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Porto Alegre, sexta-feira, 08 de setembro de 2017. Atualizado às 19h14.

Jornal do Comércio

Opinião

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EDITORIAL

Notícia da edição impressa de 08/09/2017. Alterada em 07/09 às 21h57min

A repugnante corrupção que enlameia o Brasil

Jamais se desviou tanto dinheiro público na história do Brasil como nos últimos anos. Alguns afirmam que corrupção existe desde o Descobrimento. Provavelmente sim, eis que nós, humanos, somos falíveis. Mas, por formação, por meio da educação familiar, curricular, pelos exemplos que recebemos da sociedade e mesmo por medo da punição, mantemos uma vida pautada pelos bons princípios. No entanto, a miscelânea partidária que forçou o Executivo - federal, estadual ou municipal - a só funcionar com o presidencialismo/governo de coalizão, leva para cargos em órgãos públicos pessoas sem o devido preparo, sem o conhecimento na área em que vão atuar. Mas, como pertencem a esse ou aquele partido da viscosa base de apoio, são colocados até mesmo como diretores de bancos estatais.
O resultado, mais um e vergonhoso, foi divulgado na segunda-feira, por um desconsertado procurador-geral da República. Rodrigo Janot escancarou para o Brasil as ilações, a maioria das quais sem respaldo na verdade, nas delações feitas por executivos do grupo JBS, hoje um dos símbolos da grossa corrupção que enlameia, enoja e deprime toda a nacionalidade.
Na terça-feira, a foto das malas e caixas com notas de R$ 50,00 e R$ 100,00, mais dólares, escancarou uma situação escabrosa, infame e deprimente para os brasileiros. O ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB), que passou por três governos, mantinha o dinheiro em apartamento de amigo, com valor final de R$ 51 milhões. Esse valor está acima da média dos prêmios pagos, semanalmente, pelas loterias da Caixa Econômica Federal, de onde, segundo investigações da Lava Jato, da Procuradoria-Geral da República e com o respaldo da Polícia Federal, teria vindo boa parte, senão toda, de quantia surrupiada em polpudas propinas. Novamente, voltamos a dois sentimentos opostos, um de desalento, repulsa e desânimo pelo que foi divulgado e pela foto do dinheiro mal havido, verbas retiradas de órgãos públicos. O segundo, como consolo, o fato de que, se sempre houve corrupção no Brasil, agora está sendo desnudada e seus autores, levados aos tribunais da Justiça. E isso é muito importante.
Que tudo o que tem sido descoberto sirva para mostrar que não se deve, nunca mais, ligar órgãos oficiais a nomeações meramente políticas. Colocar pessoas idôneas, com currículos qualificados e compatíveis aos cargos que irão ocupar é o mínimo que se deseja, ainda mais quando elas ficarão com o poder de mando sobre concessões de empréstimos e negócios milionários, talvez bilionários.
A rigor, o momento é de apoiar os que estão investigando e aguardar que a Justiça puna em todas as suas instâncias, a fim de que a corrupção não seja mais uma prática, isso sim, de leniência, ao bel-prazer de escroques sem qualquer limite no avançar sobre o erário. Temos que limpar o País de delinquentes do colarinho branco, piores por se locupletarem com o dinheiro arrecadado junto aos que trabalham, sejam empresários, sejam empregados de empresas públicas ou particulares.
Unir forças para que as vigarices sejam esclarecidas, punidos os responsáveis e realocado no Tesouro o que foi desviado. Mas, repetimos, que tudo o que estamos passando sirva de uma amarga, mas proveitosa lição no futuro. Profissionalizar a gestão pública é muito importante. Por certo que isso não evitará, vez que outra, que ocorram deslizes. No entanto, esse mar de lama que nos engolfa há anos com certeza não mais ocorrerá. Não nesta repugnante intensidade.
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