Bia Hess, da Bolo da Bia no Pote, se viu enrolada em uma dívida de R$ 2 mil no cheque especial no ano passado; a experiência lhe ensinou a ser metódica com os gastos Bia Hess, da Bolo da Bia no Pote, se viu enrolada em uma dívida de R$ 2 mil no cheque especial no ano passado; a experiência lhe ensinou a ser metódica com os gastos Foto: /MARCELO G. RIBEIRO/JC

Sem medo de lidar com o dinheiro: como manter suas finanças (e da sua empresa) sob controle

Aprenda dicas para se organizar financeiramente e conheça a história de quem já se endividou e saiu dessa

Com seis meses de empresa aberta, no primeiro semestre de 2016, Bia Hess, 31 anos, se viu sem conseguir dormir por conta de uma dívida de R$ 2 mil no cheque especial da conta de pessoa jurídica. Ela foi acometida por um episódio muito comum entre pessoas que empreendem pela primeira vez, que é misturar o dinheiro pessoal e o da empresa. "Sofri muito para separar as contas", diz.
"Se eu ficava uma semana sem vender bolinho, só passava pela minha cabeça aquele juro aumentando a cada dia", narra. E é fato. Em maio deste ano o Brasil bateu recorde de empresas inadimplentes, com cerca de 5,1 milhões de CNPJs negativados.
"Tudo gira em torno do dinheiro e eu tropecei muito até aprender isso", conta. Ela abriu a empresa Bolo da Bia no Pote após três meses de desemprego, no impulso, em outubro de 2015. Com a alegria de ter tido boas vendas no Natal daquele ano, continuou investindo e botando a mão na massa. Mas os meses de janeiro e fevereiro, de baixíssima procura pelo produto, deram um susto e tanto. "Em fevereiro começou o pavor. Mas todo mundo dizia para eu me acalmar porque, afinal, o ano só começa em março. E eu me agarrei nisso." Um dos maiores desafios enquanto a dívida crescia e ela não encontrava uma saída, era falar sobre a situação. "Dá vergonha de expor isso, mexe muito com o lado emocional, com as tuas capacidades", elucida.
Até que decidiu pedir socorro a um amigo economista. A alternativa encontrada para sanar a dívida foi pedir um empréstimo em outro banco a um juro menor, pagar o cheque especial à vista e o empréstimo em parcelas. "Não haveria diferença de valor se eu parcelasse o empréstimo ou pagasse à vista, então parcelei", afirma. A conta está em curso e encerra em novembro, embora Bia já tenha reunido dinheiro suficiente para quitar. E o cheque especial nunca mais entrou no negativo desde então: faz seis meses que paga tudo da conta jurídica no débito.
Estas experiências foram modelando seu negócio. Como trabalha com pequenas porções, ela aprendeu que ganha dinheiro de forma expressiva nas vendas em volume. Então, adaptou a empresa para atender principalmente eventos, e agora se especializa para que os bolinhos virem referência em lembrancinhas na Capital. "Eu personalizo o rótulo com a carinha da criança, as mães adoram", conta ela, com foco em casamentos, formaturas, eventos corporativos e eventos infantis. Os bolinhos podem vir em marmitinhas de alumínio ou potes de acrílico, com decoração personalizada.
Outra lição foi passar a analisar o custo e benefício de tudo o que faz, de ações com a mídia e influenciadores digitais a fornecedores, e aprendeu muito sobre estoque. "Estoque guardado é dinheiro parado. Prefiro comprar ingredientes quinzenalmente conforme a minha necessidade e ter capital de giro", emenda. Após passar o rebuliço das dívidas, em 2017 ela investiu em uma consultoria financeira, que durou cinco meses. Isso deu mais corpo à organização e planejamento da empresa. "Minha dica é: controle os gastos e ganhos diariamente." Hoje, ela usa e abusa das planilhas de Excel, tem metas mínimas e máximas de venda e ações programadas por semana.

