Porto Alegre, segunda-feira, 11 de setembro de 2017. Atualizado às 21h21.

Jornal do Comércio

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Notícia da edição impressa de 12/09/2017. Alterada em 11/09 às 21h21min

Paisagismo mais consciente e sustentável

Espaço no Boulevard Laçador tem pequenos arbustos e bancos à sombra

Espaço no Boulevard Laçador tem pequenos arbustos e bancos à sombra


SUSANA NEDEL/DIVULGAÇÃO/JC
O paisagismo evoluiu ao longo dos anos e está mais sustentável e consciente. É o que afirma a paisagista gaúcha Susana Nedel, 40 anos de profissão. "Hoje, as pessoas querem coisas que vão usar realmente. Querem tecnologia de ponta, economizar energia, o melhor produto pelo melhor preço e sem exageros", explica Susana.
Essa nova consciência é uma tendência, segundo ela. Por isso, os revestimentos estão mais práticos para limpeza, o número de luminárias diminuiu em cerca de 1/5, e as lâmpadas de LED, mais econômicas, são a preferência. "A ideia é usufruir dos espaços, e não apenas contemplá-los."
Como exemplo dessa mudança de valores, Susana cita o trabalho que fez há cerca de 30 anos para um comércio no bairro Moinhos de Vento, em Porto Alegre. "Na época, fiz uma treliça com fibra de vidro e poucas plantas, mas o cliente disse que estava muito simples, queria algo mais imponente", relembra.
Em trabalho recente, no Boulevard Laçador, a paisagista criou um espaço com pequenos arbustos, onde o conforto foi o foco principal, com bancos colocados estrategicamente à sombra. Nada da antiga pompa e circunstância que era exigida anos atrás.
Para Susana, porém, não existe "planta da moda". "Claro que existem algumas tendências. Hoje em dia, não vemos tantas samambaias como antigamente, por exemplo. As pessoas, principalmente no litoral, estão preferindo Kaizukas, que são plantas resistentes", destaca.
O importante, segundo ela, é que a família crie uma conexão com o espaço. A harmonia de um jardim se dá pelo equilíbrio na quantidade de espécies e a relação entre elas. "Não adianta enchê-lo de plantas, porque o espaço fica sem identidade. É preciso fazer sentido, ter função."

Temperos, hortaliças e árvores frutíferas em casa

Terraço Jardim ganhou hortas em caixotes de feira, mantendo linha sustentável
Terraço Jardim ganhou hortas em caixotes de feira, mantendo linha sustentável
CRISTIANO BAUCE/DIVULGAÇÃO/JC
Árvores frutíferas e temperos estão em alta. "Essa é uma geração saúde, que gosta de temperos fresquinhos, que prefere colher um limão do pé para fazer sua caipirinha, sem agrotóxico", esclarece a paisagista Susana Nedel.
Para quem tem interesse em cultivar pequenas hortas no jardim, segue a dica: temperos precisam receber luz solar direta. Mesmo em cima de balançadas, se houver vidro ou qualquer outro bloqueador dos raios, as plantas não se desenvolverão. "Sobrevivem, mas não ficam bonitas", diz.
Na mesma linha, o paisagista Fernando Thunm também vem investindo nas árvores frutíferas em seus projetos. Na Casa Cor RS deste ano, ele apresentou um Rooftop com quatro jabuticabeiras frondosas. "É uma árvore muito ornamental e resistente", diz Thunm.
O próprio paisagista cultiva jabuticaba, bergamota poncã e tomate-cereja em sua pequena sacada. Ele diz que não há regras para usar esse tipo de planta, apenas garantir que fiquem em um local que tenha bastante sol.
Outro espaço da mostra, o Terraço Jardim, do arquiteto e urbanista Paulo Hoffmeister Neto, apresenta uma série de temperos e até hortaliças, em uma pegada totalmente sustentável, plantadas em caixotes de feira, sem esquecer a parada para um bate-papo entre amigos e contemplação. "O projeto foi feito visando possibilitar a interação das pessoas com o ambiente ao redor", descreveu para os visitantes.

Calor valoriza o aconchego

Área ao redor da lareira remete a acampamento
Área ao redor da lareira remete a acampamento
CRISTIANO BAUCE/DIVULGAÇÃO/JC
O porcelanato na piscina e as lareiras em piso cimentício e quartzito são as inovações introduzidas por Fernando Thunm em seu ambiente na Casa Cor RS. "A lareira causa um ótimo efeito visual e esquenta. Faz alguns anos que utilizo (lareiras) nos meus projetos, mas ela ainda é vista com muita surpresa", conta o paisagista.
O espaço ao redor da lareira remete a uma fogueira de acampamento. Não é para menos. A ideia de Thunm era, justamente, criar um lugar aconchegante para que as pessoas pudessem se reunir e se esquentar. "Por isso também coloquei um banco que parece envolver em um abraço."
A luz amarelada em diversos pontos do Rooftop esquenta ainda mais o ambiente. "90% do aconchego se dá pela iluminação", afirma o paisagista. Foram utilizadas cordas de luz embaixo das duas lareiras e nos brises, além de canhões direcionados à fachada do Petrópole Tênis Clube, onde ocorreu a mostra.
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