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Porto Alegre, domingo, 08 de outubro de 2017. Atualizado às 21h40.

Jornal do Comércio

Empresas & Negócios

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Notícia da edição impressa de 09/10/2017. Alterada em 08/10 às 21h43min

Microempresa atrai investidor

De acordo com especialistas, é preciso ficar atento aos riscos envolvidos neste tipo de operação

De acordo com especialistas, é preciso ficar atento aos riscos envolvidos neste tipo de operação


/JANNOOON028/FREEPIK.COM/DIVULGAÇÃO/JC
No atual contexto de juros em queda na renda fixa tradicional, investidores em busca de retornos anuais mais atraentes podem emprestar recursos a micro, pequenas e médias empresas. É preciso, no entanto, ficar atento aos riscos do negócio e à possibilidade de acabar sem o dinheiro caso a empresa não consiga devolvê-lo.
O investimento ocorre via empréstimo pelo modelo de "peer to peer" (pessoa a pessoa). O investidor recebe juros anualmente ou no período contratado. É um sistema diferente do chamado equity crowdfunding, em que o resultado pode vir quando a empresa é vendida ou abre capital.
O modelo do peer to peer está sendo aperfeiçoado. Consulta pública aberta pelo Banco Central (BC), em setembro, discute, por exemplo se cada investidor poderá aplicar, no total, R$ 50 mil em micro, pequenas e médias empresas. Nos sites das empresas que oferecem esses investimentos, há informações sobre as companhias que buscam recursos, sobre a situação financeira delas e a taxa de retorno oferecida. Também há dados sobre a capacidade de pagamento.
Na plataforma Nexoos, por exemplo, há companhias que oferecem juros de 34,5% ao ano a seus investidores - um título público prefixado com vencimento em 2020 pagava 8,05% ao ano. Mas, quanto maiores os retornos para quem empresta o dinheiro, maiores as possibilidades de o investidor acabar perdendo o que aplicou -o que acontece em caso de calote da companhia. Sócio da Nexoos, Daniel Gomes diz que a companhia já viabilizou empréstimos para 200 startups. Até chegar a esse número, foram avaliadas 17 mil interessadas.
Para reduzir as chances de perdas, algumas plataformas do setor, como Biva e IOUU, começaram a reunir empresas que buscam crédito em grupos para receberem investimentos em conjunto. Assim, se uma empresa der calote, o investidor consegue preservar parte do recurso.
Jorge Vargas Neto, sócio da Biva, diz que os portfólios formados por microempresas têm capacidade de suportar até 45% de inadimplência sem reduzir a rentabilidade prevista dos investidores. Já os que possuem empresas médias, que costumam trazer menos risco, suportam até 16% de calote.
O retorno oferecido aos investidores é expresso em um percentual do CDI, a taxa média de empréstimos entre instituições financeiras. Por exemplo, no portfólio Libra, é possível emprestar dinheiro para 10 pequenas empresas com um retorno estimado de 307% do CDI ao fim de 23 meses.
A Biva já fez a intermediação de empréstimos para 1.150 empresas, com valor total de R$ 47 milhões. Para as pequenas empresas, as plataformas surgem como uma forma mais barata de conseguir crédito do que os bancos tradicionais. "O empréstimo sai mais barato porque olhamos critérios que os bancos olham menos, como qualidade das avaliações em redes sociais e potencial de crescimento", afirma Daniel Gomes, sócio da plataforma Nexoos.
O médico radiologista Leonardo Stellati, 31, tem 5% dos investimentos em startups, mas não pretende aplicar mais que isso no momento. "Se o investimento está pagando um percentual acima do mercado de renda fixa, está com um risco maior do que outras opções", diz. Foi um empréstimo como esse, no valor de R$ 50 mil, que permitiu à empresária Gabriela Bonomi, 24, financiou o crescimento de sua empresa de moda. 
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