Dica da empreendedora

Segundo Bia Hess, da Bolo da Bia no Pote, criar uma dívida logo no início às vezes é o suficiente para fazer alguém desistir do negócio, mas ela indica persistência. “Em dois anos não tenho como saber ainda se meu negócio está dando certo ou errado.” Ela afirma que muitas prospecções de clientes estão começando a dar retorno agora, um ano depois do contato iniciado.

Quem tem medo do próprio dinheiro?

Leila, que criou uma consultoria financeira para mulheres, sugere: se só puder guardar R$ 30,00, guarde Leila, que criou uma consultoria financeira para mulheres, sugere: se só puder guardar R$ 30,00, guarde Foto: /FREDY VIEIRA/JC
Ao contrário de muita gente, a jornalista Leila Ghiorzi, 29 anos, sempre gostou de cuidar do próprio dinheiro. Até que começou a estudar a fundo sobre o assunto e, sem querer, acabava sendo a conselheira oficial dos amigos nesse quesito. Com formação em coach financeira, desde outubro de 2016 ela edita o blog É Da Minha Conta, sobre finanças pessoais, e criou um curso de mentoria financeira on-line para mulheres.
Algo comum que ela cita é que muitas pessoas têm receio de chegar perto das finanças pessoais e - mais ainda - dos investimentos. Com o tempo, conforme vão se familiarizando com os próprios ganhos e gastos, "vão perdendo o medo e assumindo o protagonismo de suas finanças", avalia.
Entre os clientes, já teve quem não conseguisse fazer sobrar salário e, ao final de dois meses, acumulou R$ 1,8 mil, pelo simples fato de ter passado a prestar atenção nas transações. "Eu só acendo a luz para as pessoas olharem suas contas", ri. Um caso comum são profissionais sem renda fixa que não conseguem se planejar. "Autônomos têm muito mais potencial de ganho. Só precisam se organizar", afirma.
O coach consiste em 10 sessões presenciais a cada duas semanas, num período de cinco meses de acompanhamento. "É o suficiente para fazer uma mudança e gerar independência", diz. Ela salienta que é muito importante que o processo de coach gere esta autonomia ao final do processo. A mentoria on-line, voltada para mulheres, consiste em oito sessões, por quatro meses. Atualmente, ela atende 12 mulheres na mentoria virtual, do Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, São Paulo e Santa Catarina.
Ações que a coach Leila Ghiorzi pratica e indica:
1. "Eu separo o meu dinheiro e o dinheiro da empresa."
2. "Tenho um plano de investimentos e ponho dinheiro nisso antes de qualquer outro gasto ou conta. Não espero deixar sobrar para aí investir."
3. "Não anoto cada bala que eu compro. Mas tenho limites de gastos e fixo quantias para alimentação, para lazer etc."
4."Use dinheiro vivo nas transações, que aí você consegue visualizar melhor quando sai do bolso."
5. "Há maneiras de gerar renda passiva, ou seja, gerar dinheiro sem precisar exatamente trabalhar por ele."
O primeiro ponto é elencar as prioridades em ordem de importância. "O dinheiro tem que servir para o que é mais importante para a vida. Fazer a unha pode ser importante dependendo da área em que a pessoa atua, por exemplo." E, contra as fórmulas prontas, a coach afirma que controlar os próprios gastos não é só fazer orçamento e cortar o que é menos importante. "O menos importante é importante ainda, senão não estaria lá." Há aí todo um descobrimento das crenças limitantes com relação ao dinheiro também.
No horizonte do controle de gastos precisa estar a perspectiva de como manter a vida que se quer levar. "Como estruturar a vida financeira mirando o que se quer? Se você só pode investir ou guardar R$ 30,00 por mês, faça isso", emenda.

Leia

Pai Rico, Pai Pobre, de Robert Kiyosaki - Sobre mentalidade de investimentos, este livro abre a cabeça para se conectar com a abundância.
Organize sua vida financeira, de Gustavo Cerbasi - Tem muitas dicas práticas para o mercado brasileiro.
Pense e enriqueça para mulheres, de Sharon Lechter - Este livro é sobre ver o que fazer para conseguir o que quer.
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Comentários ( 1 )
  1. JACQUELINE OLIVEIRA

    Queridos colegas do GE, faam uma matria sobre opes de contas jurdicas para MEI...

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