Porto Alegre, segunda-feira, 11 de setembro de 2017. Atualizado às 21h21.

Jornal do Comércio

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MERCADO IMOBILIÁRIO

Notícia da edição impressa de 12/09/2017. Alterada em 11/09 às 19h40min

Imobiliárias projetam dois anos de recuperação

Conforme Schukster, tudo tende a melhorar, e quem está alugando também pode negociar

Conforme Schukster, tudo tende a melhorar, e quem está alugando também pode negociar


JONATHAN HECKLER/JONATHAN HECKLER/JC
O período de austeridade na economia brasileira também exerce seu impacto em uma parte importante do mercado da construção - a compra, a venda e os aluguéis de imóveis usados. Depois de períodos de grande valorização, até o início desta década, o setor experimentou retrações em diferentes aspectos - como preços, procura e tempo de locação. Mas também existe a expectativa de que os próximos dois anos tragam uma nova fase positiva para a área imobiliária.
Um dado curioso fornecido pelo Sindicato da Habitação do Rio Grande do Sul (Secovi-RS) sugere que o investimento em imóveis não deixou de ser uma opção rentável. De acordo com a entidade, a variação do preço médio do aluguel por metro quadrado ficou acima da inflação, no acumulado dos últimos 100 meses. Em números de junho deste ano, esse acumulado foi de 81,14% nos aluguéis, contra 57,82% no IGP-M - mesmo com as quedas de preços verificadas em 2016 e 2017.
"Tudo indica que tende a melhorar. Quem está alugando também pode negociar, tem alguma gordura", explica o presidente do Secovi, Moacyr Schukster. "Tem que comprar imóvel agora, que o preço está estável. O preço da locação parou de cair, e o preço da venda está subindo", acrescenta o dirigente.
Schukster admite que o ritmo do mercado tornou-se bem mais lento nos últimos dois anos. Um aspecto dessa desaceleração é o tempo médio para locação de um imóvel colocado em oferta, que está em torno de 11 meses. "Essa média já foi de quatro a cinco meses. Mas é preciso haver flexibilidade, esse número tem variações, por exemplo, se trata-se de imóveis novos ou não", observa o presidente.
Também houve queda no total de venda de imóveis. Em Porto Alegre, por exemplo, o número de escrituras emitidas mensalmente - incluindo imóveis novos e usados - caiu 18,8% nos últimos cinco anos, conforme dados referentes ao mês de julho. Nos últimos 12 meses, por exemplo, foram 32,6 mil escrituras, uma queda de 6,56% em relação ao período dos 12 meses anteriores. O preço médio do metro quadrado de imóveis usados para venda teve queda da metade de 2015 para 2016, mas apresentou leve aumento de 2016 para 2017. "Os preços ficaram estáveis. A oferta se ajustou à demanda, que reduziu, e as negociações aumentaram", ressalta Schukster.
Outro efeito do período recessivo se fez sentir dentro das imobiliárias, que tiveram de reduzir levemente o quadro de pessoal - em torno de 3% nos últimos 12 meses. "Nos últimos três anos, ficou estável o número de funcionários", informa Schukster, citando dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged): o total de empregados do setor em Porto Alegre era de 4.456 pessoas em junho de 2014, e o número de junho de 2017 é bastante próximo: 4.490.
A volta aos patamares alcançados pelo mercado imobiliário no início desta década passa pela retomada da economia em três aspectos essenciais, segundo Schukster: a possibilidade de financiamento, o nível de emprego e a recuperação da renda. "Se falta um desses fatores, o mercado fica desequilibrado. O imóvel ainda é atraente para as pessoas, mas as verbas de financiamento se reduziram bastante", analisa o dirigente.
Schukster considera que o mercado já dá sinais de reação e acredita em números mais favoráveis no médio prazo. "Em dois anos, os imóveis vão ficar com preço muito maior. Mas o imóvel não dá saltos. A linha é ascendente. Em dois anos, deveremos chegar ao patamar de cinco anos atrás. Vai depender da recuperação dos empregos", prevê o dirigente, acrescentando algum otimismo à análise: "O mercado segue pujante, os negócios continuam sendo feitos, não está tudo parado".

Corretores combatem concorrência ilegal

Número de corretores em atividade vem crescendo, diz Ely
Número de corretores em atividade vem crescendo, diz Ely
MARCELO G. RIBEIRO/JC
Além das dificuldades impostas pelo cenário econômico, o mercado imobiliário enfrenta um desafio extra, do ponto de vista dos corretores de imóveis que atuam na linha de frente das vendas e aluguéis. "Sem imobiliárias e corretores, não se comercializa imóveis. Mas vivemos uma realidade complexa, na qual todos acham que são corretores. Nosso desafio maior, hoje, é combater o exercício ilegal da profissão", explica o presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci-RS), Márcio Bins Ely.
Segundo o conselho, foram registrados mais de 35 mil autos de infração referentes à atuação de corretores não registrados, envolvendo aluguéis e vendas. Um agravante em um mercado que vive um período delicado, com os efeitos da recessão. "Queremos fazer uma parceria com o Ministério Público para coibir essa atividade ilegal", projeta Ely.
Mesmo sem citar números, o presidente reconhece que o período de instabilidade econômica se fez sentir na área imobiliária. "Vivemos momentos de crise política, que se refletiram na economia. Houve retração, uma dificuldade enorme. O imóvel custa, às vezes, a economia de uma vida inteira", observa Ely. O panorama econômico do Estado, em particular, não vem oferecendo melhores perspectivas. Mas, com a atuação distribuída em diferentes partes do Estado, o Creci constata que os efeitos da recessão não são os mesmos em todo o Rio Grande do Sul. "A dificuldade financeira extrema afetou o mercado em todas as regiões do Estado. Mas existem alguns detalhes, algumas regiões que atravessam melhor a crise. A safra de soja atenuou a situação no Interior, e a Serra é mais industrializada. Gramado e Canela também sentiram menos a crise, devido ao turismo", descreve o presidente.
Mesmo com o quadro recessivo, o número de corretores em atividade no Rio Grande do Sul vem crescendo. Este ano, até o mês de julho, foram registrados 1.814 novos profissionais, número que já supera o total de registros feitos em 2016. O total de corretores vinculados ao conselho é de quase 28 mil pessoas. Ely vê nesse crescimento um sinal de que o mercado está se reaquecendo, e acredita no potencial do mercado porto-alegrense no médio e no longo prazos. "A cidade tem um grande desafio, que é a região do Quarto Distrito. Uma área bem localizada, com vista para o Guaíba, próxima do Centro, da rodoviária e do aeroporto. Porto Alegre não pode prescindir de uma área tão nobre", diz Ely.
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