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Porto Alegre, quinta-feira, 03 de agosto de 2017. Atualizado às 22h40.

Jornal do Comércio

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Jaime Cimenti

Livros

Notícia da edição impressa de 04/08/2017. Alterada em 03/08 às 14h14min

Direita, esquerda, origem da divisão

Para muitos, a questão direita e esquerda é coisa do passado e preferem andar para a frente, sem limitações e amarras históricas, ideológicas, filosóficas ou políticas. O fato é que os conceitos e as práticas ligados à esquerda ou à direita merecem cuidadoso estudo e profunda análise, para que entendamos os sistemas político norte-americano, europeus e outros, influenciados ainda hoje pelas pessoas e acontecimentos históricos que envolvem direita e esquerda, desde os tempos das Revoluções Francesa e Americana.
O grande debate - Edmund Burke, Thomas Paine e o nascimento da esquerda e da direita (Record, 210 páginas), do analista político, intelectual acadêmico e jornalista Yuval Levin, vem em boa hora para tratar da origem da divisão e seus desdobramentos, a partir do grande debate entre dois geniais intelectuais e políticos. Levin é membro do think tank Centro de Ética e Políticas Públicas, em Washington, e colaborador do Weekly National e da National Review.
Escreve Levin: "As origens da divisão entre esquerda e direita, é claro, não são as mesmas de sua encarnação atual. As diferenças entre as divisões políticas de hoje e aquelas da era de Burke e Paine são, no mínimo, tão fascinantes e numerosas quanto suas similaridades. Espero encorajar ambos os lados de nossa divisão política e refletir sobre o caminho que percorreram. O que podemos aprender sobre nossos progenitores políticos (e os de nossos oponentes) e que insights cruciais podemos ter esquecido com o tempo, mas faríamos bem em lembrar? Acima de tudo, espero que este livro possa ajudar os cidadãos de qualquer orientação ideológica a abordar a política com maior compreensão e confiança. Espero ajudar o leitor a ver que, embora muitos argumentos que fervem na superfície sejam técnicos e complexos, eles são movidos por profundas questões permanentes que são não apenas importantes, mas também incrivelmente interessantes."
Burke, irlandês nascido em 1729, e Paine, inglês nascido em 1737, geniais homens de ideias e ações, debateram em torno da Revolução Francesa e da Revolução Americana. A Americana deu nascimento a uma nação que personificava o ideal do iluminismo, e a Francesa iniciou verdadeiramente a busca moderna por progresso social, com política e princípio filosófico inalteráveis.

