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Porto Alegre, sexta-feira, 08 de setembro de 2017. Atualizado às 16h54.

Jornal do Comércio

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tecnologia

Notícia da edição impressa de 04/09/2017. Alterada em 01/09 às 19h14min

Brasileiro sofre fraudes na internet

O Brasil continua como primeiro colocado no ranking de "phishing" (invasão de conta para obter dados pessoais do usuário) da Kaspersky Lab, empresa de antivírus. No País, 18,1% dos usuários foram alvo do crime no segundo trimestre de 2017. Em segundo lugar ficou a China, com 12,9% - os ataques não necessariamente partem dos países onde estão os alvos.
O Brasil está no topo da lista desde 2015. Em 2016, brasileiros sofreram 27,6% dos ataques de "phishing" do mundo e também foram os mais atacados por cavalo de troia, vírus que fica "escondido" em downloads. A liderança no ano passado foi atribuída, em parte, à Olimpíada, que atraiu interesse de criminosos estrangeiros, mas o relatório do Kaspersky afirma que existe uma "cultura Robin Hood" entre hackers brasileiros, especialmente na aceitação de ataques contra bancos.
No ano passado, o Banrisul, por exemplo, foi vítima de um ataque, segundo a companhia de segurança. "Os (criminosos virtuais) postam fotos em rede sociais exibindo dinheiro roubado, celebrando a ostentação", afirmou a empresa russa. A Kaspersky cita o "Rap dos Hackers", música de autoria desconhecida cujos versos explicitam a prática: "Sou criminoso / Terrorista virtual / Hacker de responsa e vagabundo sempre paga um pau".
Para não sofrer "phishing", é importante não abrir e-mails suspeitos e não baixar nada de procedência desconhecida, além de estar com o antivírus atualizado. O Brasil foi considerado o ambiente virtual mais perigoso para bancos em 2014 pela Kaspersky. Em 2015, bancos brasileiros perderam
R$ 1,8 bilhão com ataques virtuais, segundo a Febraban (Federação Brasileira de Bancos). De acordo com o estudo do Kaspersky, 23% dos bancos foram alvos de "phishing" em 2016, assim como 18,4% dos sistemas de pagamento e 9,58% das lojas virtuais.
Bases de dados de outras empresas de antivírus apontam o Brasil como fonte de ataques. A Symantec concluiu que, em 2016, a maior parte de ameaças on-line veio dos Estados Unidos (24%), seguidos da China (9,6%) e do Brasil (5,8%). Do ponto de vista das empresas, porém, o país não é especialmente visado, de acordo com a KPMG. A auditoria diz que, das empresas brasileiras, 25% dizem ter sofrido ciberataques nos últimos dois anos. Já no Japão, foram 55%, e, na Suíça, 54%.
Para o estudo, os alvos dos ataques brasileiros estão principalmente no exterior. "As multinacionais em países desenvolvidos são mais desejadas", diz Cláudio Soutto, sócio da KPMG no Brasil. Na China, a fatia das empresas que sofreram ataques é de 25%, e, na Índia, de 18%.
 
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