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Porto Alegre, terça-feira, 12 de setembro de 2017. Atualizado às 16h36.

Jornal do Comércio

Economia

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Investigação

Notícia da edição impressa de 12/09/2017. Alterada em 12/09 às 16h40min

PF investiga exportação de máquinas agrícolas

Polícia Federal, Receita Federal e Ministério Público Federal cumpriram mandados de busca e apreensão

Polícia Federal, Receita Federal e Ministério Público Federal cumpriram mandados de busca e apreensão


RECEITA FEDERAL/DIVULGAÇÃO/JC
Jefferson Klein
Deflagrada na manhã de ontem, a Operação Conexão Venezuela da Polícia Federal, Receita Federal e Ministério Público Federal apura possíveis práticas de lavagem de dinheiro e organização criminosa com atuação no Rio Grande do Sul, São Paulo e Venezuela. Empresas estariam superfaturando exportações de máquinas agrícolas para o país andino.
Foram cumpridos 14 mandados de busca e apreensão em Porto Alegre, Canoas, Passo Fundo, Erechim, Americana (SP) e São Paulo (capital). Além disso, seis pessoas foram alvos de condução coercitiva e um empresário venezuelano, sócio de uma companhia gaúcha, foi detido em Madri, na Espanha. Foram identificadas empresas no Rio Grande do Sul e em São Paulo que realizaram transações financeiras atípicas, em valores vultosos. A estimativa dos investigadores é que foram feitas transações, entre os anos de 2010 e 2014, de R$ 200 milhões a R$ 300 milhões, sendo que o superfaturamento pode ter chegado a algo próximo de R$ 100 milhões. O dinheiro era oriundo de empresas sediadas na Venezuela, principalmente da PDVSA agrícola (braço de agronegócio da gigante estatal de petróleo venezuelana).
Além de equipamentos que teriam sido superfaturados, houve ocasiões em que os produtos sequer teriam sido entregues. A suspeita é que grande parte dos recursos não entrou nos cofres dos fornecedores, mas foi desviada para outras contas bancárias e enviada para o exterior. Algumas dessas transferências tiveram como beneficiárias pessoas jurídicas sediadas em paraísos fiscais. O delegado e coordenador da investigação da Polícia Federal, Guilherme Alves de Siqueira, comenta que essas negociações implicaram vários pagamentos de comissões também a pequenas empresas que, muitas vezes, nem funcionários tinham. Esse cenário levantou a hipótese de lavagem de dinheiro.
Siqueira adianta que o desdobramento agora consiste na análise de materiais apreendidos, como notas fiscais e contratos, fazendo avaliações mais completas das transações bancárias das companhias investigadas. O delegado recorda que como estão sendo apurados possíveis crimes de lavagem de capitais as penalidades podem chegar a até 10 anos de prisão. A Polícia Federal também busca bloquear os bens dos envolvidos até o final das averiguações.
As apurações tiveram início em informações fiscais apresentadas pela Receita Federal. A investigação financeira foi desenvolvida pelo Ministério Público Federal por meio da Assessoria de Pesquisa e Análise Descentralizada (Asspa-RS), com o apoio da Receita Federal. "É o resultado de um trabalho de três anos de análise de complexas transações financeiras utilizadas para lavar, no Brasil, dinheiro ilícito proveniente da Venezuela", afirma o procurador da República Juliano Karam, que conduziu o caso no Ministério Público.
Entre as empresas em que foram cumpridos mandados de busca na manhã de ontem no Estado estão a American Trading e a GlobalMac, ambas de Passo Fundo e a AGCO, de Canoas. Em nota, a AGCO, fabricante de equipamentos agrícolas da marca Massey Ferguson, entre outras, informou "que se mantém à disposição para contribuir com todas as informações necessárias às investigações das autoridades competentes. A companhia reforça que respeita a legislação vigente e cumpre regras de compliance (normas de integridade), com base em padrões éticos". A nota destaca que "a AGCO realiza operações comerciais com diversos países". A reportagem do Jornal do Comércio não conseguiu entrar em contato com as demais empresas.
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