Porto Alegre, segunda-feira, 11 de setembro de 2017. Atualizado às 21h21.

Jornal do Comércio

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INOVAÇÃO

Notícia da edição impressa de 12/09/2017. Alterada em 11/09 às 19h20min

Brasil tem muitos desafios no sistema construtivo

Método tradicional e artesanal de construção coloca o Brasil entre os últimos países em produtividade

Método tradicional e artesanal de construção coloca o Brasil entre os últimos países em produtividade


DÊNIS SIMÕES/DÊNIS SIMÕES/AGÊNCIA BRASÍLIA/DIVULGAÇÃO/JC
Após um período de queda de produtividade, demissões e fechamento de empresas, a indústria da construção civil busca a retomada do crescimento por meio da inovação. A 20ª Construsul - Feira Internacional da Construção, realizada em Novo Hamburgo em agosto, demonstrou o interesse do setor em investir em sistemas construtivos cada vez mais industrializados para aumentar a produtividade e acelerar as obras.
Os destaques ficaram por conta dos pré-fabricados de concreto, Drywall, Sistema CES (Construção Energitérmica Sustentável), Light Steel Framing (perfis de aço galvanizado formados a frio), entre outras novidades. A ideia é reduzir o tempo de execução, racionalizar materiais e mão de obra e diminuir insumos, garantindo a sustentabilidade.
Entretanto o Brasil ainda tem muitos desafios pela frente. É o que afirma Maria Angelica Covelo Silva, consultora da NGI Consultoria e Desenvolvimento. "Temos ainda um sistema construtivo muito tradicional e artesanal", ressalta.
Para a consultora, esse método artesanal foi o responsável em colocar o País entre os últimos colocados na pesquisa ReinventingConstruction: A RoutetoHigher Productivity, do Mckinsey Global Institute. Entre 40 países, o Brasil está atrás somente do México. Nosso índice de produtividade ficou com déficit em 2015, de US$ 1,21 bilhões.
"Uma parcela do setor investiu em racionalizar, mesmo com a tecnologia tradicional. No Rio Grande do Sul temos até uma condição diferente, melhor que em outros estados, pois tem a alvenaria racionalizada, com blocos cerâmicos de alto padrão", diz Maria Angelica. "Apesar desses esforços, a nossa produtividade ainda é muito baixa."
Com o boom imobiliário em 2008 e 2009, no qual houve financiamento expressivo para a habitação, principalmente com os programas governamentais, as empresas que começaram a atuar neste segmento perceberam que não poderiam trabalhar com sistemas artesanais por conta da larga escala. "Nós tivemos, no programa Minha Casa Minha Vida, sistema de parede de concreto moldado in loco que tem alta produtividade. As empresas buscaram alternativas para dar conta da demanda", lembra a consultora.
Contudo, além de sistemas cada vez mais industrializados, o Brasil precisa adotar outras medidas, segundo Maria Angelica. Para ela, na atual conjuntura, muitas construtoras não têm interesse em acelerar obras. "As empresas não percebem benefício em aumentar a produtividade com sistemas industrializados que reduzam os prazos de conclusão das obras, porque nosso financiamento ainda é estimulante de uma lentidão de produção. Uma parte do financiamento vem da venda das unidades", acredita. "Quando se vendia rapidamente, para as empresas, fazia sentido acelerar a obra e entregar o quanto antes. Hoje, na crise em que a gente está, não interessa muito fazer rápido", conclui.

Empresas se queixam da falta de qualificação

Gomes ressalta fatores 
que inibem investimentos
Gomes ressalta fatores que inibem investimentos
ARQUIVO/CREA/DIVULGAÇÃO/JC

Cursos e seminários de formação são a alternativa

A baixa qualificação na indústria da construção civil é apontada como entrave para a inovação desde 2013 pela Pesquisa de Inovação Tecnológica do IBGE (Pintec). No período, 72,5% das indústrias atribuíram importância alta ou média à falta de pessoal qualificado entre os obstáculos para inovar. Mas, então, o Brasil não está mais formando engenheiros? Está, mas a procura pelo curso de Engenharia Civil vem decrescendo. No vestibular da Universidade de São Paulo (USP) deste ano, foram 27,7 candidatos por vaga. Em 2016, a relação era de 33,6. Já no vestibular da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), a densidade foi de 8,0 em 2017, contra 11,0 no ano anterior.
Para o vice-presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Rio Grande do Sul (Sinduscon-RS), José Luiz Lima Lomando, a entidade tem papel fundamental no preenchimento dessa lacuna que é a falta de qualificação em novas tecnologias. "Oferecemos cursos, seminários, formação de mão de obra para mestres, contramestres e empreiteiros. As empresas bem situadas valorizam seus empregados e sabem que eles precisam ter conhecimento técnico e estarem atualizados", destaca.
A Comissão de Materiais, Tecnologia, Qualidade e Produtividade (Comat) do Sinduscon, coordenada por Lomando, já realizou atividades de formação sobre Drywall, Tecnologia de vedações externas e internas com foco na produtividade, e Vedação contra incêndio. "Procuramos fazer palestras todos os meses sobre o que é novidade, e estão sempre lotadas", enfatiza. Segundo ele, os novos sistemas construtivos levam os filhos de pedreiros de volta à obra. "Eles podem trabalhar com iPad, parafusadeira elétrica, perna de pau mecânica. É um serviço limpo e seco."
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