Sorria, ria

A humanidade sempre foi mais para séria. Os palhaços, os bem-humorados, os risonhos, os comediantes e os demais integrantes da galera do riso sempre ficaram em segundo plano e alguns bobos da corte foram até assassinados. Há pouco, o Cirque Du Soleil montou um espetáculo que tratava da morte de um palhaço.
Comédia e comediantes não levam Oscar, Hollywood se faz de séria. Humoristas, por vezes, são agredidos e mortos, como os do triste episódio do Charlie Hebdo, em Paris. Humoristas, aliás, em geral são sérios e vários se suicidaram. Carlitos, o maior palhaço, é uma das grandes, honrosas exceções, que confirmam a regra.
Penso nessas coisas depois do domingo à noite, momento às vezes triste, que nos lembra os problemas da segunda-feira, quando dei de cara com a escultura do Buda Que Ri na sacada, escondido atrás das plantas. Com seu barrigão, seu colar de contas e o saco às costas, ele sorria no escuro, sozinho, não estava nem aí para a desgraceira da Lava Jato e outras agruras do Fantástico. O Buda Risonho, notei, apenas ria. Conta uma história que, no Japão, ele ia de um lugar para outro rindo. Seu riso cativante, contagiante, verdadeiro, balançava seu barrigão e o fazia rolar no chão. Nunca pronunciou uma palavra - seu sermão era o riso. Quando perguntavam sobre Buda, vida e morte ou iluminação, ele apenas ria. Nas aldeias, as pessoas esperavam por sua presença, bênçãos e alegria. Buda Que Ri é pouco lembrado e nem é citado na Wikipédia. Ao menos se tornou tema de empresa famosa de confecção e comércio, que leva seu nome.
Rir é o melhor remédio, não custa repetir o adágio popular. Se as pessoas fossem mais bem-humoradas, risonhas e leves, o mundo seria melhor. Não há fanáticos, extremistas ou radicais bem-humorados. O mundo precisa de amor, paz e humor. O mundo precisa de sorrisos, de risos, de gargalhadas. O mundo precisa rir de seus próprios dramas, que não são poucos. Rir dos próprios problemas e dificuldades é certificado de boa saúde física e mental. A vida é uma graça triste, mas não pode ficar sem graça, sem alegria e descontração.
Há quem possa estranhar de eu não estar falando agora nos bufões, nos palhaços, comediantes e reizinhos de nossa política. Eles não têm graça. São piadas prontas, sem graça, de péssimo gosto. O povo vai rir por último. Ri melhor quem ri por último.
Sorria, como diz a imortal canção Smile, de Charles Chaplin, e a preferida, dizem, de Michael Jackson. Sorria apesar das dores do coração ou de ele estar se quebrando, sorria ainda que o céu esteja nublado, bote um sorriso no rosto e alegre-se apesar de tudo, sorria que a vida ainda vai valer a pena. Sorria mesmo que você se preocupe com o sonho brasileiro mais uma vez adiado e com o fato da gente continuar sendo o País do Futuro. Um dia, a piada norte-americana "Brazil is the country of the future.and always will be" vai dançar.

lançamentos

  • Simões Lopes Neto para o mundo (Editora da Ufrgs, 282 páginas), organizado por Luís Augusto Fischer, Rosalia Neumann Garcia e Karina de Castilhos Lucena, traz traduções de contos do clássico autor gaúcho. Contrabandista, Chasque do Imperador, Os cabelos da china e outros contos foram traduzidos para o francês, espanhol, inglês, italiano, russo e japonês. Estão acompanhados por textos dos tradutores. Jane Tutikian, Fischer e Rosália assinam os textos introdutórios.
  • A metamorfose (Via Leitura, 96 páginas, R$ 24,90, tradução de Christina Wolfensberger), do genial escritor Franz Kafka, nascido em Praga em 1883, é considerada uma das obras fundamentais do século XX. Gregor Samsa, homem comum, caixeiro-viajante, acorda transmutado num terrível inseto e por aí vai a surreal, "kafkeana" história, despida de humanidade e que inquieta a todos, desde a primeira edição em 1915. O chefe de Gregor vai até sua casa e aí...
  • Vida e Morte de M.J. Gonzaga de Sá (Ateliê Editorial, 264 páginas), romance do grande escritor e jornalista Lima Barreto, tem apresentação, estudo introdutório e notas de Marcos Scheffell, também responsável pelo estabelecimento de texto com José de Paula Ramos Jr. A narrativa gira em torno do obscuro funcionário, culto e sensível, em meio à modernização do Rio de Janeiro, no início do século XX. Inadaptado, questiona, critica e pensa sobre as transformações da cidade.
 

a propósito...

Para sorrir, movimentamos uns 12 músculos. Para fazer cara de bunda, emburrada, mexemos 50 músculos. Melhor sorrir, enruga menos, é mais saudável. Ensinamento de Conceição Trucom: quando tiver tempo, relaxe o maxilar inferior, feche os olhos, abra levemente a boca, respire lento, superficial, pela boca e quando respirar ainda mais superficial, muito artificial, vai sentir um sorriso existencial que se espalha por dentro. Seu ventre vai sorrir. Não tem explicação. Não é risada, é sorriso. Delicado, frágil, tipo flor desabrochando. Você vai ficar feliz por 24 horas. Se perder a felicidade, feche os olhos e pegue o sorriso interior de volta. Quantas vezes quiser. Sorria para a vida, que ela sorri para ti. 
 
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