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Porto Alegre, segunda-feira, 11 de setembro de 2017. Atualizado às 12h51.

Jornal do Comércio

Empresas & Negócios

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Responsabilidade Social

Notícia da edição impressa de 11/09/2017. Alterada em 11/09 às 12h52min

Expointer é, sim, lugar de ópera

LUIZ CHAVES/PALÁCIO PIRATINI/JC
Samuel Lima
O espetáculo Ópera Gaúcha, realizado na abertura da 40ª Expointer, em Esteio, contou com a participação de 40 gaiteiros mirins, enfileirados na Pista Central do Parque de Exposições Assis Brasil. As crianças e adolescentes fazem parte do projeto Fábrica de Gaiteiros, idealizado pelo músico tradicionalista Renato Borghetti, que tocou ao lado delas na cerimônia em alusão à histórica edição da maior feira do agronegócio gaúcho.
Foram pouco mais de dois minutos de apresentação, mas que certamente ficaram na memória das crianças, que, até pouco tempo atrás, não sabiam manejar ou sequer conheciam o acordeão diatônico, conhecido popularmente no Estado como gaita de oito baixos. Borghetti percebeu, anos atrás, que o acesso ao instrumento no Rio Grande ficou mais restrito, por conta do fechamento de fábricas brasileiras, notadamente na década de 1990.
"Houve um hiato de instrumento nacional, e ficou mais difícil de comprar. A gaita não é um instrumento tão barato para a família, como um violão para iniciante, e ainda tem aquela dúvida se a criança vai tocar ou não. A ideia da fábrica é essa: ensinar sem a criança ter que comprar", conta Borghetti.
Mas, para isso, foram necessários primeiro os instrumentos. Borghetti e companhia convenceram a empresa CMPC Celulose Riograndense a ser parceira no projeto social ainda no início da década, desde que as gaitas fossem confeccionadas com madeira certificada de eucalipto, proveniente de plantios renováveis.
Em um primeiro momento, foi um baque, conta ele, já que conheciam a madeira como algo menos resistente e inapropriado para algo do tipo - o que caiu por terra quando foram apresentados a uma variedade que, quando trabalhada em processos de estufa, tornava-se adequada ao uso. Nasceram, então, as primeiras gaitas, utilizadas pelos também primeiros alunos.
Hoje, a fabricação se dá por uma equipe de sete pessoas em sede própria num prédio histórico reformado pelo grupo em Barra do Ribeiro, às margens do Guaíba. A produção abastece as 10 escolas participantes do projeto, em nove municípios, que atendem até 500 alunos por ano, todos entre sete e 15 anos de idade. As cidades são Bagé, Barra do Ribeiro, Butiá, Guaíba, Lagoa Vermelha, Porto Alegre, São Gabriel e Tapes, além de Lages, em Santa Catarina. Todas as unidades teriam lista de espera atualmente.
Os instrumentos fabricados são totalmente destinados ao projeto, e as aulas são inteiramente gratuitas às crianças, relata Borghetti. Além de uma aula semanal, sempre individual, há momentos de aprendizado coletivo, e os alunos podem levar os instrumentos para praticar em casa, desde que mantenham o compromisso de devolver em breve para outro também usar. Qualquer um pode participar e deve procurar a unidade onde os encontros acontecem para preencher ficha de inscrição.
Borghetti defende que o projeto social é um resgate da gaita de oito baixos, um instrumento "emblemático da nossa música tradicionalista". Isso se daria tanto voltando a fabricar o objeto quanto despertando o interesse das novas gerações em aprendê-lo. A descrição oficial do projeto ainda fala sobre unir a sensibilidade e conhecimento da cultura local a aspectos como inclusão social, autoestima e espírito de coletividade.
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