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Porto Alegre, quarta-feira, 20 de setembro de 2017. Atualizado às 11h52.

Jornal do Comércio

Opinião

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Notícia da edição impressa de 22/09/2017. Alterada em 21/09 às 19h07min

O mito da isenção

Vinicius Escobar
"Não existe imparcialidade. Todos são orientados por uma base ideológica" (Paulo Freire). Seja nos tribunais da internet ou nas tribunas dos botecos, sempre há quórum qualificado para debater acertos e erros de outrem no país dos técnicos de futebol. Ninguém sai impune se tiver opinião.
E cada posicionamento pode custar mais do que uma amizade virtual. Fãs e haters acotovelam-se em um júri de desafetos onde o valor dos argumentos é suprimido pela quantidade de partidários. Em nau de dúvidas é impossível marear entre dicotomias sem cruzar por tempestades. Não é possível nos escondermos no silêncio. A cada decisão tomada, excluímos outras possibilidades, revelando-nos aos poucos. Como se nossas escolhas fossem tecendo um fio, costurando fronteiras.
Todo discurso é engajado, e não há movimento sem intenção. Nessa profusão de interesses, a isenção é mais do que utopia, é mito. Pedra ou vidraça é uma relação tão definitiva quanto falante ou ouvinte. Nesse cenário, até mesmo a dicotomia precisa ser revista, pois nada cabe dentro de uma única medida. Essa alegoria tem mais função didático-pedagógica do que sociológica, ao passo que se descola do cotidiano e suas intermináveis variáveis, ou como as apostilas gostam de chamar, exceções. Vivemos a descrença com tempo de convicção, ansiosos por teorias que nos tirem desse catavento de informações. Seguiremos, como Vinicius de Morais seguiu, no seu poema Inatingível: com as mãos na boca, em concha, gritando para o infinito a nossa dúvida.
Presidente do Instituto de Estudos Políticos Ildo Meneghetti
 
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