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Porto Alegre, sexta-feira, 08 de setembro de 2017. Atualizado às 17h44.

Jornal do Comércio

Opinião

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editorial

Notícia da edição impressa de 05/09/2017. Alterada em 04/09 às 20h03min

Só por meio da educação vamos mudar o Brasil

O parcelamento dos vencimentos deixou o magistério gaúcho, novamente, em rota de colisão com o governo do Estado, mesmo que o parcelamento não seja decisão maquiavélica, eis que resulta da falta crônica de dinheiro no Tesouro.
Em paralelo, os resultados do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que qualifica alunos para vagas em universidades, mostrou um cenário desolador na maioria das escolas públicas do Brasil. Os percentuais de aprovação foram baixos em cerca de 90% delas.
Responsáveis por 88% das matrículas do Ensino Médio do País, as escolas públicas são maioria entre as que ficaram com nota abaixo da média nacional do Enem. Enquanto isso, Colégios de Aplicação, federais, e os Colégios Militares, incluindo o Tiradentes, da Brigada Militar, tiveram boas notas.
Talvez, a competição com o computador, os jogos eletrônicos, celulares e tudo o que hoje distrai a atenção dos jovens nos faça refletir se não está na hora de uma volta ao passado na disciplina e atenção aos estudos.
Justamente quando foi feita a reforma do Ensino Médio, por meio de medida provisória e sem um estudo acurado com debates gerais, chega esta péssima notícia sobre a qualidade do ensino público.
Isso é triste e preocupa demais. Mudamos a grade curricular, mas nem sempre isso foi para melhor. Muitos afirmarão que isso é saudosismo piegas e que não se pode voltar a um ensino cujo modelo tem 50 ou 60 anos.
Com salários desvalorizados, carga horária intensa em sala de aula e trabalho constante em casa, tudo isso aliado à falta de respeito verificada em episódios que chegaram até às vias de fato, com agressões a professoras que chocaram a todos, o magistério cansou, aqui e acolá.
O resultado é que cada vez menos jovens procuram formação na área. O panorama é desalentador, e não há perspectiva de melhora em um curto espaço de tempo. Contudo alguns especialistas analisam a situação por outro ângulo. Com a baixa procura pela profissão, a demanda por docentes seguirá alta. Uma perspectiva positiva em um horizonte obscuro.
Paradoxalmente ao abandono de currículos tradicionais onde até o temido Latim nos ensinava a etimologia da maioria, senão de todas as palavras da língua portuguesa, hoje a publicidade de alguns colégios fala que ensinar é questionar, discutir e ter uma visão do mundo muito além da escola.
Mas quando isso não foi feito nos colégios públicos e privados até os anos de 1970? O que mais havia eram disciplina e a hierarquia, talvez até com uma dose de repressão. Pairando acima de tudo e de todos, temos uma crise econômico-financeira que afetou até os estabelecimentos particulares, inclusive no Ensino Superior.
Mas devemos buscar a convivência da modernidade tecnológica com o aprendizado e o amor pela escrita e a leitura. Cursos profissionalizantes já temos, aproveitando as facilidades que a informática e a internet trouxeram ao estudo.
Não é preciso necessariamente inovar em métodos no ensino: basta ensinar, dialogar e manter o interesse das turmas. Nada substitui um professor que encante com frases, pensamentos, debates e até mesmo a análise do que se passa, cotidianamente, na cidade, no Estado, no Brasil e no planeta, com pinceladas que façam seus alunos pensarem no que é bom e ruim nesse mundo louco de sinais de guerra, fome em diversas regiões e muita corrupção.
Enfim, só a educação mudará o Brasil para melhor.
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