheres ocuparam, em 2016, 44% das vagas formais de trabalho, o que representa um crescimento de 3,2 pontos percentuais em relação a nove anos atrás, quando as mulheres representaram 40,8% do mercado formal.
Apesar de elevar sua participação no mercado de trabalho, estudos realizados em 2015 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontaram que, em média, a diferença de remuneração entre homens e mulheres é de 16%. Pesquisa do IBGE também aponta que a renda média mensal real do brasileiro foi de R$ 2.043,00 em 2016, mas os homens seguiam recebendo mais. Enquanto eles ganharam, em média, R$ 2.251,00, elas receberam R$ 1.762,00.
De acordo com Ana Carolina Tavares Torres, integrante da Comissão da Mulher Advogada da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), para mudar a situação, é necessário realizar estudos que comprovem a importância da diversidade no ambiente de trabalho. "Vivemos em uma sociedade capitalista, para promover a equiparidade de gênero no mercado, precisamos comprovar a influência da diversidade nos resultados de uma empresa."
Quanto à esfera pública, o principal ponto destacado pelas palestrantes é a necessidade de ampliar a participação das mulheres em cargos políticos. De acordo com uma pesquisa realizada pela Inter-Parliamentary Union, no Brasil, apenas 10% dos 513 deputados federais que compõem a Câmara brasileira são mulheres. Dos 193 países do ranking elaborado pela associação, o Brasil está em 154º lugar. Desde 2009, a lei eleitoral prevê que cada partido ou coligação deve reservar pelo menos 30% de suas vagas para as candidaturas de mulheres. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), para cada sete vereadores brasileiros existe uma vereadora.
As ideias sugeridas no encontro da plataforma na região Sul serão unidas com as outras rodas regionais. A partir disso, será desenvolvida uma plataforma on-line unificada e com fácil acesso, com informações relevantes e estratégias sobre iniciativas que lidam com questões relacionadas a gênero, bem como as relações entre elas, para fomentar interconexões e acelerar os resultados do ecossistema dos projetos integrantes. 
 
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