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Porto Alegre, sexta-feira, 22 de setembro de 2017. Atualizado às 11h54.

Jornal do Comércio

Economia

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Conjuntura

Notícia da edição impressa de 22/09/2017. Alterada em 22/09 às 11h58min

BC reduz previsão de inflação e eleva para PIB

Estimativa de expansão da economia para o ano que vem é de 2,2%

Estimativa de expansão da economia para o ano que vem é de 2,2%


/STOCKVAULT/DIVULGAÇÃO/JC
O Banco Central (BC) redefiniu o cenário para a economia deste e do próximo ano, e previu que o crescimento será retomado com mais força e que a inflação ficará menor do que o esperado anteriormente. De acordo com o relatório trimestral de inflação, a aposta para a expansão da economia neste ano subiu de 0,5% para 0,7%. Para 2018, a estimativa é de aceleração, com um crescimento de 2,2%. As projeções para a inflação também melhoraram e aumentaram as chances de ocorrer um fato inédito: o BC descumprir a meta de inflação porque ela ficou baixa demais.
Segundo a autoridade monetária, a expectativa para a inflação neste ano caiu de 3,8% para 3,2%. A meta para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) é de 4,5% com 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Já a perspectiva para a inflação do ano que vem passou de 4,5% para 4,3%.
Nesse cenário, o Banco Central afirmou que a probabilidade estimada de a inflação ultrapassar o limite superior da meta neste ano é zero. Já furar o piso da inflação, a chance é de 36%. Para 2018, as probabilidades encontram-se em torno de 11% e 17% para os limites superior e inferior, respectivamente.
Os dados do Banco Central confirmam um cenário mais benigno para a economia brasileira do que o esperado antes. Ele reflete - no caso da inflação - a surpresa com a baixa dos preços de alimentos. Nos últimos 12 meses, a inflação acumulada está em 2,46%: abaixo até do limite mínimo para a inflação que é de 3%.
Em relação às projeções de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2017, o Banco Central afirmou que os dados do segundo trimestre foram o que causou a revisão da projeção de expansão. O BC justificou que os resultados setoriais têm mostrado surpresas positivas. Por isso, o BC ampliou as apostas para vários setores.
No caso da agropecuária, a previsão passou de 9,6% para 12,1%. O setor de serviços deve apresentar desempenho ligeiramente melhor do que o previsto anteriormente: uma expansão de 0,1%, comparativamente a redução de 0,1%.
A indústria não teve a mesma sorte. A estimativa para o setor passou de crescimento de 0,3% para recuo de 0,6%. Isso reflete o menor desempenho na construção civil e em distribuição de eletricidade, água e gás. A estimativa específica para o crescimento do produto da indústria de transformação manteve-se em 0,6%.
Para o Banco Central, a recuperação mais forte deve vir no ano que vem. Dentro do crescimento de 2,2%, há apostas de atividades da agropecuária, da indústria e de serviços com altas de 1,5%, 2,6% e 1,9%, respectivamente.
Com a perspectiva de um dólar mais barato que o previsto anteriormente e de inflação mais baixa por causa dos choques benignos, o BC reforçou a ideia de que levará os juros para patamares tão baixos que estimulem a inflação.
"O Copom entende que a conjuntura econômica prescreve uma política monetária estimulativa, ou seja, com taxas de juros abaixo da taxa estrutural", disse o Copom no relatório, ao lembrar da taxa estrutural, ou seja, uma taxa de equilíbrio que nem estimularia ou reduziria a inflação.
O diretor de Política Econômica do Banco Central, Carlos Viana de Carvalho, considera que a população já começa a ver sinais de melhora na economia brasileira. Ao apresentar o Relatório Trimestral de Inflação, ele destacou a melhora no poder de compra. "Algo que as pessoas sentem no bolso quando saem para fazer compras no supermercado; elas sentem que o salário está com poder de compra melhor", disse.
Carvalho acrescentou que as notícias sobre o mercado de trabalho também são melhores. "O dia a dia vai mostrar essa melhoria da economia permeando a vida das pessoas", opinou. Ele também citou que o crédito para pessoas físicas já dá sinais de melhora, com redução do spread (diferença entre taxa de captação de dinheiro e a cobrada dos clientes nos empréstimos).
 

IPCA-15 desacelera para 0,11% em setembro, menor nível desde 2006

Itens de consumo tiveram deflação, com destaque para o tomate

Itens de consumo tiveram deflação, com destaque para o tomate


/EMATER/DIVULGAÇÃO/JC
A prévia da inflação no País, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo 15
(IPCA-15) desacelerou para 0,11% em setembro, após alta de 0,35%. Este é o menor resultado para o mês desde 2006, quando foi de 0,05%. Em setembro de 2016, o IPCA-15 havia sido 0,23%.
No resultado acumulado do ano, a inflação ficou em 1,90%, bem abaixo dos 5,90% de igual período de 2016. Nos 12 meses, o índice foi de 2,56%, abaixo dos 2,68% do período imediatamente anterior. Ambos os resultados são os mais baixos para um mês de setembro desde 1998 (quando as taxas foram de 1,63% e 2,45%, respectivamente).
Os combustíveis foram os que mais elevaram a inflação durante o período de coleta, de 16 de agosto a 13 de setembro. Os preços de combustíveis subiram 3,43%, com destaque para gasolina (3,76%) e etanol (2,57%).
Já a maior influência para pressionar o resultado da inflação para baixo foi o grupo de alimentos, que registrou deflação de 0,94%, com impacto de 0,23 ponto percentual. Os itens para consumo em casa tiveram deflação de 1,54%, com destaque para tomate (-20,94%), feijão-carioca (-11,67%), alho (-7,96%), açúcar cristal (-4,71%) e leite longa vida (-3,83%). Já a alimentação fora de casa variou 0,14%.
A conta de luz ficou 0,40% mais barata em setembro pelo IPCA-15. O aumento das despesas das famílias com habitação arrefeceu de 1,01% em agosto para 0,26% em setembro. Houve pressão neste mês da taxa de água e esgoto, que ficou 2,01% mais cara.
O IBGE explica que o índice incorporou aumentos passados ocorridos em Salvador (9,40%) e em Belém (17,17%), além dos reajustes médios de 8,69% vigentes, desde 30 de julho, em Belo Horizonte (5,20%), e de 3,60%, desde 1 de agosto, no Rio de Janeiro (1,93%).
A alta de Salvador refere-se à parcela não incorporada no IPCA-15 de julho, "de modo a refletir a totalidade da variação dos reajustes ocorrido na região".
Em Belém, a elevação no custo da energia elétrica reflete o reajuste médio de 17,50%, em vigor desde junho de 2017, "que ainda não tinha sido incorporado nos índices de preços", diz o IBGE, em nota.

Expectativa do consumidor para preços aumenta

Os brasileiros acreditam que, nos próximos 12 meses, a inflação ficará em 6,7%. A constatação é da pesquisa de setembro da Expectativa de Inflação do Consumidor, medida pela Fundação Getulio Vargas (FGV). A estimativa de setembro é mais alta do que a de agosto (6,3%) e interrompeu 10 quedas consecutivas. Segundo a FGV, a alta pode ser interpretada como uma acomodação temporária do indicador na casa dos 6%. A FGV acredita que, nos próximos meses, o indicador voltará a cair devido ao recuo esperado para a inflação oficial.
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