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Porto Alegre, segunda-feira, 11 de setembro de 2017. Atualizado às 21h21.

Jornal do Comércio

Panorama

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EM CENA

Notícia da edição impressa de 12/09/2017. Alterada em 11/09 às 16h33min

Roberto Alvim é uma das grandes atrações do Porto Alegre Em Cena, que abre nesta terça-feira

Leite derramado é livre adaptação do livro homônimo de Chico Buarque, com direção de Roberto Alvim

Leite derramado é livre adaptação do livro homônimo de Chico Buarque, com direção de Roberto Alvim


EDSON KUMASAKA/DIVULGAÇÃO/JC
Michele Rolim
O Porto Alegre em Cena reúne, pela primeira vez, a Orquestra Villa-Lobos e a Companhia Jovem de Dança. Com direção-geral de Liane Venturella, o espetáculo inédito, intitulado Villa Brasil, ocorre hoje, às 21h, no Teatro do Bourbon Country (Túlio de Rose, 80). A atração marca a abertura do festival, que segue até o dia 24 de setembro.
Logo no começo, a programação já reserva uma das grandes atrações dessa edição: a montagem Leite derramado, livre adaptação do livro homônimo de Chico Buarque de Hollanda, com direção assinada por Roberto Alvim, que já esteve no festival com diversas montagens, sendo a mais recente Caesar - Como construir um império (2015), adaptação do texto Júlio César, de William Shakespeare. 
"Estava procurando um romance escrito no século XXI que tivesse a mesma grandeza de obras como Macunaíma, do Mário de Andrade, ou Grande Sertão: Veredas, do Guimarães Rosa, através do qual eu pudesse falar sobre o Brasil contemporâneo. Já vivíamos uma crise política muito aguda, então era urgente repensar o País e o que significava ser brasileiro naquele momento. Quando li Leite derramado, tive a sensação nítida de encontrar", comenta Alvim.
O espetáculo trata de uma visão panorâmica de séculos da história do Brasil, através da figura de Eulálio D'Assumpção (interpretado por Juliana Galdino), herdeiro de uma família que chega ao Brasil com a corte portuguesa, repleto de antepassados aristocratas, latifundiários escravagistas e políticos corruptos; e que termina com um bisneto traficante de drogas no Rio de Janeiro. Publicado em 2009, Leite derramado reproduz o monólogo de um homem centenário, que está no leito de um hospital, com uma fala delirante no qual tempo e espaço se atravessam. "Mais do que uma adaptação literária e dramatúrgica, é uma espécie de inconsciente do livro, é como se, no palco, fosse mostrado tudo que acontece dentro da cabeça de Eulálio", revela o diretor.
Esta é a primeira adaptação para o palco de um romance de Chico Buarque. Para criar a estrutura que está no palco, foram feitas sete versões e muitas trocas de e-mail com Chico Buarque. De monólogo o texto passou a um espetáculo para oito atores, além de música executada ao vivo por 10 profissionais, liderados pelo filósofo Vladimir Safatle, também autor da melodia.  
Alvim considera essa "a obra mais importante e complexa" que ele já realizou na sua carreira. O trabalho carrega as características da estética de Alvim, mas, ao mesmo tempo, muitas outras. "Eu precisei me reinventar para fazer essa peça e descobrir a forma cênica dela. As coisas vão se transformando e, se eu continuasse fazendo um trabalho muito imóvel e com pouca luz, seria irrelevante. Eu não me prendo a nenhum programa estético, eu vejo o que o material vai exigindo. A peça tem muitas coreografias cênicas que não permitem escuridão, pois é importante ver que ícones estão na peça. A teatralidade pede um outro tipo de sistema de dramaturgia da luz para que ela pudesse operar", avisa.
Obra da companhia Club Noir - declarada patrimônio cultural da cidade de São Paulo em 2014 -, a peça já recebeu indicações ao Prêmio APCA de Melhor Atriz (Juliana Galdino) e ao Prêmio Shell em três categorias, Melhor Atriz (Juliana Galdino), Melhor Direção (Roberto Alvim) e Melhor Iluminação (Domingos Quintiliano). Em cena, além de Juliana Galdino, estão também Renato Forner, Taynã Marquezone, Filipe Ribeiro, Lenon Sebastian, Caio D'Aguilar, Luis Fernando Pasquarelli e Nathalia Manocchio.
"O protagonista termina a vida em um corredor lotado de hospital público justamente sendo vítima da precariedade de um sistema que sua própria família construiu. De um modo geral, o que podemos perceber é que nós, brasileiros, construímos uma tragédia na qual nós próprios somos vítimas. Estamos construindo essa tragédia há 400 anos, pelo menos", opina.
O espetáculo Leite derramado ocorre de quarta-feira a sexta-feira, às 21h, no Teatro Renascença (Érico Veríssimo, 307), com ingressos que custam R$ 80,00 (inteira) e R$ 40 (meia-entrada) - até o fechamento desta edição, ainda havia entradas à venda.
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