Comentar

Seu comentário está sujeito a moderação. Não serão aceitos comentários com ofensas pessoais, bem como usar o espaço para divulgar produtos, sites e serviços. Para sua segurança serão bloqueados comentários com números de telefone e e-mail.

500 caracteres restantes
Corrigir

Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.

Porto Alegre, sexta-feira, 15 de setembro de 2017. Atualizado às 12h38.

Jornal do Comércio

Geral

COMENTAR | CORRIGIR

Mobilização

Notícia da edição impressa de 13/09/2017. Alterada em 13/09 às 16h30min

Fim de exposição motiva protestos em Porto Alegre

Brigada e manifestantes estimam entre 800 e 2 mil pessoas no ato

Brigada e manifestantes estimam entre 800 e 2 mil pessoas no ato


MARCO QUINTANA/JC
Igor Natusch
O fechamento da mostra Queermuseu, definido pelo espaço Santander Cultural no último fim de semana, motivou protestos por parte de movimentos artísticos e sociais ontem, em Porto Alegre. A mostra, com temáticas ligadas à população LGBT, foi acusada por grupos conservadores de incentivar práticas criminosas, como pedofilia e zoofilia, além de atacar símbolos religiosos. O ato, convocado pelas redes sociais, contou também com a presença de núcleos favoráveis ao encerramento da exposição. Pela estimativa da Brigada Militar (BM), cerca de 800 pessoas participaram do protesto até o final da tarde de ontem; os organizadores estimam que o número chegou próximo a 2 mil.
"Infelizmente, a gente tem que estar aqui. Organizamos esse ato para deixar claro que não vamos nos calar", disse Célio Golin, do grupo Nuances e um dos organizadores do protesto. Além de defender a liberdade de expressão, o ato, segundo ele, tinha como objetivo evitar que a população LGBT virasse "bode expiatório" de movimentos conservadores. "(As acusações de pedofilia são) uma invenção. Grupos de extrema direita criam uma mentira e, a partir dela, começam a perseguição. O recuo vergonhoso do Santander (ao encerrar a mostra) tem um impacto político profundo na vida dos LGBTs, nos deixa ainda mais vulneráveis a esses grupos de extrema direita. Estamos na rua para evitar que isso se agrave ainda mais."
Com gritos coletivos como "pela arte, pela cultura, diga não à censura", os grupos contrários ao fim da mostra se reuniram desde a metade da tarde em frente ao Santander Cultural, na rua 7 de Setembro, no Centro, onde o ato ocorreu. Também presente desde o início, um grupo de pessoas vestindo verde e amarelo permaneceu cerca de 45 minutos antes de sair do local. Além de cartazes contra a mostra, eram visíveis dizeres favoráveis a uma intervenção militar no Brasil. Houve muitas vaias, gritos e discussões verbais entre os dois polos.
"Estão induzindo crianças a serem o que elas ainda não estão consolidadas para decidir se querem ou não", disse a enfermeira Neusa Silveira, uma das integrantes do grupo. "Elas estão em formação de personalidade, não podem ser induzidas por pornografia. Queremos que respeitem nossas crianças." Ao fundo, um megafone gritava palavras de ordem como "pedofilia não é arte".
Em torno das 18h, um conflito entre manifestantes favoráveis à mostra e integrantes do Movimento Brasil Livre (MBL) levou à mobilização do Batalhão de Operações Especiais (BOE) da BM, com o uso de bombas de efeito moral. Após a confusão, os integrantes do MBL foram escoltados pela tropa para longe da aglomeração. Duas pessoas chegaram a ser detidas e foram, posteriormente, liberadas.
"Movimentos fascistas inventam calúnias, como acusações de apologia à pedofilia, e mobilizam via redes sociais ataques para censurar a arte", acusa Luciano Victorino, integrante do núcleo LGBT do grupo Juntos. Segundo ele, os movimentos sociais estão engajados "para mostrar que não há espaço para o fascismo em Porto Alegre", e cobram a prefeitura da Capital pela ausência de políticas para cultura no município. "A própria parada LGBT em Porto Alegre, que é a segunda mais antiga do País, não terá apoio institucional da prefeitura desta vez, pela primeira vez em 20 anos. A arte é um dos espaços de resistência LGBT, e vamos lutar para preservá-lo", acentua.
Logo adiante, cerca de 10 jovens, com terços nas mãos, promoviam uma roda de oração. O objetivo, diziam, era rezar pelos pecadores que promoveram a exposição. "O que aconteceu foi um crime, tipificado no Código Penal, de vilipêndio a objeto de culto. Foi feito de forma explícita, por meio de sacrilégio com as hóstias sagradas", afirmou Douglas de Quadros da Silva, um dos participantes do grupo.

Ao menos quatro capitais podem sediar mostra, diz curador

Presente à manifestação, o curador da mostra Queermuseu, Gaudêncio Fidelis, reforça que não houve nenhum "contato oficial" com a direção do Santander Cultural desde o encerramento da exposição, ocorrida no domingo. Ainda assim, ele elogiou a resposta da comunidade artística nacional e internacional ao fechamento, e garantiu que secretários de cultura de várias partes do País estão demonstrando interesse em sediar a exposição. Segundo ele, curadores de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Brasília já sondaram a possibilidade de reabrir a mostra.
"É preciso ressaltar a gravidade do que estamos vivendo. É a primeira vez em toda a trajetória brasileira em exposição de artes visuais que temos uma mostra inteira, desta envergadura, sendo fechada. Nem na época da ditadura, que teve as mais terríveis perseguições a artistas, isso aconteceu", acentuou. Ainda assim, ressalta Fidelis, é preciso considerar uma série de questões de logística antes de definir o eventual transporte de todas as obras para outro local no País.
O Santander Cultural chegou a abrir as portas na manhã de ontem, com acesso fechado à área onde estão as mais de 270 obras expostas na mostra. Pouco antes do meio-dia, porém, o espaço voltou a fechar as portas, inclusive com a sessões de cinema sendo canceladas. Ainda não há informações se o espaço estará aberto durante o dia de hoje.
Ontem, representantes do Centro de Apoio Operacional da Infância, Juventude, Educação, Família e Sucessões do Ministério Público do Estado (MP-RS) visitaram a área onde estão as obras. Recebidos pela direção do Santander Cultural, os promotores devem agora avaliar o conteúdo do material e, caso julguem necessário, podem acionar a Promotoria da Infância do MP-RS para providências.
COMENTAR | CORRIGIR
Comentários
Flavio Monteiro Dantas 15/09/2017 11h07min
Esses grupos minoritários, com veia antidemocrática, são mesmo é dissimulados, eles usam bandeiras da liberdade da expressão e contra a censura somente como frases de efeito, na prática querem estabelecer uma ditadura comportamental conveniente aos seus interesses, seus gostos pessoais, querendo subjuga todos os brasileiros às suas opções, ideologias, cesuram e gritam: abaixo a censura. Liberdade não é sinônimo de imoralidade nem de falta de limites. vivemos em sociedade com padrões morais.