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Porto Alegre, domingo, 15 de outubro de 2017. Atualizado às 19h36.

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Notícia da edição impressa de 16/10/2017. Alterada em 13/10 às 19h47min

Cadê minha cidade?

REPRODUÇÃO INSTAGRAM TATIANA GAPPMAYER/DIVULGAÇÃO/JC
Samuel Lima
"Dorzinha no peito: lamentavelmente, não deu tempo de fotografar duas lindas casas antigas, vizinhas, que acabaram vindo abaixo, nesse sábado, no Petrópolis. O processo é rápido, fotografem!", escreveu Matheus Mombelli, 35 anos, numa das postagens da conta @AntesQueDesaparecam, no Instagram. A foto, em preto e branco, tirada por outra usuária do aplicativo e repostada por ele, mostrava um enorme pano que tapava metade da fachada de dois imóveis na rua Faria Santos, em Porto Alegre - que, ao que tudo indica, seriam demolidos.
Dono de uma produtora de vídeos na Capital, a Pitanga Filmes, Mombelli mudou-se, há um ano, do bairro Bom Fim para o Petrópolis. Veio com ele também o hábito de passear com o filho, Francisco, de 10 meses, no carrinho, pela vizinhança. Aos poucos, conta ele, começaram a chamar atenção alguns "tesouros arquitetônicos" da região, casas que datam de até 1930. Por outro lado, parecia óbvio o crescimento vertical da cidade, inclusive com novos terrenos à espera de uma nova e gigantesca moradia. "Meu esporte virou caçar essas casas e fotografar, por medo que fossem derrubadas e algum prédio tomasse o lugar delas", revela.
Resultado: Mombelli decidiu criar o projeto "Antes que desapareçam", uma conta colaborativa no aplicativo Instagram, que tinha 154 seguidores até a semana passada. A primeira postagem, uma casa de esquina na rua Professor Langendonck, aconteceu em junho deste ano. A ideia é incentivar os porto-alegrenses a observarem mais as ruas e registrarem a história da cidade por meio de suas construções. Para aparecer na conta, é preciso apenas postar a foto em sua conta pessoal, com a hashtag #antesquedesapareçam, ou enviar em modo direto ao usuário.
Para ele, deveria haver um maior esforço coletivo em preservar a história de Porto Alegre por meio da arquitetura, mas ele diz entender que é difícil para algumas pessoas não ceder à pressão do mercado imobiliário. "Elas poderiam receber algum tipo de incentivo da prefeitura, como no IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano)", sugere. A vantagem iria além da beleza e diversidade nas ruas. "Vizinhança com casas é mais segura, mais bonita para passear, mais sociável. Ter apenas muros e grades de prédios traz menos convivência e interação", argumenta.
A vontade de registrar a beleza do bairro e fazer as pessoas repararem em detalhes que, na correria do dia a dia, elas deixam passar também foi o que motivou a jornalista Tatiana Gappmayer, 41 anos, a criar o @PelaCidadeBaixa, como trabalho de conclusão da especialização em jornalismo digital da Pucrs, em novembro de 2016. "Queria fazer algo ligado ao bairro, mostrar como ele estava mudando", lembra ela, moradora da Cidade Baixa há 12 anos. "Muita gente só vê o lado boêmio."
Desde então, dedicou-se a mostrar casas antigas e coloridas, detalhes de prédios, grafites, intervenções urbanas, arte de rua, mensagens nas paredes, gastronomia, eventos do bairro, entre outros temas. Foram mais de 350 publicações em menos de um ano, o que atraiu 796 seguidores, sem investir em publicidade. "Achei que as fotos que ganhariam mais curtidas seriam de bares, bebida e comida, mas tenho um retorno grande com as de arquitetura, de eventos de rua", conta. Conhecer o próprio bairro, acrescenta Tatiana, parece uma tendência nas grandes cidades.
Mais antiga ainda é a comunidade @BomDoBomFim, também no Instagram, que reúne nada menos que 13,5 mil usuários da rede social, com fotos que variam entre gastronomia local, eventos do bairro, atividades ao ar livre, construções e outras. Foram 470 publicações desde janeiro de 2015.
Mombelli acredita que aplicativos de fotografia podem ser uma ferramenta de conscientização social e integração entre as pessoas: "Uma caminhada na rua, e você pode viajar para lugares bonitos e bem mais longe".
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