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Porto Alegre, quarta-feira, 20 de setembro de 2017. Atualizado às 11h52.

Jornal do Comércio

Geral

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Mobilidade urbana

Notícia da edição impressa de 22/09/2017. Alterada em 21/09 às 21h31min

Ciclovia da Ipiranga está longe de ser finalizada

Entre a rua Múcio Teixeira e a avenida Getúlio Vargas, parte do solo abaixo da pista ruiu, abrindo um buraco

Entre a rua Múcio Teixeira e a avenida Getúlio Vargas, parte do solo abaixo da pista ruiu, abrindo um buraco


/JONATHAN HECKLER/JC
Igor Natusch
No dia 18 de setembro, a reportagem do Jornal do Comércio registrou o atropelamento de um ciclista na avenida Ipiranga, em Porto Alegre, na esquina com a rua La Plata. Segundo uma testemunha, que pediu para não ser identificada, a bicicleta vinha junto ao meio-fio da avenida, pouco antes das 16h, quando uma lotação da linha 783-Ipiranga-PUC atingiu o ciclista. Uma unidade do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) prestou atendimento à vítima, que tinha lesões no tórax e suspeitas de fratura, mas permanecia consciente.
O acidente aconteceu no trecho incompleto da ciclovia da Ipiranga, obra que seria uma das estrelas da malha cicloviária da Capital e que, nesta sexta-feira, exatos seis anos após o início, segue sem perspectiva de conclusão. Com extensão total de 9,4 quilômetros, ainda restam 2,3 para fechar o trajeto previsto, localizados no trecho entre as avenidas Silva Só e Salvador França. As duas partes de pista já concluídas também apresentam problemas, que vão desde rachaduras no piso a falhas na pintura, passando por algumas situações mais graves.
Nas proximidades do Planetário, por exemplo, partes significativas do guarda-corpo estão danificadas. Nesses locais, um ciclista que perca o equilíbrio pode acabar caindo dentro do Arroio Dilúvio. Também não há uma padronização nas estruturas de proteção: em alguns trechos, em especial depois da Salvador França e em direção à avenida Antônio de Carvalho, não há qualquer barreira que proteja os ciclistas. Entre a Múcio Teixeira e a Getúlio Vargas, há um quadro ainda mais preocupante: parte do solo embaixo da pista ruiu, gerando um buraco que pode levar o concreto da ciclovia a desabar. As faixas de proteção, colocadas há meses pela prefeitura, já estão rompidas, sem que nenhum esforço visível tenha sido feito para melhorar a situação.
"O que vocês viram (no atropelamento) é o que a gente vivencia todos os dias naquele trecho", diz André Gomide, membro da Associação pela Mobilidade Urbana em Bicicleta (Mobicidade). Na leitura dele, a situação reflete as falhas de planejamento e de execução de todo o projeto. "A obra está parada há quase dois anos. Isso demonstra claramente como o modal (bicicleta) é tratado pelo poder público em Porto Alegre. Tentam induzir a cidade a pensar que a obra está pronta, o que não é verdade. Se o principal projeto do Plano Diretor Cicloviário não é concluído, o que sobra para o restante?", questiona.
Sem papas na língua, Gomide diz que "falta vergonha na cara" às diferentes administrações municipais envolvidas no projeto. "Vocês (jornalistas) já fizeram dezenas de matérias comigo, e a situação segue exatamente igual. Há universidades (no entorno da ciclovia), e um potencial reprimido para locomoção e também para lazer de fim de semana, que é mais tranquilo para quem está começando a andar de bicicleta. Mas muitas pessoas não ficam à vontade (em usar a ciclovia), sentem medo, e é fácil entender o motivo."

Grupo Zaffari diz ter cumprido todas as suas obrigações

A demora na conclusão da ciclovia da Ipiranga se deve a um impasse entre a prefeitura da Capital e o Grupo Zaffari, que teria assinado, em 2011, contrato de contrapartida referente ao trecho hoje incompleto. O modelo, porém, previa apenas que o pedaço de pista fosse entregue até o fim da construção do empreendimento que motiva a contrapartida, sem estabelecer um prazo específico para a ciclovia em si. Segundo a gestão municipal anterior, de José Fortunati, cabia à rede realizar as obras pendentes. Nos últimos meses, a administração atual, de Nelson Marchezan Júnior, tem negociado um novo termo de compromisso com o Zaffari, mas ainda não há qualquer prazo para a retomada dos trabalhos.
Em nota, o Grupo Zaffari afirma que contratou e disponibilizou, a pedido da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), o projeto executivo de toda a ciclovia, o que viabilizou a execução de diversos trechos, pela própria companhia e por outras empresas. Entre eles, está a parte da pista entre a Érico Veríssimo e a Silva Só - que, segundo o grupo "atendeu e ultrapassou com sobras os compromissos firmados até então".
A companhia frisa que "não há, por ora, compromissos a serem atendidos" pelo Zaffari em relação à ciclovia da Ipiranga. "Talvez a desinformação se deva ao fato de que o projeto executivo de toda a avenida foi patrocinado pelo Grupo Zaffari, dando a entender que também teria o compromisso de toda a execução. Se surgirem novos compromissos decorrentes de novos empreendimentos do grupo, e se for entendimento da EPTC destinar a contrapartida para a avenida Ipiranga, retomaremos oportunamente as obras", conclui a nota.
Em resposta escrita à reportagem, a EPTC garante que há uma mesa de negociações "permanente" com o Grupo Zaffari, e que a companhia "tem cumprido rigorosamente suas contrapartidas", inclusive adiantando intervenções relativas a empreendimentos ainda não realizados. Enquanto a situação segue em suspenso, a prefeitura não descarta bancar, com recursos próprios, a conclusão da ciclovia.
"A EPTC está fazendo orçamentos e refazendo previsão de custos para ver se é possível fazer (as obras no trecho restante) com investimento próprio ou qual alternativa é a mais adequada", diz o texto. Uma opção ventilada em junho deste ano, envolvendo as obras do futuro Hub da Saúde no bairro Teresópolis, em Porto Alegre, ainda está na mesa, segundo a EPTC, mas não evoluiu desde então.
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