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Porto Alegre, quarta-feira, 27 de setembro de 2017. Atualizado às 22h15.

Jornal do Comércio

Cultura

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Teatro

Notícia da edição impressa de 28/09/2017. Alterada em 27/09 às 16h39min

Carlos Vereza interpreta Judas em monólogo com base no evangelho apócrifo

Carlos Vereza reconta a história de Judas na peça Iscariotes

Carlos Vereza reconta a história de Judas na peça Iscariotes


PETCI PEDRON/DIVULGAÇÃO/JC
Luiza Fritzen
Com texto, direção e atuação de Carlos Vereza, a peça Iscariotes - A outra face chega ao Theatro São Pedro (Praça Marechal Deodoro, s/nº) neste fim de semana. As sessões acontecem no sábado, às 21h, e no domingo, às 18h, com ingressos entre R$ 40,00 e R$ 100,00.
Vereza, que já atuou em mais de 40 novelas, 30 peças e 15 filmes (entre eles, o longa Memórias do Cárcere) apresenta em seu sexto texto para o teatro uma versão diferente, e também polêmica, da história cristã, na qual Judas ficou conhecido como traidor de Cristo. Em aproximadamente uma hora, o monólogo tem como base o evangelho apócrifo (conteúdo rejeitado pelos dogmas cristãos) encontrado em uma caverna no deserto egípcio após ficar perdido por 1.600 anos.
Apontado como traidor na versão tradicional da história cristã, Judas é retratado na peça como o discípulo mais amado por Jesus. Para a encenação, Vereza conta que foram necessários três anos de pesquisas e muitas leituras. "Quando descobri o evangelho, comecei a estudar outras narrativas apócrifas porque eu nunca acreditei que um beijo tivesse sido a causa da prisão do mestre (Jesus)", comenta o ator.
Vereza, que volta ao Theatro São Pedro após encenar O homem sob o parapeito, há 30 anos, conta que o que motivou o ator a dar vida ao personagem foi constatar que Judas era usado como uma caricatura do mal absoluto. "É um personagem trágico que me toca muito como ator. Trágico no sentido de ser o tipo de pessoa que faz escolhas que poderiam mudar a narrativa da sociedade, mas acabam mudando a sua própria história."  
Fugindo do estereótipo de monstro criado por outras obras que retratam o apóstolo, Vereza abdica dos ares pesados e da aparência corcunda para mostrar Iscariotes em sua face de luz. Para isso, o diretor aposta em túnicas claras, em um semblante leve e amoroso, para recriar uma alma perdoada sem o peso e a culpa de todos os pecados do mundo. "Eu não faço o monólogo com roupa de época e tanto o figurino como o cenário são brancos", explica. Vereza também utiliza projeções audiovisuais e panos brancos para recriar a história.
Espírita, o ator e diretor acredita que não foi Judas, tampouco o beijo de Judas, que entregou Jesus, e sim o fato de que o Messias derrubou as bancas de câmbio que funcionavam nos templos e expulsou os mercadores, o que, segundo Vereza, foi a gota d'água para denunciarem Cristo.
Conforme explica ele, Judas era um zelote (guerrilheiro) que zelava pela fé e queria expulsar pelas armas o imperador romano, mas fez a escolha estratégica errada crendo que, ao entregar Jesus e este ser preso, a multidão de fiéis a Cristo o libertaria e, sendo assim, o povo "o colocaria como rei de Israel e o expulsaria os invasores". No entanto, a multidão não seguiu o destino esperado por Iscariotes, o que levou à crucificação. Para o ator, o monólogo passa a mensagem do perdão. "É sobre entender Judas dentro desta ótica", explica.
Sem pretensão de impor sua versão como verdadeira ou definitiva, Vereza objetiva apenas dar voz ao personagem. "Essa minha visão de Judas busca, pelo menos, colocar a hipótese de que ele errou estrategicamente, e não porque ele errou ao dar um beijo na face de Jesus." O ator também aponta que Jesus Cristo não é propriedade de nenhuma Igreja, que busca o respeito às outras religiões e que cabe a arte promover discussões e ampliar o debate religioso. "Em nenhum momento do monólogo eu deixo de enaltecer Jesus, pelo contrário, o amor de Judas por Jesus fica presente o tempo inteiro", finaliza. 
Iscariotes - A outra face, estreou em abril, na cidade de Petrópolis (RJ). Após passar por Brasília e Porto Alegre, ela seguirá para o Rio de Janeiro.
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