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Porto Alegre, quinta-feira, 10 de agosto de 2017. Atualizado às 23h57.

Jornal do Comércio

Economia

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Conjuntura

Notícia da edição impressa de 11/08/2017. Alterada em 10/08 às 20h26min

Clima econômico da América Latina recua

Fatores políticos, como eleições, afetam as projeções para a região

Fatores políticos, como eleições, afetam as projeções para a região


/EITAN ABRAMOVICH/AFP/JC
O Clima Econômico da América Latina (ICE) recuou 5,5 pontos entre abril e julho, atingindo 72 pontos e ficando 17 pontos abaixo da média histórica dos últimos 10 anos. A constatação é do Indicador Ifo/FGV de Clima Econômico da América Latina, elaborado numa parceria entre o instituto alemão IFO e a Fundação Getulio Vargas (FGV).
Os dados, divulgados nesta quinta-feira, indicam que a queda entre abril e julho é explicada "tanto pela situação corrente que se encontra a América Latina quanto pelas perspectivas de curto prazo: o Indicador da Situação Atual (ISA) caiu 2,2 pontos, indo para 37,4 pontos; e o Indicador das Expectativas (IE) recuou 10,3, ficando em 116,5 pontos.
A queda mais acentuada do indicador se deu no Brasil, onde o ICE, ao variar 20 pontos, foi de 79 para 59 pontos entre abril e julho. Apesar de se manter na zona favorável de 134,6 pontos em julho, o Indicador das Expectativas foi o que mais contribuiu negativamente para queda do ICE, ao cair 54,7 pontos em relação a abril. Já o Indicador da Situação Atual, mesmo recuando 3 pontos, se manteve na zona desfavorável (7,7 pontos) em relação a abril.
Ao analisar a publicação, a pesquisadora da FGV/Ibre Lia Valls Pereira disse que o indicador do clima econômico do mundo ficou estável na zona favorável, com o ICE até melhorando nos países/regiões das economias de renda alta. "Mas, em algumas regiões de economias emergentes/em desenvolvimento, como na América Latina, o ICE piorou", afirmou. Ela ressaltou que essa piora ocorre num cenário externo favorável, com preços das commodities em alta e crescimento do comércio mundial. "Na América Latina, questões domésticas de cunho econômico e/ou político explicam o recuo do ICE", acentuou.
"Incertezas quanto aos resultados de eleições (Chile e Argentina); piora na avaliação de riscos por agências de rating (Chile e Brasil); temas de corrupção (Peru e Brasil, por exemplo), baixo crescimento econômico generalizado na região e questões fiscais envolvendo vários países" são fatores que dominam o cenário da região, explica Lia.
Segundo ela, "chama a atenção", porém, o fato de que, "se tiramos o Brasil, os países do Mercosul apresentaram resultados mais favoráveis de clima econômico que os da Aliança do Pacifico".
Os dados indicam, também, que o Índice de Situação Econômica do Mundo ficou estável em julho, fenômeno que vem de uma trajetória de melhora desde julho de 2016. "Nas principais economias mundiais desenvolvidas, o ICE está na zona favorável, sendo exceção o Reino Unido, que teve uma queda de 51 pontos e está na zona desfavorável. Entre o Brics (grupo de países chamados emergentes e que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), o Brasil só não está pior que a África do Sul", destaca o relatório.
O Clima Econômico da América Latina cai na comparação entre abril e julho para sete dos 11 países analisados mais detalhadamente. Há melhora para a Argentina ( 0,6 ponto), Bolívia ( 20,1 pontos) e México ( 18,5 pontos) e a Venezuela permanece no patamar mínimo do indicador. Apesar da queda no ICE, os países do Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai), exceto o Brasil, estão na zona favorável de avaliação. Nações da Aliança do Pacífico (Chile, Colômbia, México e Peru) encontram-se na zona desfavorável.
 
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