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Porto Alegre, segunda-feira, 02 de outubro de 2017. Atualizado às 21h10.

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CARREIRA

Notícia da edição impressa de 03/10/2017. Alterada em 02/10 às 18h24min

WLM promove mentoria de jovens advogadas

Contando com um grupo de 50 profissionais, terceiro ciclo da atividade já está em andamento

Contando com um grupo de 50 profissionais, terceiro ciclo da atividade já está em andamento


/CRISTIANE PEDROSO/DIVULGAÇÃO/JC
Laura Franco, especial
Foi a partir do ranking de escritórios de advocacia da Chambers and Partners que a advogada Raquel Stein percebeu um problema: ela era a única mulher citada na lista de advogados e advogadas com bom crescimento profissional. O incômodo virou motivação, e essa motivação gerou a fundação do grupo Women in Law Mentoring Brazil (WLM).
Atuando apenas há três anos, o grupo une advogadas de empresas e escritórios, e tem como objetivo principal "mentorar" jovens com até cinco anos de formação. Para isso, formam-se duplas, com uma profissional sênior, que deve acompanhar uma profissional júnior. Já em seu terceiro ciclo em andamento, o grupo conta com 50 mulheres.
Para isso, as "aprendizes" devem se candidatar através de um formulário, respondendo perguntas sobre ambições profissionais e empoderamento feminino. A partir disso, o grupo seleciona aquelas que estão mais alinhadas com os objetivos da WLM. "Não queremos ser percebidas como um grupo de networking e, para evitar isso, fazemos essa seleção", explica Ana Amélia Ramos de Abreu, advogada e também fundadora do grupo.
No ano passado, o WLM se associou à ONG internacional Vance Center for Internacional Justice, que tem ligação com diversos grupos de advogadas em todos os países da América Latina e nos Estados Unidos. Mesmo com a parceria, o grupo segue independente, sem fins lucrativos, o que, segundo Raquel, permite a tomada de decisões com maior liberdade.
Além da mentoria, o grupo realiza eventos e debates com os mais diversos temas, todos focados no desenvolvimento de carreira. "As reuniões tratam desde apresentações de Power Point a debates sobre autoestima e confiança no mercado de trabalho, tudo para desenvolver essas mulheres profissionalmente", explica Raquel, presidente do WLM.
As mulheres já são maioria dentro dos escritórios de advocacia, totalizando cerca de 60%. Mesmo assim, a média de sociedade feminina chega a 30%, enquanto elas ocupam 2/3 das vagas de estágio. "Há muitas mulheres na base, e poucas na liderança. As estagiárias veem diversidade dentro do seu setor: homens, mulheres, negros, homossexuais; mas, ao observar os cargos acima, percebem que isso é enxugado", lamenta a advogada.
E é essa liderança que o grupo pretende trabalhar, motivando ainda mais as mulheres a buscarem essas vagas. "A partir do momento em que existem mulheres na liderança das organizações, elas pensam em problemas e soluções com outra visão", reforça. Para Raquel, a diversidade é responsável por gerar novas e boas ideias dentro das empresas. Quanto mais homogêneo o grupo for, menos possibilidade se tem para pensar e criar estratégias diferentes. Segundo a advogada é sempre bom que não estejam todos na "mesma página".
Ana Amélia garante que não se deseja culpar os homens, mas reforçar a autorresponsabilidade das mulheres. "A ideia é questionar o que essa mulher está ou não fazendo para melhorar sua carreira. Se ela, enquanto profissional, mãe, esposa, em qualquer papel que tenha, está prejudicando ou colaborando para seu desenvolvimento", reforça.
Para os próximos anos, o grupo pretende manter seus ciclos de mentorias anuais, buscando cada vez mais advogadas parceiras. Além disso, pretende estender as atividades para São Paulo, já que a demanda nesse estado também é grande. Outro projeto dentro do plano estratégico do WLM é produzir atividades e parcerias com universidades, divulgando o grupo como uma ferramenta para as novas bacharéis em Direito.

Fórum quer debater diversidade nos espaços jurídicos

No dia 5 de outubro, o WLM realiza seu primeiro fórum em Porto Alegre. O tema "Diversidade e complementaridade: uma nova inteligência jurídica" amplia o debate, já proporcionado pelo grupo, sobre diversidade de gênero em departamentos jurídicos de empresas e escritórios de advocacia.
A palestra de abertura é com o vice-presidente global da Microsoft, Rodney Williams, responsável por implementar programas de diversidade dentro da empresa. A programação ainda conta com palestras sobre vieses inconscientes e preconceito, a importância do mentoring e diversidade como multiplicador de resultados. "A intenção do fórum é desmistificar a ideia de diversidade como algo politicamente correto, e sim como algo que traz resultados até mesmo financeiros", aponta Ana Amélia.
Para ela, outro ponto importante sobre o evento é que ele não é direcionado exclusivamente para mulheres. Ana Amélia avalia que "os homens são sócios, são gestores e devem ter consciência de que também fazem parte disso".
Amanhã, dia 4 de outubro, o escritório Souto Corrêa, do qual Raquel Stein faz parte, oferece um debate com um dos temas do fórum. A palestra pretende abordar de forma mais detalhada a pesquisa da professora Patrícia Bertolin, que estuda mulheres e o ambiente da advocacia. Mais informações no site wlm.org.br.
 
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